A Gentil Carioca apresenta “Febre Amarela” da Artista Vivian Caccuri

Vivian Caccuri, Pagode Metaesquema Sonoro, 2019, obra em exposição na Frieze Art Fair London, com abertura no dia 02 de outubro

 

Em Febre Amarela, Vivian propõe uma nova relação ambiental com os mosquitos. O mosquito, que foi pivô das maiores epidemias do Brasil ao longo de toda sua história – a febre amarela, a dengue, a zika –, está de novo no centro das angústias, medos, crises urbanas e ambientais, seja como um resultado inevitável do desflorestamento ou como forma de vida quase inquestionável das grandes cidades brasileiras.

Porém, em Febre Amarela o brasileiro é uma nova cultura que venceu o medo dos mosquitos – a começar por seu incômodo som, superou as doenças e aprendeu a lidar com estes insetos em um novo mundo tomado por eles, desenvolvendo uma nova imunidade.

Compreendendo que as primeiras epidemias de febre amarela e doenças transmitidas por mosquitos tiveram seu epicentro na economia açucareira colonial, a artista e a sua equipe desenvolveram um soundsystem de rapadura que ecoa o incômodo som dos mosquitos, acompanhado da folhagem e da queimada típica do canavial, além das flautas mestiças de “pife” que surgiram nessa mesma época. Sesmaria Soundsystem é uma reinterpretação do material da rapadura para os meios de reprodução sonora.

O Templo do Mosquito, uma tela de mosquiteiro de 230 cm por 405 cm, que participou da Bienal de Kochi na Índia, mostra o encontro do sexo dos mosquitos com diferentes figurações do corpo humano: o mosquito é um dos designers do que se entende por “humanidade”.

Em toda a exposição é possível ver desenhos de paisagens, com figurantes que pairam perdidos sobre essa natureza destruída e modificada: Brumadinho, Mariana, são cenas da mais nova paisagem brasileira, agora mais marcante que a natureza vibrante e densa. No entanto, os sujeitos ainda vivem e prosperam à sua maneira, como sempre aconteceu na história do Brasil.

 

Os pagodes, parte importante do trabalho de Vivian Caccuri já há alguns anos, estão presentes pela primeira vez em cor amarela, aludindo ao estado febril desta doença colonial que volta em momento de crise nacional. O material, uma tela plástica que protege contra partículas e insetos, está presente também na parte mais disruptiva de Febre Amarela, “RAPADURA”: uma coleção desenvolvida em parceria com Victor Apolinário, que foi apresentada num desfile e comercializada numa pop-up store dentro do espaço da galeria.

Febre Amarela é uma narrativa otimista no caos, onde o neo-brasileiro assimilou a polarização política, voltou à cultura do artesanato de forma tecnológica e adquiriu conhecimentos de diversas origens para sua autoproteção. Obras desta série estarão em exposição no stand A14 da Gentil Carioca na Frieze Art Fair que abre amanhã (02/10) em Londres, juntamente com outros artistas da galeria.

  • Arjan Martins
  • Jarbas Lopes
  • João Modé
  • José Bento
  • Laura Lima
  • Maria Nepomuceno
  • OPAVIVARÁ!
  • Rodrigo Torres
  • Vivian Caccuri

Simultaneamente à abertura da exposição, que ocorreu na semana passada foi inaugurada a 34ª edição da Parede Gentil por Paulo Bruscky com o gentil apoio de Susan & Michael Hort e lançada a Camisa Educação nº 84, de Alexandre Colchete e Pedro Paulo Rezende.

A Parede Gentil, em sua trigésima quarta edição, traz um fac-símile em grande escala da obra Pelos Nossos Desaparecidos e Vende-se ou Aluga-se, do artista Paulo Bruscky. Na primeira, Bruscky denuncia o desaparecimento de pessoas durante o regime militar e o flerte ditatorial do atual governo. As fotos de negativos de lambe-lambe, pela sua mutação/ deterioração com o tempo, é uma referência direta aos mortos e desaparecidos políticos de ontem e hoje, e uma homenagem à Comissão da Verdade. O trabalho faz parte de uma série realizada pelo artista desde 1976. Vende-se ou Aluga-se faz alusão direta à atual situação política do Brasil. Nela, Bruscky joga com slogans e símbolos oficiais para desestabilizar o discurso da ordem. O painel é completado por duas frases em que o artista ressalta o caráter libertário da arte.

A octagésima quarta Camisa Educação, O Corte, realizada pela dupla de artistas Alexandre Colchete e Pedro Paulo Rezende, deixa em suspenso o artigo constitucional que garante o direito à Educação enquanto dever de Estado, fazendo uma alusão aos cortes de investimentos promovido pelo Ministério de Educação do atual Governo Federal.

Faça abaixo um comentário sobre este artigo. PARTICIPE!

Comentários (utilize sua conta no Facebook):

Powered by Facebook Comments

Author

ANA MARIA LIMA
Ana Maria Carvalho é jornalista, fotógrafa, especializada em comunicação e psicanalista. Empresária especializada em Arte Contemporânea. Escreve sobre artistas, galerias, feiras e exposições.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *