Às Quartas – Conexão e paixão

Com Ana Gosling

Imagem criada por IA/GPT

Dia dos namorados à vista e  me pergunto se o amor romântico morreu.

Esforço-me para não parecer antiquada mas está cada vez mais difícil não dar pinta. Nascida na era do mimeógrafo, passei pela máquina eletrônica e pela impressora matricial até chegar na digital. Por experiência, sei: adapto-me a qualquer técnica. Mas não sem espanto.

Desde que a tecnologia se misturou ao ritual amoroso, perdi o bonde da evolução romântica. Primeiro, por medo de conhecer um serial killer em aplicativo de namoro, nunca entrei em nenhum. Segundo, por caretice: “match” por foto e descrição sempre me pareceu “cardápio”.

A esquisita sou eu, claro. Quase impossível encontrar alguém solteiro que não tenha experimentado, ainda que por curiosidade, encontrar um par em aplicativos. Minha esperança analógica me garante o título perpétuo de jurássica.

Nem entro no mérito dos perfis falsos, dos comprometidos travestidos de solteiros, dos interessados em “jobs” fingindo interesse na experiência ou dos candidatos a aboletarem-se em casa alheia, em troca de boa vida. Há encontros reais, relações sinceras, gente para quem os aplicativos funcionam. Não quero generalizar. Quero fofocar sobre as inovações tecnológicas na área.

Como não sou a única neurótica do planeta, há uma plataforma que, como diferencial, reserva à mulher o primeiro gesto. Se der “match” e a mulher não contactar, invalida-se a flechada do cupido. Não aderi mas amigas me indicaram, sabendo dos meus receios.

De lá para cá, vejo de soslaio dinâmicas impensáveis. Li sobre um homem mantendo conversas diárias com a esposa falecida, recriada por uma inteligência artificial a partir das informações deixadas. O luto e o “bola pra frente” engasgados na eternidade da relação imaterial. Li sobre aplicativos em que se namoram pessoas criadas por IA, com personalidade, história, emoções simuladas: compromissos reais em universo virtual.

A tolerância às idiossincrasias parece ter ido para o brejo. Num mundo algoritmado, que espaço sobra para nossas manias e humores?

Anuncia-se, para os próximos dias, uma renovação: a incorporação de IA a aplicativos de relacionamentos para tomar decisões pelo usuário, aumentando a chance de achar-se o par perfeito. Você não precisará estudar perfis nem desperdiçar tempo em aproximações. A IA, alcoviteira, decidirá por você, analisando compatibilidades, filtrando candidatos, sugerindo locais de encontro (e se já é hora de encontrarem-se). Chama-se “dating concierge” o fim da loteria amorosa.

Seria o máximo conforto premiando a máxima preguiça de dedicar-se às interações humanas? Busco não ser preconceituosa. Talvez o amor romântico tenha se reconfigurado, ressignificando o verso de Caetano: “qualquer maneira de amor vale amar”.

Mas, sinestésica, gosto de cheiro, toque, cadência da fala. Continuo na superfície do mundo, adotando métodos antigos de sobrevivência: terapia, dança, escrita artesanal, amigos de carne e osso. Procuro uma prateleira de brechó para exibir meu jeitinho. Não sei se ainda existirá beijo na boca para os analógicos mas tenho fé de rolarem em mercado paralelo, antes de a Matrix subjugar-me em sono eterno.

 

ANA GOSLING

@analugosling

 

 

 

DICAS DA SEMANA:

 

Foto: Divulgação

PAULADA – CRÔNICAS DO ABSURDO COTIDIANO

Os autores Paulo Diniz e Paulo Santos, em parceria, estão lançando o livro “Paulada: Crônicas do Absurdo Cotidiano”. Os dois Paulos foram meus colegas na Oficina Literária Eduardo Affonso e sempre me impressionaram pela criatividade na elaboração dos seus textos e pelas curvas impensáveis por onde passam suas histórias. Já adquiri meu livro, ansiosa para mergulhar na literatura produzida por eles porque é, sempre, imperdível.

Release da editora: “O livro reúne cinquenta histórias expondo a vertigem de existir.  Ambientadas em um bar, em uma rua, em uma mesa de jantar, são histórias que, de repente, descarrilam para o imprevisível, ora cruel, ora engraçado, sempre humano.  Cada narrativa é curta, direta e marcante. Relações frágeis, cidades que engolem gente, solidões que ganham corpo — tudo cabe nessa coletânea onde o real e o insólito se misturam sem pedir permissão.  Mais que um livro de contos e crônicas, “Paulada” é um golpe certeiro na indiferença: provoca, desconcerta e faz o leitor rir até do que não gostaria de admitir.

O livro está em pré-venda! Adquira o seu!

SERVIÇO:

Livro: “Paulada – crônicas do absurdo cotiano”

Autores: Paulo Diniz e Paulo Santos

Editora: Flyve

Pré-venda através do link: www.flyve.com.br/1361/paulada

Valor em pré-venda: R$ 49,90.

Sobre os autores: Em suas definições, Paulo Diniz é joalheiro por ofício, escritor por teimosia e procura poesia onde a cidade racha. Já Paulo Santos é físico de formação, cronista por insistência e escreve sobre o mundo e suas esquisitices.

 

Imagem: Divulgação

GINGERS NO CINEMA

Nem só de escrita é feita a (minha) vida. Há dança também. E aproveito para renovar o convite a todos para prestigiarem o trabalho especial que a professora e doutora Rafaeli Mattos desenvolve junto ao grupo de sapateado que integro com paixão.

O Grupo de Sapateado Gingers (Sapatos Ageless) convida a todos para assistirem ao documentário “AS GINGERS”,  do premiado diretor Pedro Murad, montado a partir de depoimentos com os membros do grupo. Na mesma ocasião, também haverá o lançamento do próximo vídeodança das Gingers.

A exibição será nos dias 26 e 27 de junho, no Novo Cine Jóia, em Copacabana.

Após a sessão do dia 26/06, haverá um bate-papo com o público sobre o processo criativo das obras exibidas.

SERVIÇO: 

GINGERS NO CINEMA

⏩ Documentário AS GINGERS (Exibido em diversos festivais de cinema nacionais e internacionais em 2025 e vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Xerém)

⏩ Novo Vídeodança “Forró com as Gingers”.

Data: 26/06/2026 às 19:30 e 27/06/2026 às 18:30 e 19:30
Local: Novo Cine Jóia (Copacabana)

Endereço: Avenida Nossa Senhora de Copacabana nº 680 – Subsolo, Rio de Janeiro – RJ – (21) 2236-5671

ATENÇÃO: ingressos limitados! Os ingressos só poderão ser adquiridos através do SYMPLA, não sendo vendidos na bilheteria do cinema. Link para compra dos ingressos: https://www.sympla.com.br/evento/gingers-no-cinema—exibicao-do-documentario-as-gingers-e-videodanca/3436405

 

 

 

 

com Chris Herrmann

com Márcio Calixto


com Ana Gosling

com César Manzolillo


com Tanussi Cardoso

com Rose Araújo

Author

Ana Lúcia Gosling se formou em Letras (Português-Literatura) em 1993, pela PUC/RJ. Fixou-se em outra carreira. A identidade literária, contudo, está cravada no coração e o olhar interpretativo, esgarçado pra sempre. Ama oficinas e experimenta aquelas em que o debate lhe acresça não só à escrita mas à alma. Some-se a isso sua necessidade de falar, sangrar e escorrer pelos textos que lê e escreve e isso nos traz aqui. Escreve ficção em seu blog pessoal (anagosling.com) desde março de 2010 e partilha impressões pessoais num blog na Obvious Magazine (http://obviousmag.org/puro_achismo) desde junho de 2015. Seu texto “Não estamos preparados para sermos pais dos nossos pais” já foi lido por mais de 415 mil pessoas e continua a ser compartilhado nas redes sociais. Aqui o foco é falar de Literatura mas sabe-se que os processos de escrita, as poesias e os contos não são coisa de livro mas na vida em si. Vamos falando de “tudo” que aguçar o olhar, então? Toda quarta-feira, no ArteCult, há crônica nova da autora, que integra o projeto AC VERSO & PROSA junto de Tanussi Cardoso (poemas) e César Manzolillo (contos). Redes Sociais: Instagram: @analugosling Facebook: https://www.facebook.com/analugosling/ Twitter: https://twitter.com/gosling_ana

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *