RIO TEAMA 2019: tudo que aconteceu no primeiro dia do seminário!

Seminário RIO TEAMA 2019 

As imponentes formas do complexo cultural da Cidade das Artes se uniram à singularidade do universo TEA nos dias 02 e 03 de Abril de 2019, abrindo as portas da Grande Sala para a segunda edição do seminário RIO TEAMA, que mais uma vez surpreende positivamente a todos com o alto nível dos temas e seus respectivos palestrantes.

O ARTECULT esteve presente e preparou este super resumo para você de cada palestra deste seminário incrível. 

Neste primeiro artigo apresentaremos as palestras do primeiro dia (02/04). Em breve, publicaremos o segundo artigo com as palestras do segundo dia.

O desenvolvimento de tópicos sobre  Intervenção precoce, ABA (Análise do Comportamento Aplicada), Crendices e lendas sobre o Autismo, Pesquisa em modelo genético do TEA, mini-cérebros e tratamento com Canabidiol ditaram o primeiro dia do congresso.

As boas vindas eram dadas por colaboradores autistas, que apoiavam o evento realizando a aplicação da pulseira que possibilita o acesso às dependências do congresso e a abertura contou com a apresentação do violinista Allyrio Mello.

A apresentação da abertura do evento contou com as engajadas: Adriana Karla Rodrigues, que é atriz, psicoterapeuta e arteterapeuta e com a organizadora Andréa Bussade da A&G Eventos. A primeira dama do município Sylvia Jane Crivella, tal como o advogado, subsecretário da pessoa com deficiência do estado do Rio de Janeiro, Geraldo Nogueira e o Deputado Otávio Leite, secretário de turismo do estado do Rio de Janeiro, parabenizaram a organização do evento e teceram alguns comentários sobre o tema TEA.

Imagens da abertura:

 

Abaixo, comentaremos as apresentações conforme a ordem cronológica:

 

“Comportamentos autísticos: compreendendo os fundamentos, sinais e os sintomas e as modalidades de tratamento”

 

Dr. Paulo Liberalesso – Neuropediatra, Mestre em Neurociências, Doutor em Distúrbios da Comunicação Humana / Otoneurologia.

 

Iniciar as apresentações do dia com o Neuropediatra demonstrou-se uma ótima opção, pois sua apresentação segura foi uma verdadeira aula sobre o tema, passando pela história do TEA, questionamentos do tipo: “o número de casos aumentou?” ou “as crianças estão sendo mais diagnosticadas atualmente?”. Características, métodos, formas de diagnóstico e suas dificuldades, alimentação e percepções táteis.

A relação das falhas das podas neuronais com o autismo e a esquizofrenia provocaram grande reflexão, pois a primeira grande poda neural ocorre na primeira infância, nos três primeiros anos, período em que surgem os sintomas do autismo e a segunda grande poda ocorre durante a adolescência, período este em que a esquizofrenia se manifesta. Outro grande esclarecimento foi o de que “TEA não é Desatenção” explicando que o foco do autista é diferente de uma pessoa neurotípica.

A foco da apresentação passa a ser o tratamento, reforçando a importância da reabilitação comportamental baseada em ABA – Análise comportamental Aplicada, que faz parte do tripé fundamental do tratamento junto à Fonoaudiologia comportamental e a Terapia ocupacional. Foram citados outros métodos complementares como o TEACH – Tratamento e Educação para crianças autistas e com distúrbios correlatos de comunicação e o PECS – Sistema de comunicação através de troca de figuras. Aprofundando o tema ABA foi ressaltada a importância da aplicação de pelo menos 40 horas semanais, o que acaba se transformando em um grande empecilho pois tem longa duração e altíssimo custo. Outro ponto é que o diagnóstico precoce contribui bastante para a evolução do paciente. Também houve um pedido de atenção quanto aos requisitos do ABA.

Resumindo foi uma grande apresentação, dado o domínio do assunto por parte do palestrante, o que facilitou o desenvolvimento e a exposição dos tópicos apresentados.

Imagens desta palestra:

 

“Tratamento baseado em evidências”

Denise Hardt Pires – psicóloga, doutora em Psicologia Clínica pela USP, Mestre em Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) pela PUCCAMP, concluiu sua formação BCBA (Board Certified Behavior Analyst), possui o CMHP (Certificado de Mental Health Professional e RBT (Registro de Behavior Technician), é a coordenadora clínica de pacientes internacionais no NBI (Neurobehavioral Institute), em Weston, Flórida, EUA.  

A apresentação que fechou a primeira metade do dia estava programada para o início do segundo bloco, porém caiu perfeitamente na sequência da apresentação anterior, pois tratava de tema “tratamento”, voltando a citar o ABA, passando pelo TCC – Intervenção cognitivo comportamental  com suas intervenções e estratégias, Regulação Emocional. Os exemplos como uso de cartões para identificação das emoções, Termômetro Emocional onde o paciente pode escolher como ele está se sentindo, como por exemplo Bravo, Frustrado, Ansioso e Feliz.

O tratamento conjunto de ABA e TCC, foi citado demonstrando a relação complementar que existe entre os métodos.

Imagens desta palestra:

 

“As crendices e lendas sobre o Autismo”

Kátia Moritz –  Ph.D. psicóloga formada pela PUC-RJ, também possui licença para os estados da Flórida e UTAH, nos EUA, onde é diretora clínica do Instituto Neurocomportamental (NBI). Possui o “Board Certified” em Psicologia Cognitiva e Comportamental.

Em uma volta de almoço, em momento de maré alcalina, tudo o que o público presente precisava era da palestra da Dra. Kátia Moritz. Ela foi apresentada pela atriz Bel Kutner, que apoia o evento e é mãe do Davi, que além do autismo tem uma síndrome rara e pouco conhecida no país.

Abaixo temos os MITOS mais comuns:

  • Os autistas “vivem em seu mundo”;
  • Os autistas sempre preferem estar sozinhos e não gostam de ter amigos;
  • Os autistas não são carinhosos e não gostam de contato físico;
  • Todo autista tem problema de aprendizagem;
  • A melhora dos sintomas é rara;
  • Os autistas sempre se tornam agressivos;
  • Os autistas não podem ser independente;
  • É melhor ser Asperger do que autista;
  • Autismo não acontece junto com TDAH;
  • Não ocorre mais um caso de autismo na mesma família.
  • Autismo e a consequência de vacinação infantil  

Outros pontos discutidos foram a necessidade do controle emocional dos Pais, por mais difícil que isto possa parecer durante episódios de crise, o treinamento da família e demais pessoas que lidam com os autistas, a não existência de estudos conclusivos associando vacinas aos tipos de autismo e uma opinião bem importante, considerando que a Dra. Katia é uma psicóloga de formação, de que a psicanálise não é indicada para o tratamento do autismo. Ainda teríamos mais Kátia Moritz no segundo dia ao seminário.

Imagens desta palestra:

 

“Genética e Autismo”

Diogo Ventura Lovato –  Biomédico formado pela Escola Paulista de Medicina, com doutorado em Biologia Molecular pela UNIFESP e pós-doutorado pelo Laboratório Nacional de Biociências (CNPEM) em colaboração com o Structural Genomics Consortium da Universidade de Oxford (Inglaterra) e foi pesquisador associado do Structural Genomics Consortium da Universidade de Toronto (Canadá). Tem experiência em estudos funcionais e estruturais de genes e proteínas, e atualmente é Clinical Genomics Variant Scientist da Tismoo, onde desenvolve trabalhos em genômica, genética clínica e modelos genéticos do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

 

As duas próximas apresentações estiveram voltadas para o universo da genética, iniciando com a explicação do processo de mapeamento genético, que serve de insumo para a atividade de aconselhamento genético. Além dos fatores genéticos foram observados outros fatores que podem ser causadores do autismo, principalmente no que diz respeito a exposição materna a compostos químicos, toxinas/poluentes, ingestão de medicamentos como por exemplo ácido valpróico, inibidores de recaptação de serotonina e   outros fatores durante a gestação. Porém os resultados se demonstraram muito inconsistentes com baixo risco absoluto. Em seguida houve a abordagem do método de mapeamento genético utilizado pela Tismoo (startup de biotecnologia), empresa da qual ele faz parte

Imagens desta palestra:

 

“Como os mini-cérebros humanos podem recapitular aspectos funcionais do cérebro em desenvolvimento”

Dra. Graciela Pignatari Ph.D, bióloga com Mestrado e Doutorado em Biologia Molecular pela UNIFESP, é sócia fundadora do startup de biotecnologia TISMOO. e  Alysson Muotri (palestra gravada)

Dr. Alysson Muotri  – Phd-  biólogo, professor da Escola de Medicina da UCSD (Universidade da Califórnia em San Diego), cientista renomado e especializado em células-tronco, responsável pelo laboratório de alta tecnologia nos EUA (Muotri Lab), onde realiza pesquisas com mini-cérebros, com vistas à reversão dos quadros de TEA, ganhador de diversos prêmios internacionais, figura pública nas redes sociais, onde tem cerca de 30.000 seguidores. (Palestra gravada)  

A equipe da TISMOO continuou em ação por meio da Dra. Graciela Pignatari, levando a frente a proposta de medicina personalizada com base no resultado de análise genética, onde foram demonstrados os três produtos ou tipos de investigações realizados pela TISMOO: T-Exon, T-Gen e T-Mut com suas características e contextos de aplicação.

O Dr. Alysson Muotri não pode participar presencialmente do evento, mas disponibilizou um vídeo interessantíssimo sobre o trabalho que vem realizando sobre a reprodução assistida da formação cerebral em laboratório. A cada resultado obtido abre-se uma série de possibilidades para o tratamento do autismo.

Imagens desta palestra:

 

EDUARDO PADILHA

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EDUARDO PADILHA
Eduardo Padilha é pai de Julia, uma linda menina diagnosticada no transtorno do espectro austista (TEA) e como todo pai de uma pessoa que recebe esse diagnóstico vive a montanha russa comportamental desta personalidade singular, nunca deixando de acreditar no potencial de desenvolvimento dela e tendo certeza que a partir de ações concretas pode colaborar para a construção de um mundo melhor para ela. É um dos sócios do "TEAmigo" (instagram.com/portalTEAmigo) e acredita que compartilhando suas experiências e outras informações sobre TEA poderá colaborar com o desenvolvimento de outras famílias de diagnosticados.

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