AC Entrevista: Ricardo Connti, preparador de elenco do Especial de Natal da Globo

Foto: Divulgação.

Versatilidade muito bem distribuída ao longo de 24 anos de carreira. Assim vem sendo a trajetória de Ricardo Connti, preparador de elenco do Especial de Natal da TV Globo, “Quando você acredita, existe”, previsto para ir ao ar no dia 25 de dezembro.

Com inúmeros talentos – ator, diretor, entre outros – sua paixão é a arte e principalmente, ser preparador. Ricardo carrega uma bagagem de muitos anos nessa profissão.  Na entrevista abaixo, você irá conhecer mais sobre seu trabalho, sua trajetória e muito mais.
Ricardo, primeiro queria pedir que você nos falasse a maior diferença entre o pesquisador e o preparador de elenco?
“O Pesquisador de elenco precisa ter bom olho e sensibilidade para enxergar além do que enxergamos, porque tem a função de encontrar novos talentos, a semelhança do produtor de elenco, mas o pesquisador trabalha para os produtores de elenco. É um trabalho incansável porque tem que estar atento em busca de potenciais talentos, atentos as peças e festivais de teatro e de cinema do Brasil todo, atento hoje em dia inclusive a internet, que lança novas caras constantemente. A pesquisa maior é por atores, mas mesmo personalidades carismáticas podem representar um potencial artístico que interessa. Além disso o pesquisador também preciso atender as demandas dos produtores de elenco, se requisitam atores com determinada aparência, etnia ou semelhança, o pesquisar vai a luta daqueles perfis, e sempre atrás das novas caras. O preparador de elenco trabalha para a direção artística. Tem a função de criar preparar um grupo de atores para servir da melhor forma a direção. O preparador estuda os papeis com os atores, cria práticas de entrosamento entre eles, segurança, prontidão, para alcançar o máximo de excelência com criatividade no Set de filmagem. O ator além de precisar estudar bem o seu papel, precisa entender todo o percurso da personagem e encontrar a intimidade necessária para se relacionar em cena sem receios. O diretor pode assim orquestrar melhor todo o seu elenco quando estão afinados e prontos para desempenharem os seus papeis.”

Foto: Reprodução Instagram

Você voltou no especial de fim de ano, um momento que os telespectadores esperam muito. Como foi voltar nesse produto? Imagino que seja algo bem diferente, ainda mais com o público infantil no meio de tantos atores e atrizes. 
“Foi maravilhoso! Não poderia haver melhor forma de retornar a TV Globo. Os desafios de um Especial talvez sejam termos apenas um único episódio para contarmos a nossa história. É um tempo muito mais curto que uma novela, uma série ou mesmo um filme. Ao mesmo tempo é uma vantagem porque podemos concentrar toda a energia para brilharmos ali, dando um gostinho de quero mais.”

Foto: Divulgação

Aproveitando, gostaria que você falasse um pouco sobre o seu contato com atores mirins. Já que se trata de um dos públicos que você prefere trabalhar.

“As crianças tem um acesso muito rápido ao coração das pessoas. São naturalmente carismáticas e adoro trabalhar com os atores mirins porque não tem vícios de representação, não tem Ego, não tem receios, estão abertas e sedentas, disponíveis 100% para o trabalho. Quando conseguimos acessar esse lugar sensível e ganhar a confiança delas, somos surpreendidos. Adoro a ingenuidade infantil. Adoro acessar a minha criança interior e a criança interior de todos, porque faz brotar o melhor de cada um de nós, não tem energia mais pura para trabalhar. A vida fica bem mais leve.”

O tempo que você passou em Portugal, ajudou na sua formação? Até mesmo por ser uma cultura diferente.

“Ajudou demais. Tive um contato especial com a Palavra. Passei a cuidar mais da expressão do nosso verbo através do nosso ofício. Trabalhei muito como ator, fiquei um ano contratado pelo Teatro da Trindade com dois musicais, fiz musicais infantis, fiz até participações da Televisão Portuguesa. Foi em Portugal que comecei a escrever e a dirigir trabalhos para crianças, montei um musical para crianças que correu o país por dois anos para a Nestlé de Portugal e era um projeto lindo, levando os valores da boa alimentação para as escolas. Depois estive em Barcelona, como assistente de colaborador do dramaturgo e roteirista Doc Comparato, um marco para a minha carreira como roteirista. Aprendi demais com o Doc.”

Foto: Reprodução Instagram

Você já atuou, dirigiu, deu aulas… Esse processos te ajudam hoje como preparador? Qual a maior diferença em realizar uma preparação para o cinema e para novelas?

“Recebi um depoimento lindo do ator Murilo Rosa outro dia que definiu bem isso, ele associa o meu talento como preparador a minha experiência e talento como ator antes de mais nada. Certamente é muito mais fácil sendo ator para escrever, para dirigir, para ensinar, porque eu sei como ninguém o que é estar naquele lugar e já passei por muitos processos para saber o que funciona com todos os tipos de atores em cada gênero de representação. A preparação para Cinema e uma pintura só, já sabemos desde o início como vai terminar a obra. Em novela não, estamos sempre recebendo novas tintas, criando juntos, interferindo. Ambas são muito prazerosas, mas são bem diferentes.”

Você é dono de um estúdio de pesquisa e preparação e já afirmou não querer ter uma grande empresa e sim manter um serviço de qualidade. O que você acha que é preciso para seguir esse caminho?

“Eu sou muito exigente como o meu trabalho. Não seria capaz de programar um Workshop recebendo 200 atores num final de semana sem dar a atenção individual que esse ator merece receber. Não é uma crítica, é uma constatação. Eu não consigo. Já me dei mal por aceitar mais atores do que o combinado num curso e atrasei 4 horas para terminar o curso porque não acho certo não oferecer o mesmo serviço a todos. Pretendo ter condições de continuar com a mesma ética, porque eu só faço isso porque eu amo fazer isso. E me cobro demais. Seria revoltante ouvir por aí que não dei atenção a alguém que passou por lá. Assim como um médico que precisa olhar nos olhos dos pacientes para saber a razão real dos seus males, eu preciso também enxergar a alma das pessoas que conheço para saber onde elas podem chegar e qual será meu desafio e aprendizado com cada encontro.”

 

 

 

MARI BARCELOS

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Jornalista por paixão. Música, Novelas, Cinema e Entrevistas. Designer de Moda que não liga para tendência. Apaixonada por música e cinema. Colunista, critica de cinema e da vida dos outros também. Tudo em dobro por favor, inclusive café, pizza e cerveja.

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