LINK PERDIDO: Uma animação que quebra os clichês

 

Produzida pelos Estúdios Laika, responsável pela criação de diversos longas em stop-motion como “Kubo e as Cordas Magicas” e “Coraline”, em termos técnicos “Link Perdido” mostra como a técnica desse tipo de animação ainda continua evoluindo, e que mesmo sendo um processo longo, que demora anos para ser concluído, o resultado ainda é extremamente satisfatório, criando personagens com a movimentação mais dinâmica e rica em detalhes ao interagir com o ambiente em que estão.

Link Perdido. Animação da Laika Entertainment – Distribuição Disney / BUENA VISTA. Foto: divulgação.

No início, o diretor Chris Butler (ParaNorman) apresenta a história com um enredo repetitivo, o explorador visionário que tenta provar seu valor para outros homens de seu ramo ao buscar algo quase impossível de conseguir, e praticamente o primeiro ato se resume nessa proposta.  Quase não se esforça para criar algo novo para esse enredo, caindo em diversos clichês dentro desse gênero, mas com um pequeno diferencial ao utilizar um subtema de evolução e progresso da humanidade, ao comparar a atitude de sir Lionel Frost (Hugh Jackman) que é descobrir e provar a existências de várias criaturas que se tornaram lendas, com a de lord Piggot-Dunceby (Stephen Fly), que acha as ideias de Lionel ridículas, se recusando a acreditar na evolução do ramo da exploração. Mesmo não sendo o tema principal da história,  serve bem como um pano de fundo que ajuda a movimentar a trama em diversos ponto da jornada do protagonista.

Link Perdido. Animação da Laika Entertainment – Distribuição Disney / BUENA VISTA. Foto: divulgação.

Embora o diretor abuse de vários clichês, sabe trabalhar esse recurso, fazendo-os não cair no óbvio e dando um ritmo que combina com a história apresentada, ritmo que até começa a ganhar mais força quando Link (Zach Galifianakis) é desenvolvido aos poucos, deixando clara sua motivação logo em sua primeira aparição no filme, o que colabora com a sua jornada em busca de seu maior desejo. E junto com Link, as motivações de Lionel são ressaltadas com mais detalhes, que mesmo sendo bem pessoais e orgulhosas, com seu carisma o personagem ganha o público pela sua postura e sinceridade, misturada com o seu cavalheirismo, o que o dá um certo charme.

Link Perdido. Animação da Laika Entertainment – Distribuição Disney / BUENA VISTA. Foto: divulgação.

Toda vez em que o roteiro parece caminhar para o genérico, consegue desviar bem na maioria das vezes, um dos exemplos disto é o romance entre Lionel e Adelina (Zoe Saldana).  O par romântico, outro elemento presente em diversão outras animações, tem tudo para ser apenas mais um arco desnecessário dentro da história, se não fosse a relação “entre tapas e beijos” entre ambos, que tem um desfecho bem satisfatório. Além disso, a utilização de Adelina não se resume apenas nesse arquétipo, ela também se mostra como uma mulher com o objetivo de finalizar um legado de alguém próximo a ela e sendo também a voz da razão de Lionel, o que o faz repensar sobre seus atos dentro da sociedade em que quer participar.

A melhor parte do humor do filme vem de Link, com sua forma literal de entender tudo ao pé da letra, o que é bem dosado e condizente ao personagem, já que é um Pé Grande que vive longe da civilização e que não entende muito a linguagem dos humanos.

Confira o Trailer:

 

 

 

 

O desfecho deixa claro várias coisas que os personagens aprenderam ao longo de sua jornada que, mesmo sendo expositivas, são bem colocadas dentro dos diálogos. Possui também outras surpresas que quebram o final típico que todos esperam, dando ainda um fim bem elaborado aos personagens.

BRUNO MARTUCI

 

 

 

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BRUNO MARTUCI
Colaborador de CINEMA & SÉRIES dos sites ARTECULT.com, The Geeks, Bagulhos Sinistros, entre outros.

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