
com César Manzolillo

QUANDO O CHÃO ESTENDE A MÃO
O bolso esquerdo da calça de Viriato estava furado, assim como suas expectativas para o fim do mês. A despensa vazia em casa pesava mais que os quilômetros percorridos diariamente para entregar currículos. Naquela tarde cinzenta, um vento frio soprava forte na rua deserta. Entre uma folha seca e um copo de plástico, algo chamou a atenção do homem. Ele curvou-se — a coluna reclamou do esforço — e recolheu no chão um pedaço de papel. Ao desdobrá-lo, o lobo-guará impresso olhou fixamente para Viriato. Aquela nota de R$ 200 não era apenas dinheiro, era a janta daquela noite, o remédio para pressão da esposa e até o chocolate do filho. Apertando a cédula contra o peito, como se ela pudesse voar, Viriato chorou baixinho. O lobo-guará, perdido no concreto da cidade, tinha acabado de iluminar uma vida.
CÉSAR MANZOLILLO

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