
Aproveitando que estaria novamente em São Paulo – não percam, em breve, matérias sobre o D.O.M. RESTAURANTE e sobre o BAR DO LUIZ FERNANDES – lá vou eu pra mais um rolê pela maior metrópole das América do Sul e principal polo financeiro e corporativo do Brasil, sempre atrás de novas experiências gastronômicas. Adoro isso! Esse é um programa que faço com prazer – ainda mais que posso dividir com vocês aqui do ARTECULT tudo o que descubro nessas minhas (deliciosas) empreitadas. É sempre a oportunidade de descobrir coisas novas, lugares, sabores.
Dessa vez, aproveitei pequenas brechas no meu cronograma e encaixei visitas em alguns estabelecimentos, bem como numa feira que – por sorte! – estaria ocorrendo na cidade naquele final de semana. Não poderia, portanto, deixar de vir contar aqui pra vocês.
Comecei com o café da manhã em uma tradicional padaria e pâtisserie que serve refeições diárias, sorvete, sanduíches e café em um ambiente descontraído e que existe há 24 anos de funcionamento ininterrupto e é considerada uma das mais famosas da cidade. A BELLA PAULISTA (@padariabellapaulista), inaugurada em 6 de agosto de 2002, foi uma iniciativa de cinco sócios e está localizada na Rua Haddock Lobo, no cruzamento com a Rua Luís Coelho, a um quarteirão da Avenida Paulista. Com uma área total de 1.200 metros quadrados, sendo 300 dedicados ao atendimento.





Com tantos anos de história, essa padaria, que fica aberta 24 horas por dia, todos os dias da semana, virou um verdadeiro ponto de encontro e foi reconhecida no ano passado, pelo Prêmio Paladar 2025, a “Padaria que é a cara de São Paulo”. E eu, como estava hospedado em um Airbnb quase em frente dela, não poderia deixar de conhecer, né? Tornou-se uma parada obrigatória!
Além de um café coado na hora, teve ainda um chocolate gelado e o tradicional pão com requeijão na entrada – o requeijão é passado no miolo (geralmente em formato de “canoinha”) antes de ser colocado na chapa, formando uma crosta caramelizada e crocante.


No final desse primeiro dia, que tal um cachorro quente? Ali pertinho de onde estava encontrei o CACHORRÃO DO CLAUDIÃO (@claudiao.avpaulista), fundado em 1950 em Passo Fundo (RS), que teve seu início como um pequeno armazém. Na década de 1990, a empresa se concentrou nos cachorros-quentes, que se tornaram um fenômeno e hoje é conhecido em todo o país pela famosa crosta de queijo parmesão tostado. O que antes era um sucesso regional do Rio Grande do Sul transformou-se em franquia, expandindo-se pelo país, abrindo unidades de grande movimento em pontos bastante conhecidos, como a Avenida Paulista. E foi lá, no Shopping Center 3 que fui conhecer esse “dogão” turbo prensado…


Pedi um “Cachorrão Turbo Red Hot”, composto de um pão macio no vapor, salsicha especial, molho de tomate, molho cheddar, maionese artesanal, ketchup, mostarda, molho mil ilhas (à base de picles), tomate, milho, ervilha, salsinha, queijo parmesão, batata palha crocante e uma incrível crosta de parmesão gratinado com pimenta Red Hot, o que o tornou picante e crocante na medida certa!

E deu tempo de dar uma passadinha lá no famoso MERCADO MUNICIPAL DE SÃO PAULO (@mercadaospoficial), o “Mercadão“, onde é possível encontrar de verduras, legumes e frutas, passando por carnes, aves, peixes e frutos do mar, a massas, doces, especiarias e produtos importados de primeira linha, tudo isso em um lindo prédio histórico de estilo eclético, que foi projetado pelo engenheiro Felisberto Ranzinie e inaugurado em 25 de janeiro de 1933.




O Mercadão também é famoso pelos seus inúmeros restaurantes, mas os dois pratos mais famosos do local são o sanduíche de mortadela e o pastel de bacalhau, que já experimentei em outras oportunidades. Sobre o famoso sanduíche de mortadela do Mercadão de São Paulo vale dizer que surgiu na década de 1930, sendo inicialmente um lanche rápido e simples para os vendedores da feira. O visual “gigante”, com cerca de 300g a 400g de recheio, surgiu nos anos 1970 quando os comerciantes locais pediram por lanches mais reforçados para aguentar as longas jornadas de trabalho e, de lá pra cá, tornou-se um verdadeiro ícone paulista!

Em um dos estandes encontrei a degustação de um produto interessante – bem gostoso, aliás – o DEMI PANACHÊ (@demipanache), uma bebida refrescante e leve à base de vinho e limão siciliano gaseificado, inspirada na clássica bebida francesa, com graduação alcoólica suave de 1,4% e desenvolvida em parceria com o chef Érick Jacquin e a Família Carra.


Um coisa que não muda, apesar das inúmeras denúncias e promessas de que não mais aconteceria, é o assédio descarado de comerciantes das bancas de frutas, que oferecem para degustação um sem-número de opções exóticas para, ao final, empurrarem ao cliente constrangido, a preço de ouro, algumas poucas gramas em uma bandejinha… Um absurdo, né? As barracas são tão lindas, com produtos maravilhosos, não merecem isso…

E aí fui conhecer o PASTEL DO JUCA (@pasteldojucaa), que teve início como um pequeno empreendimento e transformou-se em uma das redes de pastelarias mais conhecidas da cidade, cuja primeira unidade física foi aberta em 2013 na Avenida Paulista.



Com mais de doze anos de trajetória, a marca ganhou popularidade ao oferecer pastéis tradicionais bem recheados, além do famoso pastel especial de mais de 30 cm. Pra ficar no que é tradicional, pedi um pastel de carne com queijo, uma deliciosa massa de pastel crocante e sequinha, recheado de queijo muçarela e carne moída 100% bovina.



Tivemos tempo pro nosso tradicional passeio pelos bairros da Liberdade e Bom Retiro – afinal, uma visita a Sampa sem essa experiência é algo, pra nós – eu e minha filha – incompleto. Sempre é tempo de fazer umas comprinhas e comer as delícias japonesas e coreanas…








Por fim, antes de retornar ao Rio, ainda deu tempo de conhecer a FEIRA CULTURAL LESTE EUROPEIA (@feiralesteeuropeiasp), que ocorre mensalmente, geralmente aos domingos, na zona leste da Capital – aliás, conforme vi, além dessa eram várias outras feiras acontecendo simultaneamente na cidade. Optei por essa, dentre todas as outras, por ela ser bem diferente, trazendo a oportunidade de imersão em tradições culturais não tão próximas do nosso cotidiano. Esse evento, projeto da AMOVIZA (@amoviza)- Associação dos Moradores e Comerciantes do Bairro de Vila Zelina, vem sendo realizado há quase 14 anos e objetiva a divulgação / perpetuação / sustentabilidade e empreendedorismo do aspecto cultural imigrante forte presente da região de Vila Zelina e adjacências, onde perpetua a herança cultural de 14 comunidades do leste europeu.


E eu fui experimentando um monte de coisas – algumas eu nem sei de qual barraca foi… Mas eram iguarias de diversas origens. Comecei com a KVÁS ou Kvass ou Duonos Gira, que significa literalmente “fermento” nas línguas eslavas e é uma bebida produzida através de fermentação, muito popular na Rússia, Ucrânia e outros países da Europa Oriental. Esse aqui foi elaborado pela GANDRAS (@gandras_kvass).

Depois, comprei uma garrafa de KRUPNIKAS, traduzido do inglês–Krupnik ou Krupnikas, que é uma bebida alcoólica doce tradicional semelhante a um licor, à base de aguardente de cereais e mel, popular na Lituânia e na Polónia.


Depois foi a vez da MILINA, uma tradicional torta folhada búlgara, de massa fina, leve e assada. com diversos tipos de recheio, como escarola com ricota, presunto e queijo, alho poró etc.


Hora de uma passadinha na barraca da Comunidade Russa pra degustar um SHASHLIK, prato típico do Cáucaso e da Cultura Eslava, em regiões da Rússia e do Azerbaijão – Trata-se de um pequeno espetinho de carne, mas, ao qual se podem acrescentar, também, vegetais. Pedi também um ORESCHKI, biscoito tradicional russo em formato de nozes, compostos por duas metades de massa amanteigada unidas por um recheio doce.




Na mesma barraca da Rússia, comprei algo que parecia um rollmops – mas, por falha, não perguntei o nome. Embora o rollmops seja uma iguaria alemã, e não russa, muito popular no Sul do Brasil, pesquisei na internet e vi que, na culinária russa, o prato mais similar e intimamente relacionado ao clássico rollmops é o Selodka (arenque marinado ou salgado) cortado em pedaços. Não sei se foi esse o caso…


Na Comunidade Romena, fomos de MICI, também conhecido como Mititei, um dos pratos mais populares da culinária da Romênia. que consiste em uma espécie de “salsicha” sem pele, grelhada, feita com carne moída muito bem temperada com alho, pimenta, tomilho e páprica.


Mudando de país, hora de experimentar, na barraca da Comunidade Polonesa, o PIEROGI, tipo de pastel cozido muito consumido na Europa Central e de Leste, mais na Polônia e oeste da Ucrânia, onde é chamado Pyrohy.


Teve, ainda, uns biscoitinhos da Comunidade Lituana, o ZAGARELIAI, geralmente doce, mas optei pela versão salgada.


Eles também tinham uns doces expostos, como o varskes ir sokolado pyragas…

E por falar em doces, a barraca da Comunidade Sérvia também era repleto deles…


Ou seja: dava pra fazer muitas viagens pelo mundo do sabor… E o interessante é que, nesse mesmo final de semana em São Paulo, outros eventos do tipo estavam ocorrendo, como um festival alemão – MAIFEST (Festival Alemão do Brooklin) e um outro da cultura asiática. O nosso Rio de Janeiro poderia, vez ou outra, copiar seu vizinho naquilo que realmente vale a pena. Garanto que os cariocas não ficariam bravos com isso…
E assim lá se foi outro rolê pra conta. São Paulo guarda uma infinidade de surpresas que nos instigam, a cada visita, a procurar sempre mais e mais. Esse fervilhante caldeirão cultural me motiva a estar sempre pronto para novas incursões na Paulicéia Desvairada atrás de seus encantos e sabores…
Quem vem comigo?












