
por César Manzolillo

Imagem gerada por IA
POEIRA SOBRE OS DIAS OU O RELÓGIO ADORMECIDO
O despertador tocou às 6 da manhã, mas Jonas não se moveu. Aquele som estridente vinha de outra dimensão, um ruído distante incapaz de romper o casulo maciço construído por ele sob as cobertas. Com um gemido sufocado, esticou os braços e apertou o botão de soneca. Mais dez minutos. Esse era o início de seu ritual de imobilidade. Jonas não odiava o trabalho nem tinha grandes problemas na vida, era apenas governado por uma força invisível e viscosa: o peso do depois. O problema é que o depois dele nunca chegava. O mundo lá fora corria, mudava e exigia atitude, mas Jonas preferia flutuar no limbo da apatia. Quando finalmente se levantou, meio-dia já cobrava seu preço no relógio. Ele então suspirou, se esparramou no sofá e ligou a TV, o esforço de começar algo novo àquela hora era um desperdício de energia. Enquanto a tela brilhava à sua frente, Jonas percebeu, com uma ponta de melancolia, que o tempo era a única coisa que não compartilhava de sua indolência. Este continuava a correr implacável, deixando-o para trás, enterrado vivo na própria comodidade.
CÉSAR MANZOLILLO

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com Márcio Calixto
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