Dança e Artes Plásticas

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Atividade do Segni Mossi (fotos retiradas do Facebook do Projeto)

Hoje, resolvi fazer algo diferente…

Entrevistei Alessandro Lumare e Simona Lobefaro. Ele, artista plástico e videomaker, ela, dançarina e coreógrafa. Ambos italianos. Juntos, criaram o Segni Mossi, um projeto de movimento e desenhos gráficos para crianças e adultos. Presumindo que dança e desenho são duas maneiras de deixar sua marca, os dois artistas criaram uma oficina onde se experimentam as consequências e influências desta visão. Um laboratório para desvendar a unidade entre essas duas linguagens artísticas.

Em Segni Mossi, as produções gráficas e produções de dança são vestígios de processos: “Não estamos interessados em produtos acabados, estamos principalmente interessados em viver a experiência”, afirmam.

O projeto deles tem convênio com o Sesc São Paulo e vários educadores brasileiros adoram e utilizam essa metodologia de experimentação e aprendizagem artística. Esta entrevista, feita por escrito em inglês, foi traduzida por Paula Fernanda Castro.

 

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Simona e Alessandro

Vocês podem descrever a metodologia do Segni Mossi?

Alessandro: Nosso interesse é experimentar a interação entre as marcas da dimensão temporal (tal qual as deixadas por um corpo enquanto dança) e os traços que ficam no meio físico (tal qual os deixados pelas artes visuais). Nosso interesse é experienciar como esses produtos podem influenciar um ao outro. Nós queremos que as pessoas experimentem o prazer que é sentido quando você deixa um rastro além de qualquer propósito representativo. A dimensão é a da experimentação de um approach sensório, em conjunto com as pessoas superando o preconceito e a competitividade. É importante caracterizar o ambiente, estimular a colaboração e o compartilhar, propor técnicas inovadoras, favorecer estereótipos alternativos e estimular o “sentir” crítico e artístico.

 

Para quem é direcionado? Quem é seu público alvo?

Simona: Pessoas com mais de 5 anos.

 

Esse projeto é divertido tanto para crianças como para adultos?

S: É um jeito sério e divertido de brincar com as crianças e os adultos também.

 

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Qual é a grande diferença do trabalho com as crianças e do diálogo com os adultos?

A: Em duas palavras: urgência x consciência.

 

No que vocês se inspiraram para criar um programa educacional que combina os movimentos do corpo com as artes gráficas?

A: O caminho de pesquisa pessoal da Simona sempre foi o de focar o mundo interior, emocional, e sua relação com o espaço. Nossas ideias e ações podem modificar o espaço à nossa volta, elas podem continuar atuando no espaço, mesmo depois que nós terminamos. Elas podem gerar um ambiente. E agora, com o Segni Mossi, esse aspecto parece estar se materializando bem mais.

S: Para Alessandro, tudo começou pelo desejo de investigar a essência do sinal gráfico, do traço. E o gosto primitivo de viver um aspecto como um jeito de achar o nosso próprio espaço no mundo. Muitos artistas influenciaram nosso trabalho: Matthew Barney, Saburo Marukami, Kazuo Shiraga, Tony Orrico.

A: Nós também ficamos profundamente impressionados com os estudos das artes visuais de Rudolf Arnheim, Bruno Munari, Betty Edwards, Arno Stern e pela investigação educacional de Reggio Children, Maria Montessori, Celestin Freinet, Bruno Ciari, William Corsaro, Marco Dallari.

 

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Em quais aspectos da dança é possível fazer essa aproximação com as artes plásticas?

A: A pesquisa artística entre dança e artes plásticas do Espaço é caracterizada pela atitude multidisciplinar e criativa para a inovação. Nada se limita ao desenho ou à dança, estimulamos o diálogo entre essas linguagens. A abstração gerada entre a comunicação entre esses meios é o estímulo para o processo da imaginação, intuição e criatividade.

 

Como movimentos de dança podem se transformar em algo tão tangível como desenho ou pintura? Como esse processo funciona?

S: Como Rudolf Arnheim nos sugeriu, dançar já deixa traços espaciais persistentes em nossa memória. Nós só precisamos melhorar a habilidade de reconhecê-los e podermos fazer graças à sugestão poética, dispositivos físicos, ferramentas artísticas ou mecânicas de qualquer tipo. Não há limites para a imaginação.

 

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Tem algum caminho menor entre dois pontos do que uma linha reta?

S: Se vc está me perguntando se existe um caminho menor entre dois pontos do que uma linha reta, nós respondemos. Nós não gostamos de linhas retas, por isso nos chamamos Segni Mossi, traços em movimento.

A: E, se nós voltarmos no tempo, na cena, para reduzir qualquer distância entre esses dois pontos? (risos)

 

Quais são os resultados principais que vocês conseguem ver no desenvolvimento motor, social e educacional quando a criança realiza essas atividades?

S: Elas se tornam muito mais confiantes em usar seus corpos como instrumentos para comunicar as emoções. Nós também observamos um desenvolvimento importante na concentração, na curiosidade e, eventualmente, no approach crítico dessas crianças.

 

E quais são seus sonhos e planos para o futuro? Que legado vocês querem deixar?

A: Continuar viajando e encontrar pessoas entusiasmadas para compartilhar e trocar experiências de dança em desenho. Nós esperamos encorajar e motivar professores, artistas e mentes curiosas em continuar suas pesquisas pessoais e fazer melhorias no contexto em que atuam. Nós desejamos colaborar no gerenciamento de lugares maiores, um espaço para brincadeiras de adultos/crianças aonde todos podem curtir sua criatividade e aproveitar os benefícios em suas vidas.

 

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Para conhecer o Segni Mossi

Site: http://www.segnimossi.net/en/

Facebook: https://www.facebook.com/segnimossi/

Videos: https://www.facebook.com/segnimossi/videos

 

 

 

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Author

Marcelle Banks
Sou Marcelle Pereira Soares Banks, a.k.a Celle Banks. Sou profissional com 10 anos de experiência na área de comunicação, com passagem pelo setor acadêmico privado e público, me formei em Comunicação Social na Universidade Federal Fluminense (UFF) e fiz o curso de Dança Contemporânea na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Há 12 anos, atuo profissionalmente como Bailarina, Designer, Coreógrafa e Publicitária. Amante das Artes Culturais e Sociais, sou empreendedora e promotora da diversidade cultural. Tenho um enorme desejo de me comunicar com as pessoas e escolhi fazer isso através da dança. Gosto de compartilhar com os outros a minha paixão pela dança. Meu maior interesse é estudar a diversidade de danças através do olhar contemporâneo, das danças tradicionais às urbanas. Já me apresentei em universidades, festivais e teatros do Brasil. Nos Estados Unidos, desenvolvo atualmente um trabalho sobre a investigação de danças tradicionais brasileiras. Essas obras têm aparecido em Festivais Internacionais. Em 2015, me mudei para a Argentina e aprimorei meus estudos a partir de fontes de universidades locais, como Universidad Nacional de las Artes. Divido-me entre Buenos Aires, Des Moines, Rio de Janeiro e Florianópolis, sempre embalada na minha paixão pela família e pela dança