
“O Brasil na Garrafa”. Quatorze produtores expõem rótulos e garrafas de cachaças produzidas no estado. Foto: Bernardo Cartolano / Casa Firjan.
No mês em que a Firjan SESI completa 80 anos, a Casa Firjan abre suas portas para duas mostras celebrando a cachaça como símbolo nacional, o tempo, a ancestralidade e territórios étnico-raciais
A primeira, “O Brasil na Garrafa”, celebra a cachaça como símbolo da identidade e produção genuinamente brasileira. Realizada pela Firjan SESI e pela Associação dos Produtores de Cachaça do Estado do Rio de Janeiro (Apacerj) – Cachaças do Rio, a exposição, em cartaz até 4 de outubro, ainda celebra o produto industrial fluminense de alto padrão.
Já a segunda, “Arqueiros na espiral do tempo”, é uma mostra coletiva de 39 fotografias inéditas, em cartaz até 20 de setembro. Onze artistas de todo o estado tratam de passado, presente e futuro, ancestralidade, paisagens que fenecem, pessoas que envelhecem, territórios étnico-raciais e símbolos como São Jorge, protetor dos arqueiros.
O Brasil na Garrafa
O soft power e a produção genuinamente brasileira, a representação histórica e cultural e as dimensões simbólicas e industriais da cachaça serão tema da exposição “O Brasil na Garrafa: cachaça – identidade, cultura e tecnologia”. Realizada pela Firjan SESI e pela Associação dos Produtores de Cachaça do Estado do Rio de Janeiro (Apacerj) – Cachaças do Rio, a exposição ainda celebra o produto industrial fluminense de alto padrão.

Obra inédita de Bea Machado. No Samba da Volta, quando os frequentadores dançam ao redor de um altar de santos e cachaça, o samba revela sua essência: uma celebração onde a fé e a festa se misturam. Nessa encruzilhada cultural no Rio, a artista Bea Machado iniciou em 2024 a série Altares, Festas e Fé. A cachaça assume papel místico, canalizando as celebrações terrenas às bençãos de santos, entidades e orixás. Bea tem como foco São Benedito, que no sincretismo é Ossain, orixá das folhas. Sob fitas das Congadas e usando um opaxorô, a imagem é cercada de cura: a espinheira-santa evoca o físico e a arruda limpa o espírito. A cachaça se consagra como elo de identidade e devoção.
Em cartaz até 4 de outubro, “O Brasil na Garrafa” se constrói a partir de um olhar para um símbolo reconhecido internacionalmente que reforça a cultura e a identidade do povo brasileiro. No país do futebol, do carnaval, da biodiversidade da Mata Atlântica, da Amazônia, entre outros tantas manifestações, o destilado mais antigo das Américas migrou de bebida marginalizada para os mercados mais exigentes do mundo.
“Nosso enfoque ao desenvolver a narrativa expográfica foi provocar uma visão da cachaça que transcende a ideia de bebida alcoólica, permitindo a qualquer visitante curioso saber sobre o Brasil, o Rio e, também, sobre como as coisas são produzidas, compreender o mais famoso dos nossos destilados como um patrimônio histórico, material e imaterial”, conta Maria Isabel Oschery, gerente de Conteúdo e Inovação da Casa Firjan.
A exposição é dividida em duas seções. A primeira percorre as dimensões simbólicas da cachaça em sete núcleos: gastronomia e coquetelaria; literatura e música; medicina popular; rituais religiosos e festas; rótulos e cultura visual; tendências atuais do mercado que a consolidam como produto premium; e protagonismo feminino na indústria. Esta seção conta com obras inéditas das artistas Bea Machado, Luisa Macedo e Diana Sandes e depoimentos exclusivos em vídeo de Doya Moreira Costa, Luiz Antonio Simas e Swanne Almeida, além das mulheres produtoras de cachaça premium do estado do Rio de Janeiro Katia Espírito Santo, Luisa Konder e Maria Izabel Couto.
Já a segunda parte da exposição apresenta a dimensão técnica e industrial da cachaça, destacando suas etapas de produção nos alambiques. Um glossário interativo com termos técnicos desafia o visitante a desvendar as peculiaridades desta indústria, enquanto um módulo sensorial convida o visitante para uma imersão que vai além do destilado. Esta seção evidencia ainda o papel do estado do Rio de Janeiro como “território da cachaça de qualidade”, valorizando sua tradição, seus saberes produtivos e sua relevância no cenário nacional.

“Arqueiros na Espiral do Tempo”. Foto de Thanis Parajara para a exposição de fotografias.
Arqueiros na espiral do tempo
Um desafio foi proposto a 11 fotógrafos selecionados pelo Mosaico Rio, edital de Cultura promovido pela Firjan SESI: interpretar o significado do Tempo através de imagens inéditas. E, assim, com câmeras e lentes apontadas para o passado, o presente e o futuro, produziram 39 obras especialmente para a exposição “Arqueiros na espiral do tempo – fotografia brasileira contemporânea”, em cartaz na Casa Firjan até 20 de setembro.
Os artistas participantes são: Alessandro Fracta, Bruno Marchetti, Cristina Froment, Daniel Oliveria, Francisco Valdean, Gabriella Silva, João MM, Rafa Chlum, Renata Xavier, Thaís Valencio e Thanis Parajara. Eles desenvolveram coletivamente o conceito da exposição durante uma semana de imersão na Casa Firjan. A proposta central foi, então, revelar “interpretações distintas sobre o inescapável fenômeno da passagem do tempo”, como explica a curadora da mostra, Marcia Mello.
“Na cultura ocidental, predomina o entendimento do tempo cronológico e histórico, medido de forma precisa em segundos, minutos, horas. A vida se desdobra como uma seta direcionada apenas para o futuro. Já no tempo mítico, valoriza-se o sagrado. A realidade é atualizada em rituais e mitos através de movimentos cíclicos, como uma roda que gira”, completa ela.

Obra “Presente Distópico”, de Renata Xavier, para a exposição “Arqueiros na Espiral do Tempo’.
Serviços
Horários para visitação: Terça a domingo, das 9h às 18h30
Local: Casa Firjan – Rua Guilhermina Guinle, 211, Botafogo – Rio de Janeiro
Entrada gratuita









