O EXORCISTA DO PAPA: Russell Crowe faz sua estreia no gênero do terror

 

De inicio, O Exorcista do Papa parece mais um filme genérico de exorcismo, e é exatamente isso que o filme é, que mexe com essa temática que não foge da formula que “O Exorcista” concretizou, a diferença é que esse filme tem um diferencial que consegue manter a atenção do espectador, no caso, o Russell Crowe.

O roteiro desse filme não tem muito o que argumentar, o roteirista apenas pegou os maiores clichês de filmes de exorcismo e jogou na história, e para complementar para criar um diferencial, o roteiro acrescenta elementos de filmes que ajudaram a estruturar os filmes de super-heróis, tanto que os momentos em que o demônio mais se manifesta, é bem extrapolado ao misturar esse formato enaltecedor com os clichês de possessão, e esses exageros continuam até o desfecho, que parece que saiu de um filme ruim da Marvel, cheio de efeitos visuais de baixa qualidade, com um confronto para lá de exagerado, com a intensão de abrir um possível novo universo, explorando a figura do padre Gabriele Amorth (Russell Crowe), que existiu de fato, e dedicou a vida estudando e praticando exorcismo.

O padre Armorth por sua vez, é sem duvidas a melhor coisa do filme, desde a atuação de Russell, que se dedica bastante em sua interpretação, fazendo uma ótima estreia dentro do gênero de terror, o personagem é muito carismático, com um ótimo tom de humor debochado, mas que não perde a seriedade quando o roteiro precisa desse lado mais serio dele, e a sua construção também é ótima, explorando diversos lados do personagem que acabam sendo bem relevantes em sua dedicação em ajudar o garoto que foi possuído, praticando não apenas exorcismos reais, mas também as falsas possessões, tendo também uma boa razão para ele fazer esses falsos exorcismos, revelando que ele é uma figura que mais entendo sobre o tema dentro do Vaticano, a ponto dele se tornar o exorcista chefe do próprio Papa, embora seus métodos sejam mau vistos por outros bispos e cardiais da igreja, e a cada nova informação que é apresentada sobre Amorth, interfere diretamente em suas escolhas ao dar continuidade ao exorcismo principal do filme.

Dentro da família que acaba sendo assombrada pelo demônio, apenas o garoto possuído desperta algum tipo de sentimento positivo no espectador, seja medo ou sustos, algo esperado em um filme de terror, que com a expressão do ator mirim Peter DeSouza-Feighoney, e a voz demoníaca do ator Ralph Ineson, consegue transformar o personagem de forma ameaçador e sobrenatural, diferente da mãe e da irmã do garoto, interpretadas por Alex Essoe e Laurel Marsden (respectivamente) que são bem antipáticas e acaba dando sono no início quando elas são apresentadas, e mesmo quando elas são colocadas como vítimas pelo demônio, o público não liga muito, os melhores momentos mesmo é quando o padre Amorth acaba interferindo, novamente, tudo que é relacionado diretamente ao padre Amorth, consegue sustentar o filme.

Outros personagens secundários apresentados são quase irrelevantes para a trama, o próprio Papa (Franco Nero) que apesar de ter sua participação no filme, ele é completamente inútil para a narrativa, e o padre Esquibel (Daniel Zovatto), que é usado para ajudar Amorth no processo de exorcismo e investigação sobre a origem do demônio, mais atrapalha do que ajuda.

A direção do Julius Avery (Operação Overlord) é bem padrão dentro desse subgênero, mas os momentos de tensão são bons, criando diversas situações simultâneas de preparação onde o demônio pode se manifestar, o que deixa um ótimo suspense sobre quando o mal vai atacar, mas uma ótima oportunidade que é perdida pela direção, é em tratar esse filme no formatoda franquia Pânico, já que em alguns momentos o padre Amorth explica sua visão sobre exorcismo e como o mal age sobre os humanos, que lembra muito a franquia slasher, e poderia ate transformar esse filme no “Pânico sobrenatural”, mas tirando uma única cena em que a direção segue esse formato de ditar as regras básicas de possessão e manifestação, isso é deixado de lado.

De modo resumido, O Exorcista do Papa não tenta reinventar esse subgênero, apenas é usado como pretexto para criar uma possível nova franquia, provavelmente para competir com o “Invoca-verso”, mas para quem não espera nada, apenas mais um filme de exorcismo, não vai se decepcionar, e pode até se surpreender com a ótima participação de Russell Crowe, que mesmo com a qualidade baixa da história, ele se mante confiante, se tornando um dos poucos pontos positivos do filme.

NOTA: 5

BRUNO MARTUCI

 

 

 

 

 


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Colaborador de Teatro Musical e CINEMA & SÉRIES dos sites ARTECULT.com, The Geeks, Bagulhos Sinistros, entre outros.

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