“E eu nunca tive… aquela coisa que eu sou: sorte boa.”

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Daniele Barros ganhou o Prêmio Shell de Teatro 2012 por sua atuação em Estamira   /  foto: Felipe Araújo Lima

Sem dúvida NENHUMA, é uma das melhores peças que já assisti na vida! E olha que eu já vi muita peça nessa vida, viu?!

Quem assistiu ao documentário Estamira, do diretor Marcos Prado, sabe. Se você não viu, sempre é tempo! Se você der um Google, vai achar várias coisas. Desde sinopse, trechos, até artigos científicos sobre ela e sobre o filme.

Há tempos não vemos uma lucidez tão genial na loucura. Estamira é fluxo intenso. É pura potência em ato! Que alegria relembrar que existiu Estamira entre nós. Que ainda há e sempre haverá Estamira. Como ela mesma disse: Eu sou a beira do mundo. Eu estou aqui, eu estou lá, eu estou em tudo quanto é lugar. Eu sou a beira”. Então, fazer uma peça livre-inspirada em uma das mais maravilhosas obras do cinema brasileiro para o teatro, já é um projeto pra lá de ousado.

E elas conseguiram! Beatriz Sayad e Daniele Barros são as responsáveis pelo texto. A primeira ainda assina a direção e a segunda, a maravilhosa atuação ganhadora do Premio Shell 2012!  Sim! A peça estreou em 2011 no Rio de Janeiro, já passou por viagens, pausas e agora está em cartaz novamente na cidade maravilhosa.

Consegui não comparar filme e teatro, e que lindo quando isso acontece. Não há, na peça, a pretensão em “dar conta do filme” ou algo assim. Estamira é única ao mesmo tempo em que é tudo. Mas Daniele Barros consegue fazer a sua versão de Estamira, o seu equivalente-Estamira. A Estamira que lhe atravessa e que lhe cabe e, por isso, a atriz transborda!

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A catadora Estamira, cuja história inspirou o espetáculo: loucura e lucidez da vida real

Para além da experiência real da atriz que acompanhava a mãe em hospitais psiquiátricos por conta de sua doença, Daniele Barros pinta sua atuação com um humor e presença tão puras, digna de sua brilhante trajetória clownesca. Dá pra ver que ali há muito coração. Mas há também muito preparo, principalmente vocal, para atingir as diversas nuances e estados que o espetáculo propõe, e… Trabalho!

Que gosto de ver uma atriz inteira na força e na sutileza. Daniele Barros é uma paixão alegre vivendo, em cena, a mulher louca lúcida p(r)o(f)ética! que trabalhou e viveu no aterro sanitário do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias (RJ), dona de uma percepção contundente e arrasadora sobre a vida, sobre deus, sobre homens, sobre a verdade. Delírio e sabedoria como essencialmente são: coexistentes.

E quando há esses momentos de graça no teatro, ah…! Que deleite, que força que nos dá em experienciar junto e, depois, sair por aí respirando, existindo recheados de pequenas partículas de devir-Estamira, de verdade-Estamira, que grudaram em nós!

 

Onde? Como? Quando? Quanto? Que horas?

Teatro Ziembinski – Rua Heitor Beltrão , sem número – Tijuca

Temporada até 29 de julho.

Quartas e quintas, 19h00; Sextas, 20h00. R$ 30. 60 min. Classificação: 14 anos.

https://www.facebook.com/estamirabeiradomundo

 

 

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Barbara Mazzola
Formada em teatro e em psicologia, Bárbara Mazzola iniciou sua carreira artística no teatro amador com a Cia. Teatral Olhos de Dentro, no espetáculo Ensaio sobre a Vida sob a direção de Nina Mancim. Também trabalhou com o diretor Zédú Neves, quando integrou o elenco da peça O Vizinho, de Ricardo Leite. Durante sua formação profissional, estudou com diversos nomes do cenário paulistano das áreas de teatro, dança e cinema, como Dagoberto Feliz, Pedro Pires, Marina Caron, Luciana Canton, Samir Yazbek, Vivien Buckup, José Eduardo Belmonte, entre outros. Estudou e trabalhou na Escola Nômade de Filosofia, realizando diversos cursos de filosofia com Luiz Fuganti. Foi integrante do Grupo Redimunho de Investigação Teatral, sob a direção de Rudifran Pompeu. Trabalhou também na equipe de produção e administração do Ágora Teatro, presidido por Celso Frateschi. Atualmente, mora no Rio de Janeiro e se prepara para cursar Mestrado em Artes Cênicas.
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