Brasil: Uma década perdida

O Fundo Monetário Internacional (FMI), que foi criado em 1944 na conferência de Bretton Woods, Nem Hampshire-EUA, com a presença de 730 delegados de 44 países, detém um vasto banco de dados com informações da economia de todos seus países-membros, no qual o Brasil é um dos signatários. Aliás, as primeiras discussões para a criação de uma organização voltada à estabilidade monetária e cambial em escala mundial ocorreram na conferência extraordinária de ministros das relações exteriores dos países americanos realizada na cidade do Rio de Janeiro, em plena segunda guerra mundial, no ano de 1942.

O FMI compila e publica mais de quatro dezenas de dados primários macroeconômicos de 196 países e, com isto, torna-se factível acompanhar e analisar a performance histórica e projetada dessas economias ao redor do mundo.

No ano de 2000 o Brasil ocupava a 11ª posição entre os maiores PIB’s mundiais. O nosso desempenho relativo melhorou muito, passamos para a 7ª posição no período entre 2010 e 2014. No ano passado, a despeito da queda da economia ter ficado em -4,1%, considerada bem razoável em relação aos demais países, devido à forte crise sanitária mundial a posição do Brasil piorou em cinco colocações, ficando em 12º no ranking do PIB global de US$ 84,54 trilhões, segundo o FMI.

De outro modo, a taxa do PIB real acumulada entre 2015 e 2020 recuou em -5,27%, demonstrando que o país já perdera capacidade produtiva há mais de cinco anos. Tomando como exemplo a fabricação de tijolos se, em 2014 fabricávamos 100, chegamos em 2020 produzindo apenas 94,03 tijolos. Levando em conta toda a década passada (2011 a 2020), o crescimento acumulado do PIB brasileiro ficou em apenas 2,7%, sendo o 29º pior desempenho dentre todos os países acompanhados pelo FMI.

Como o Brasil perdeu capacidade de gerar riquezas, houve piora no PIB per capita (razão entre o somatório da produção de bens e serviços finais e o número total de habitantes). Entre 2011 a 2020, perdemos oito lugares dentre os maiores PIB’s per capita, medido pela paridade do poder de compra, de US$ 15,4 mil (77º) para US$ 14,1 mil (85º).

Vários fatores explicam esses sofríveis resultados. Dentre outros, destaco:

a) fim da bonança dos preços das commodities no mercado internacional;

b) erros crassos na condução dos instrumentos da política econômica;

c) dois anos seguidos de fortes recessões, -3,54% em 2015 e de 3,28%, em 2016;

d) processo de impeachment;

e) falta de reformas estruturantes; e,

f) crise pandêmica global mal conduzida e negada localmente.

Em dezembro de 2020 o Relatório Focus do Banco Central estava otimista, a previsão de crescimento da economia estava em 3,4%. Neste momento, com nuvens pesadas pairando no céu de Brasília, a previsão é de recuo do PIB para 3,08% e de altas taxas de inflação (IPCA) e de juro (Selic) atingindo 4,98% e 5,25% respectivamente, no final de 2021.

O Jornal inglês Financial Times em uma de suas matérias de 15 de abril destacou :

“A América Latina precisa de líderes melhores”.

Creio que todas as razões apontadas são bem pertinentes e explicam o insucesso da região. Pensando em nós, será que merecemos perder outra década que iniciou em janeiro de 2021?

 

VIRENE MATESCO

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VIRENE MATESCO
EMPRESÁRIA E INVESTIDORA-ANJO. DIRETORA-PRESIDENTE DA MATESCO & LOPES CONSULTORIA. PROFESSORA DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS (FGV-MANAGEMENT), DESDE 1997. ELEITA, POR TRES ANOS CONSECUTIVOS A MELHOR PROFESSORA DE ECONOMIA DO FGV/MANAGEMENT E TOP 16 NO RANKING NACIONAL. GANHADORA DE QUARENTA E UM (41) PRÊMIOS DE DESTAQUE ACADÊMICO PELA FGV.

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