Paulo Scott: Autor gaúcho de Ainda orangotangos é o convidado desta semana do AC Encontros Literários

 

Autor premiado, escreve contos, romances e poemas. Paulo Scott conversa com a gente no AC Encontros Literários. Confira a entrevista exclusiva:

 

ArteCult: Como a Literatura entrou na sua vida?

Paulo Scott: Minha mãe lendo histórias infantis para mim e para meu irmão.

 

AC: Você escreve romance, conto e poesia. Tem preferência por algum gênero específico?

PS: Não faço distinção entre gêneros. Escrever é escrever, é parte de algo muito maior que é o meu processo de leitura: a jornada de aprendizado da linguagem, das outras pessoas, do mundo.

 

Meu mundo versus Marta, de Paulo Scott e Rafael Sica. Foto: Divulgação.

AC: Meu mundo versus Marta, que você escreveu com Rafael Sica, pode ser definido como uma graphic novel sobre amor e solidão. O que mais se pode dizer a respeito dessa obra?

PS: Quando sentei para escrever essa história especialmente para o Rafael Sica, pensei em contar algo sobre a extinção, sobre a possibilidade permanente do fim, sobre a iminência da destruição. Marta é a morte, é o Marte, a máquina da morte – e mesmo estando presente, explícita, para atenuar a violência do homem contra o homem, não é suficiente para assegurar uma solução política e social menos opressora. Como é uma história aberta, cada leitora, cada leitor assumirá, com suas inteligências, os próprios desdobramentos e racionalidades da narrativa. Por isso, MMXM (mesmo se posicionando de modo oblíquo contra o totalitarismo) é uma obra única, sem paralelos.

 

AC: Você é detentor de diversos prêmios importantes (Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional e APCA, entre outros). Em que medida esse reconhecimento por parte da crítica ajuda na conquista de leitores?

PS: Premiações são boas para as casualidades do mercado, não são réguas do que tem ou não valor. É o que posso dizer.

Ainda orangotangos, filme dirigido por Gustavo Spolidoro. é baseado no livro de contos homônimo de Paulo Scott. Foto: Reprodução internet.

AC: Seu livro de contos Ainda orangotangos foi adaptado para o cinema. Você interferiu, de alguma maneira, nesse processo? O que achou do resultado?

PS: Não interferi (houve um diálogo, dentro de uma cena específica, que pedi para suprimirem, e só). Acho que é uma leitura genial das personagens do livro, do seu desespero, das suas esperanças. Gustavo Spolidoro e sua equipe fizeram um trabalho excepcional.

 

AC: Em 2008, seu romance Ithaca Road, que faz parte do projeto Amores Expressos, o levou até Sydney, na Austrália. Como foi essa experiência?

PS: Por um mês inteiro aprendi a ser fantasma e apenas observar. Vaguei por Sydney sem falar com ninguém por um mês inteiro. Foi mágico e aterrador me invisibilizar da forma como acabei me invisibilizando.

 

O romance Habitante irreal, de Paulo Scott. Foto: Divulgação.

 

AC: Em 2021, seu romance Habitante irreal está completando 10 anos. De que trata a obra?

PS: É um romance sobre a indiferença, a naturalização da indiferença, essa doença coletiva que faz de todos nós brasileiros participantes de um dos países mais desiguais e violentos do mundo, cúmplices de um modelo civilizatório muito perverso. Em outra chave, é o romance sobre o fracasso da minha geração. Uma geração inflacionada de pretensões, que, sob alguns aspectos, entregou para a geração seguinte um país tão ruim quanto o que recebeu.

 

AC: Inspiração ou transpiração: o que vale mais no fazer literário?

PS: Transpiração.

 

AC: Um livro marcante? E um escritor marcante?

PS: Vidas secas. Lima Barreto.

 

O romance Ithaca road, de Paulo Scott. Foto: Divulgação.

AC: Projetos futuros: o que vem por aí nos próximos meses?

PS: Um livro sobre antifascismo.

 

AC: Como lida com o fantasma da página em branco? Isso acontece com você?

PS: Com leitura.

 

AC: Entre os seguidores do canal Literatura do portal ArteCult, muitos são aqueles que escrevem ou que desejam escrever. Que conselho ou dica poderia dar a eles?

PS: Leia de tudo, não tenha preconceitos, não tenha arrogância, tente descobrir a sua própria fórmula de leitura criativa (não acredite em escrita criativa, acredite em leitura criativa) e tente suportar, com maturidade, a solidão que leva a essa fórmula, a essa condição.

 

Confira também o longa-metragem Ainda orangotangos (verifique a classificação indicativa, o vídeo tem restrição de idade): https://www.youtube.com/watch?v=Gi8UJ4dx2Pk

 

Até a próxima!

César Manzolillo – Colunista do canal LITERATURA

 

 

 

 

 

 

ATENÇÃO: Não perca a live com o escritor Paulo Scott :

Clique abaixo para ler as demais entrevistas exclusivas do projeto !

Não deixe de ver também :


LIVES
AC Encontros Literários
  !

 

Faça abaixo um comentário sobre este artigo. PARTICIPE!

Comentários (utilize sua conta no Facebook):

Powered by Facebook Comments

Author

César Manzolillo
Carioca, licenciado em Letras (Português – Literaturas) pela UFRJ, mestre e doutor em Língua Portuguesa pela mesma instituição, com pós-doutorado em Língua Portuguesa pela USP. Participante de vinte e quatro antologias literárias. Autor do livro de contos A angústia e outros presságios funestos (Prêmio Wander Piroli, UBE-RJ). Professor de oficinas de Escrita Criativa. Revisor de textos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *