
Coluna de Márcio Calixto

Uma crônica ao seu aniversário, Thais
Pensei que fosse escrever um tipo de crônica somente aos meus irmãos e alguns amigos mais próximos. Meio que percebi ter ganhado uma irmã nova, que veio principalmente consagrar-se agora como irmã, algo que eu deveria ter feito, melhor, termos feito, quando nos encontramos no Natal lá em casa. Resgato as palavras de seu irmão, quando disse que você esteve lá em casa no Natal, ele disse estar órfão mesmo, saudoso de ter mãe, e disse que há bastante espaço em nossos corações.
Em seu aniversário, eu abracei seu irmão como irmão. Pelo silogismo amoroso, tenho, melhor, temos de estender esse grampo sentimental a você. Deveria ter explicitado há mais tempo, é o que o farei agora. O que faremos. Sei que, de alguma maneira, muitos tinham uma resistência a mim. Sei que tinha mais intimidade com meu irmão e sua esposa, acredito que por uma questão de idade. Imagino a barra que agora passa para criar duas espoletas. De alguma forma, com o tempo, com a idade, os desafios vão aparecendo, vão brotando e se conclamando. Quando vemos, há tanto a se resolver que parece não darmos mais conta. Mas damos. Daremos. Coloco essa crônica como uma forma de estender a mão, de me mostrar mais presente, de te trazer acolhimento.
Preciso contar, eu particularmente tenho outras duas irmãs, que não são irmãs de meus irmãos. Trago-a para esse mesmo grupo, não deixando, claro, de somar aos meus irmãos também, como parte primordial dessa visão que se firma. Sei que minha mãe não irá se opor a essa união. Pelo menos, não haverá a necessidade de mudar nome, tudo já está nos conformes desse processo. O que temos de fazer é gerar fotos, experiências, fazer o que nossas filhas já fazem e vejo como um erro de nossa parte não termos feito antes. Já conhece bem minha esposa, sabe o quanto ela é uma boa pessoa gregária, capaz de potencializar esse acolhimento. Acredito que minha mãe tenha, aí, leve resistência. Com o tempo, cede, sei que se falam quase com algum cotidiano, que trocam gifs de bom dia e de bênção religiosa. Ela faz o mesmo comigo. Só esqueço de responder e, quando respondo, eu imito a voz do Lula, para deixá-la nervosa. Ela já o fica, por eu ser Lulista.
Espero que a caminhada que fará agora a partir de seus 42 anos venha no caminho de algumas certezas. Farei 47 e não domo todas. É impossível ser dono de certezas nesse momento. Pode-se ter algumas, todas nunca. Acredito que pessoas que tenham certezas nesse momento se encheram de velhice e não consigam viver plenamente. Apenas envelhecer plenamente. Não vamos envelhecer plenamente. Não é hora.
Feliz aniversário, irmã. Seja bem-vinda.
MÁRCIO CALIXTO
Professor e Escritor

Márcio Calixto | Foto: Divulgação


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