BAR DO LUIZ FERNANDES – ou, simplesmente, BDL: um ícone da botecagem paulistana!

Novamente, estive em São Paulo. Sei que meus conterrâneos cariocas vão reclamar, mas os paulistas estão em um nível acima quando o assunto é a boa gastronomia e não há como negar isso. Tem-se de tudo e para todos os gostos! E dentre a infinidade de opções, não faltam clássicos que encantam e esse é exatamente o caso do BAR DO LUIZ FERNANDES (@bardoluizf), um verdadeiro patrimônio dessa cultura boêmia de rua característica de SampaHá muito tempo, desde que comecei a ir pra lá atrás de aventuras gastronômicas, tenho vontade de conhecer esse famoso boteco,  localizado no bairro do Mandaqui, Zona Norte da capital. Pesquisando na internet, descobri que ele nasceu em 1970 a partir da transformação de um antigo armazém de secos e molhados da família. No site deles,  encontrei um pouco dessa história:

A história do Bar do Luiz começa muito antes do bar e até mesmo do Luiz. Em 1942 o sr. Eduardo Fernandes e sua esposa Idalina (pais do Seu Luiz) tocavam um pequeno empório localizado na Rua Augusto Tolle. “Produtos nacionais e estrangeiros. Não tememos concorrência”, afirmava o calendário exibido nas paredes de seu negócio. Mas a concorrência veio forte e a pequena mercearia foi abalada pela nova onda dos supermercados.

Em 1970 Seu Luiz, sua mãe e sua esposa (ambas chamadas Idalina) mudaram o rumo de seu negócio drasticamente. As portas da vendinha deram lugar a um pequeno bar. Ali já reinava um salgadinho de primeira: o famoso e inigualável bolinho de carne. Todos na região ouviam falar, pegavam para viagem ou consumiam ali mesmo, de pé entre um bate papo e outro. Acompanhado das batidas artesanais ou de um guaraná caçulinha para os pequenos.

No fim da década de 70, aos 12 anos o Eduardo – filho de Seu Luiz e Dona Idalina – já atendia as mesinhas e inovava acrescentando novas opções no balcão de acepipes ou fazendo pequenas reformas no espaço. Aos poucos o bar expandiu, ganhou fôlego no concorrido cenário da botecagem paulistana e acabou se tornando um dos bares mais conceituados da cidade.

Pois bem, fui pra lá.

Depois de estudar o trajeto, peguei o metrô até a estação de metrô de Santana e, de lá, um carro de aplicativo até o Mandaqui, um bairro histórico localizado na Zona Norte de São Paulo, sob a administração da Subprefeitura de Santana/Tucuruvi, famoso por seu caráter majoritariamente residencial, ruas com árvores, existência de áreas verdes e por sediar o renomado Conjunto Hospitalar do Mandaqui.

Lá, no número 610 da Rua Augusto Tolle  encontra-se a matriz desse boteco incrível, capitaneado pelo filho do Seu Luiz e da Dona Idalina, Luiz Eduardo Fernandes, mais conhecido como “Edu”, que mantém a tradição e o cardápio famoso, que hoje já conta com mais de 60 opções. Bastante ativo nas redes sociais, juntamente com suas duas filhas, Carol e Clara, divulga com maestria o lugar. Foi através de suas postagens que tomei conhecimento do bar, o que despertou em mim a vontade de conhecer in loco todos os acepipes, principalmente o mais famoso deles e a principal estrela do cardápio, o lendário bolinho de carne, petisco que surgiu de forma improvisada, frito em uma caixa de tomate vazia e com um fogareiro de 2 kg. A receita original, criada pela Dona Idalina, matriarca da família, conquistou o público de tal forma que virou a marca registrada do bar. E, lógico, foi a primeira coisa que pedi! Ah, e acompanhado da famosa batidinha de maracujá da casa…

 Nossa, realmente o bolinho é surreal! Não tenho palavras pra descrever – tanto que levei pra casa, já que eles disponibilizam o petisco congelado, pra tentar reviver a experiência. Menção honrosa para o “vinagrete” e para a pimenta da casa, que também estavam fantásticos! Não tenho nenhuma ressalva. Comecei essa jornada com o pé direito…
Dei uma olhada no bar, enquanto pedia uma cerveja gelada e o cardápio. Era hora de almoço e, pra variar, o local estava muito cheio, o que parece ser algo comum ali. Afinal, lugar com comida boa nunca fica vazio…
A decoração acompanha o clima do lugar. Nas paredes, inúmeras fotos trazem a história do BDL mais pra perto de todos.
Minha cervejinha chegou, bem gelada. E o cardápio também. Já fui dando uma olhada para escolher, mas a verdade é que dava vontade de experimentar todos! Com certeza, todas as vezes que retornar a São Paulo, uma visita no BDL será obrigatória!
Legal foi ver que, na “camisinha” que envolvia a garrafa de cerveja, estavam descritos todos os petiscos especiais do boteco, com o ano de sua criação. Já deixei essa imagem arquivada e pretendo percorrer, muito em breve, toda a lista…
Pedi um tradicional pastel de camarão,  um “Quarentinha” (2010) – aliche, muçarela ralada, tomate seco, manjericão e miolo de alcachofra na massa de batata – e o  recém criado “Caipira” – massa de milho, carne moída bem temperada e um leve toque de gorgonzola.
Estávamos numa sexta-feira e o prato do dia era a famosa “Vaca Atolada”, com arroz branco, feijão vermelho, polenta cremosa, escarola e o incrível ovo frito do BDL. Aliás, o PF que é servido aqui é de outro mundo – para saber mais sobre ele e ficar sempre de água na boca, basta assistir aos vídeos de degustação postados pelo Edu em suas redes sociais…
O capitão desse barco chamado BDL é um caso à parte. O Edu percorre todas as mesas, interagindo com os clientes, sempre de forma leve e bem humorada. Nesse dia, mesmo com a casa cheia, eu o vi de um lado ao outro, conversando daqui, conversando dali… Ah, vale ressaltar que todos os colaboradores que me atenderam foram bastante solícitos e simpáticos. Realmente, o sucesso de um empreendimento vai muito além dele em si, apenas. Todo um conjunto – a qualidade do serviço ofertado, o treinamento adequado do pessoal, a preocupação constante com a experiência do cliente, dentre outros fatores – tudo isso deve estar em harmonia. E, por essa minha primeira visita ao BAR DO LUIZ FERNANDES, creio que eles atendem, com louvor, a esses requisitos. Fiquei muito bem impressionado!
E, lógico, não iria sair dali sem tirar uma foto com o responsável por todo esse sucesso. Fiquei observando ele ir e vir, de lá pra cá, parando em todas as mesas, até que dei o bote. Não perderia essa chance, né? E ele foi muito simpático, inclusive me dando dicas valiosas sobre como fazer o “vinagrete”.
 A conclusão desse artigo é uma só: o BAR DO LUIZ FERNANDES é, simplesmente, um programa imperdível! Se você estiver passando por São Paulo – ou se mora lá – não pense duas vezes. Sou carioca, mas essa é uma recomendação que faço com enorme prazer. Certamente, irei outras vezes, pois pretendo explorar todo aquele fantástico cardápio.
Me aguarde!

DEL SCHIMMELPFENG

@del.schimmelpfeng

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Author

Del Schimmelpfeng é Analista Judiciário do TJERJ, mas desde que se lembra - e coloca tempo nisso! - ama cozinhar! Apesar de ter feito as faculdades de arquitetura e direito, é se misturando aos pratos, panelas e temperos que se sente inteiro, completo, pleno. É autodidata, nunca fez curso de culinária, tampouco se imaginou um profissional da área. Considera-se apenas um curioso, que procura o conhecimento em tudo e que tenta, de todo jeito, viver da melhor forma possível - apesar de todas as dificuldades. Afinal, não haveria graça se elas não existissem... Participou da seletiva da segunda edição do Masterchef e da décima nona edição do reality "Jogo de Panelas", apresentado por Ana Maria Braga no programa "Mais Você" da Rede Globo, na qual sagrou-se campeão. Possui, ainda, textos publicados em livros de conto e poesia. Blog: http://delschimmelpfeng.blogspot.com Instagram: @del.schimmelpfeng

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