Inquietudes de uma historiadora

Durante toda a História do Brasil houveram momentos de crise em todas as áreas, como: economia, política e social. Mas o que tem se tornado interessante nesse momento em que estamos vivendo é que a rixa entre indivíduos tem aumentado, além de um ódio sobre as cidades e os espaços urbanos, como se as ruas ou os prédios públicos fossem os culpados pelos erros cometidos nas urnas. Brasileiros e brasileiras, eu juro que o patrimônio e a urbe não têm nada a ver com isso. Tudo é consequência da nossa construção histórica.

O Brasil é uma república muito nova se compararmos com os nossos vizinhos. E cá para nós, devemos admitir que eles não são estáveis e nem maduros politicamente mesmo sendo repúblicas há mais tempo. Assim, posso afirmar que temos muitos erros a cometer e muita coisa para corrigir. Acredito ainda ser o nosso pior erro não ter ideia das limitações do poder executivo e da importância do legislativo. Ninguém lembra em quem votou para senador e deputado, mas todos lembram dos candidatos votados para prefeito, governador e presidente. Os eleitores falam destes últimos, como se falassem de amigos que frequentam a sua casa.

Pelo menos aqui no Rio é assim!!! Esse tratamento afetuoso é muito da personalidade do carioca.

Foto: GLAUCON FERNANDES/ELEVEN/ESTADÃO CONTEÚDO

O ex-prefeito já é o Dudu e devo admitir que já apelidei o “mestre” do Dudu de “meu malvado favorito” (Sim! O Dudu foi um Maia boy, foi um “prefeitinho” de uma subprefeitura. Eu lembro. Vocês não?!). O atual prefeito é o Bispo e muitas são as vezes que escuto análises sobre a sua gestão, ou falta dela, como se fosse uma partida de xadrez. Os adversários são muitos, como por exemplo o Carnaval ou a gestão anterior, só que há torcedores para todos os lados. E de onde vem isso?

A explicação que sempre vem a minha cabeça é o fato de o Rio ter sido a capital do país por muitos anos e durante essa época, mesmo na república, não escolhíamos os nossos líderes. E esses homens do poder passavam em suas carruagens ou carros abertos bem perto de nós como se fosse mais um morador (os carros blindados são coisas mais dos políticos do século XXI).

O imperador ou o presidente fazia a escolha dessa pessoa por nós. Se o Brasil não tem prática de uma política consciente eleitoral, o Rio muito menos. Aqui nós já tivemos o privilégio de beijar a mão do imperador. Aqui o Vargas frequentava os cassinos e morava no Catete. Aqui temos o símbolo do Brasil nos abençoando. Então por que se preocupar com o legislativo se o imperador ia vetar qualquer lei que poderia nos prejudicar? Por que se preocupar com o congresso se o mesmo já foi fechado tantas vezes quando fazia coisas que não eram “boas para a sociedade”? Os prefeitos eram escolhidos para fazer obras na cidade, você sabia? Logo se qualquer coisa der errado, vão resolver por nós, o povo.

Depois disso tudo só posso concluir esse texto com a reflexão de que a história está sendo construída diariamente por você, que é um agente dessa construção, e por isso tenho os seguintes pedidos:

  • Vamos pensar em valorizar mais o patrimônio, o meio ambiente e a sociedade.
  • Vamos amar a nossa cidade, a nossa comunidade e as pessoas que convivemos.
  • Vamos tentar conhecer de verdade quem elegemos, pois assim não vamos precisar deixar as nossas casas, a nossa cidade e nem o nosso país.

Priscila Monteiro
Historiadora e Empresária

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priscilamonteiro
Carioca, empreendedora, professora de História e guia de turismo, fui criadora da primeira empresa de Turismo Histórico da cidade do Rio de Janeiro com o intuito de dar aulas a céu aberto. Formada em História pela Universidade Cândido Mendes em 2007, segui um caminho sem volta em apresentar essa cidade que é um verdadeiro museu a céu aberto, onde capítulos dos livros sobre a história do Brasil saltam aos olhos. Da colônia, passando pelo Império e chegando a República, encontramos fragmentos da história de todos os brasileiros Acompanhe os textos desse blog e descubra um outro Rio, um outro Brasil que muitas vezes não nos são apresentados em sala de aula.

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