Barulho de Cachoeira: Ibis Libris Editora lança romance de Dirce de Assis Cavalcanti, na Livraria da Travessa Ipanema, no próximo dia 24 (quinta)

Fotos: Júlio Pereira

Evento faz parte das comemorações dos 22 anos da editora que traz um catálogo de autores e estilos diversos, sob o comando da escritora e editora Thereza Christina Rocque da Motta.

 

Dirce de Assis Cavalcanti lança seu romance “Barulho de cachoeira“, que apresenta um ‘monólogo interior entre a autora e o seu mundo, vivido e sentido, sem a intervenção da autora, através de explanações e comentários alienados da pura narrativa’, segundo Cláudio Murilo Leal, Presidente da Academia Carioca de Letras (RJ).

Barulho de Cachoeira” será lançado no próximo dia 24 de março (quinta-feira), com a presença da autora, na Livraria da Travessa de Ipanema, e faz parte das comemorações dos 22 anos da Ibis Libris, que traz em seu catálogo os melhores títulos, autores e estilos, nacionais e internacionais, e a confirmação de que a literatura é uma arte que não tem idade, diversa, e que está sempre presente em nossas vivências.

Convite do lannçamento de “Barulho de cachoeira”de Dirce A. Cavalcanti. 24-03 a partir das 19h na Livraria da Travessa.

 

Sobre a autora Dirce de Assis

Dirce de Assis Cavalcanti

Dirce de Assis Cavalcanti nasceu em Castro, Paraná, onde seu pai, Dilermando de Assis, era, na época, Comandante Militar. É autora, em poesia, de Instantâneos (Achiamé, 1983), Kawabata e eu & Penúltimos poemas (2005), O livro dos mistérios (2006), A pele das palavras (2008), As linhas do vento (2010) e Canto liso (2013), pela 7Letras, e Em carne viva (2013), Dia a dia (2016) e Fragilidades (2018), pela Ibis Libris. Em prosa, publicou O Pai (Casa Maria, 1990 e Ateliê Editorial, 1998, tendo sido impressa a 6ª edição em 2013), O Velho Chico ou A vida é amável (1998), Histórias de banheiro (2010), pela Ateliê Editorial, e De morte e outras histórias (2015) e A China: Ecos de uma viagem (2017), pela Ibis Libris. Foi eleita, por unanimidade, para a Academia Carioca de Letras, em 2016. É casada com Geraldo de Holanda Cavalcanti, escritor e tradutor, ex-presidente da ABL.

 

Imagens do lançamento do livro “Em Carne Viva” da autora em 10/04/2013:

 

Depoimento de Cláudio Murilo Leal, Presidente da Academia Carioca de Letras (RJ) sobre “Barulho de cachoeira”, de Dirce de Assis Cavalcanti:

Cláudio Murilo Leal. Foto: Reprodução

“Trata-se de um ‘romance’ muito pessoal e original, sem a autora apareça claramente como a narradora. Isso acontece na chamada técnica reconhecida como “stream of consciousness”, em que a autora, com grande originalidade e habilidade, aplicou. Nada de narrar os acontecimentos do lado de fora da urdidura da ação (pensadas, presentes ou passadas), com os chatíssimos “ele disse”, ou – travessões – ele falou. E, sim, um monólogo interior entre Dirce e o seu mundo, vivido e sentido, sem a intervenção da autora, através de explanações e comentários alienados da pura narrativa. Não li, em outros livros, nada de tão bem escrito, diferente e comovente, apesar de ter lido “Ulysses”, de James Joyce, principalmente, o final com o monólogo da personagem Molly, entrecortado de yes… yes… yes. Li Virginia Woolf, William Faulkner e descubro um monólogo interior no final do livro de Carlos Fuente, “La muerte de Artemio Cruz”, que poucos se deram conta do personagem morrendo e pensando. Nosso Adelino Magalhães é considerado o “inventor” deste fluxo de consciência, que, dizem, foi inventado por Edouard Dujardin em seu livro “Les lauriers sont coupées”, de 1887, que também li várias vezes. Mas “Barulho de cachoeira” é único, e deve ficar como um marco especial na nossa literatura brasileira.

Depoimento de Marco Lucchesi, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras até 2022 sobre seu livro de poemas “Em carne viva”, de 2013 que está na 1ª orelha de “Barulho de cachoeira”:

Marco Americo Lucchesi. Foto: Reprodução.

“Seu livro é de uma delicadeza e de uma liberdade raras. Sapientia cordis, mas em sentido lato. Uma clara e sutil melodia aproxima os poemas. É, sobretudo, música interior. Do sentimento pensado, ou de uma razão emocionada. Atenta, muito embora, longe de formas descomedidas. Um lirismo que não se perde em metáforas de repertório. Além de uma solidão luminosa do eu-lírico, tão necessária no ato mesmo da poesia”.

 

 

Trecho do texto de contracapa de Thereza Christina Rocque da Motta

Thereza Christina Rocque da Motta. Editora da Ibis Libris Editora e colunista ArteCult. foto: Divulgação.

A memória é o subterfúgio da existência. Somos aquilo que lembramos. O diálogo interior cria um exercício de nos lembrarmos de nós mesmos, onde estivemos, aonde fomos, o que fizemos, o que deixamos para trás, cascas de uma antiga vida que abandonamos. Somos os que trouxemos por todas as portas que atravessamos. A cada manhã, temos mais uma chance de viver o que ainda não foi vivido. Mesmo que apenas em pensamento. Escrever traça um arco de possibilidades. Determinamos um ponto de partida e deixamos fluir tudo o que nos vem à cabeça. Como a água da cachoeira que escorre pelas pedras e cai de uma altura impensável, precipitando-se antes mesmo de concluir sua frase. Dirce de Assis Cavalcanti surpreende pela fluidez com que expressa suas ideias para decifrar o que está à sua volta. Não é ela quem determina seu destino, mas ela o vive, apesar disso. É preciso aceitar o imponderável. Como água que desliza para seu salto fatal. E, produz, no tumulto de ideias, um inconfundível barulho de cachoeira.

 

Trecho do romance “Barulho de cachoeira”, de Dirce de Assis Cavalcanti

A mãe viajava muito. A trabalho. E não sabia cozinhar. Quando voltava das longas viagens, trazia brinquedos diferentes, grandes bebês de camisolas bordadas, quase humanos. Sempre gêmeos. Para não haver brigas, o meu e o teu: iguais. Como os vestidos para as meninas, os presentes também tinham que ser perfeitamente iguais, assim nem um, nem outro poderia ser melhor. Ou diferente. Ou mais bonito. E, para o menino, trens elétricos que ocupavam toda a sala, de parede a parede, descarrilando nas curvas, impedindo a passagem e o funcionamento do aspirador. A empregada, aborrecida, resmungava, se queixando. O trem ficava sempre armado na sala, atrapalhando a limpeza. E a passagem.

Na parede de cor creme, Ela projetava diapositivos, fotos tiradas nas viagens. Mostrava cidades estranhas, paisagens diferentes, brancas de neve. Fotos dela rindo para o fotógrafo desconhecido, oculto por trás da câmara. E cartões postais de quadros antigos, obras de arte de museus estrangeiros.

Os meninos vizinhos vinham ver também. Sentavam-se no chão de pernas cruzadas e ficavam olhando para as imagens de luz que surgiam amareladas, projetadas na parede creme, parecendo também fotos antigas. Os meninos ficavam rindo quando aparecia um quadro de mulher nua, ou uma estátua de homem sem cueca. Os sexos das estátuas se insinuavam sob uma folha de parreira, feita de gesso: pudicícias do Vaticano. Folhinhas de gesso ocultavam o sexo perigoso das estátuas. Para despi-las, para tirar as folhinhas, só à picareta. E eles riam desabusados, com cara de safados, às vezes, escondendo o riso atrás das folhas das mãos. Como se a mão fosse também folha de cinco pontas escondendo as safadices. As ideias e os pensamentos safados. As picaretagens dos meninos.

 

SERVIÇO

Lançamento do livro ‘Barulho de Cachoeira” de Dirce de Assis Cavalcanti

 

Ficha técnica / Serviço

 

 

 

 

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