RIOGASTRONOMIA: venha comigo – mais uma vez! – passear pelo maior festival gastronômico do Brasil

 

Mais uma vez fui incumbido de fazer a cobertura, aqui para o ARTECULT, desse que é o maior festival gastronômico do Brasil, o RIOGASTRONOMIA que, em sua 16ª edição, trará “dias de sabores inesquecíveis, grandes chefs, restaurantes premiados, shows e experiências para toda a família.” Desde 2018, ao cobrir minha primeira edição, ainda de forma tímida, quando ainda era no Pier Mauá (“IMPRESSÕES DE UM SIMPLES MORTAL PASSEANDO PELO PARAÍSO“), passando pela edição de 2021 (“RIOGASTRONOMIA: Impressões de um simples mortal passeando (novamente) pelo paraíso“) e a de 2025 (“RIOGASTRONOMIA edição 2025: 15 ANOS DO MAIOR FESTIVAL DE GASTRONOMIA DO BRASIL!“), ambas já no Jockey Club, retorno àquele que chamei de “parque de diversões” pra saber as novidades e experimentar os (novos) sabores.

Desde que iniciei minha trajetória aqui no ARTECULT e travei meu primeiro contato com o festival – aquele foi, simplesmente, meu segundo artigo dos cento e dezenove que já escrevi! – muita coisa aconteceu e muita experiência na área da gastronomia adquiri e hoje curto muito mais um evento dessa natureza. Queria, sim, era poder ir todos dias de evento e ter “espaço” pra experimentar tudo que a gente encontra por lá. Aí sim! Mas, na impossibilidade, me limito a dar um panorama geral, algumas sugestões e, principalmente, incentivar a que todos possam vivenciar, de alguma forma, o RIOGASTRONOMIA.

Mais uma vez atravessei o túnel pra entrar numa outra dimensão…

Logo na entrada, é oferecido um copo com uma alça, que facilita seu transporte. Uma alternativa bem legal pra quem não quer beber direto na lata ou não gosta dos copos de plástico oferecidos.

Além de estampar o copo, a marca Coca-Cola também disponibilizou, também logo ali na entrada, degustação do seu novo lançamento. E, lógico, não fiquei de fora e experimentei esse novo sabor…

A Coca-Cola amplia sua aposta no segmento de bebidas sem açúcar com uma versão que acrescenta uma característica particular à fórmula: a ausência de cafeína. Batizada de Coca-Cola Triple Z, a novidade reúne três atributos — zero açúcar, zero calorias e zero cafeína — e chega ao mercado brasileiro como uma alternativa voltada especialmente a consumidores que desejam evitar estimulantes em determinados momentos do dia. A proposta ganha relevância sobretudo no período noturno, quando o consumo de cafeína pode ser uma preocupação para pessoas que procuram reduzir sua ingestão antes de dormir. Lançada inicialmente em mercados europeus, a bebida passa a integrar a oferta da marca no Brasil a partir de setembro de 2026, acompanhando um movimento da indústria de bebidas que procura responder à crescente procura por produtos alinhados a hábitos de consumo mais específicos. Do ponto de vista sensorial, a Triple Z mantém a identidade associada à Coca-Cola Zero, embora a retirada da cafeína possa proporcionar uma percepção gustativa ligeiramente diferente, especialmente no final da degustação, com um retrogosto de adoçante que pode remeter a características encontradas em versões anteriores da Coca-Cola Light. A novidade também ilustra como grandes marcas vêm reformulando produtos tradicionais para atender diferentes ocasiões de consumo, inclusive aquelas em que o consumidor prefere abrir mão de estimulantes. É importante, entretanto, diferenciar a ausência de açúcar, calorias e cafeína de uma eventual classificação da bebida como saudável ou funcional: a composição continua incluindo ingredientes característicos de refrigerantes, como edulcorantes, aditivos e corante caramelo. Assim, mais do que uma mudança radical na categoria, a Coca-Cola Triple Z representa uma adaptação do refrigerante clássico a um público interessado em controlar especificamente a ingestão de cafeína sem necessariamente abandonar o sabor e a experiência de consumo associados à marca.

Vamos caminhar, porque temos muita coisa ainda pra ver aqui…

Dei de cara com um stand do reality “CHEF DE ALTO NÍVEL” da TV Globo – que, diga-se de passagem, já me inscrevi uma vez, mas não fui chamado. E, certamente, quis visitar pra ter um pouco de alguns “eflúvios sobrenaturais”… Quem sabe, da próxima vez eu tenha mais sorte?

Pois é, o evento ainda estava no começo e já tinha muita gente andando  atrás das novidades. Achei interessante que, neste ano, o acesso se faz por uma tenda enorme, direto na Feira dos Produtores e no auditório SESC-SENAC.

Andando pelo evento, encontrei com o chefe de cozinha e embaixador do evento há cerca de seis edições PEDRO BENOLIEL (@pedro) e me apressei, por certo, em registrar o momento – mais um pra minha coleção!

Uma “brincadeira” que a maioria das pessoas curte – e as meninas lá em casa também – é circular pelo espaço atrás de brindes. E são muitos esse ano… Por certo, isso gera algumas filas gigantescas. Mas elas sempre conseguem alguma coisa…

Minha primeira parada foi na CASA 201 (@201.casa) pra experimentar o croquete de pastrami. Nesse meu primeiro contato com a casa, já que eu não a conhecia, acho que vale contar alguma coisa sobre ela, né? Principalmente, porque eu adorei o croquete!

E eu li que, em meio ao cenário arborizado do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, a CASA 201 propõe uma experiência gastronômica que combina intimidade, técnica e criatividade. O restaurante ocupa um antigo imóvel da Rua Lopes Quintas, número 201, que permaneceu fechado durante aproximadamente dez anos e que, antes disso, já havia abrigado uma residência e uma galeria de arte. O espaço ganhou uma nova identidade pelas mãos do chef e ex-jogador de basquete João Paulo Frankenfeld, profissional com formação no Instituto Paul Bocuse e passagem como instrutor pelo Le Cordon Bleu. Sob sua condução, a antiga casa transformou-se em um endereço de atmosfera quase secreta, inspirado no conceito speakeasy: a entrada depende de uma campainha e a proposta é fazer com que o visitante atravesse a porta como quem chega à casa de alguém próximo, deixando para trás a formalidade dos restaurantes convencionais. A capacidade reduzida reforça esse caráter exclusivo, com atendimento para um grupo limitado de clientes a cada noite, sempre mediante reserva. Na cozinha, a experiência se desenvolve a partir de um menu degustação autoral, no qual fundamentos e técnicas da gastronomia francesa dialogam com ingredientes brasileiros, permitindo ao chef explorar diferentes texturas, aromas e sabores ao longo da sequência de pratos. Mais do que um restaurante, a CASA 201 funciona como um espaço de experimentação culinária, em que o ambiente, o serviço e a criação gastronômica fazem parte de uma mesma narrativa. O reconhecimento dessa proposta veio em maio de 2025, quando o estabelecimento passou a integrar o seleto grupo de restaurantes contemplados com uma estrela pelo Guia Michelin, consolidando sua presença no panorama da alta gastronomia carioca.

Acho que comecei com o pé direito, já que o croquete estava fantástico!

Mais do que reunir chefs, restaurantes e diferentes expressões da culinária, o RIOGASTRONOMIA 2026 transformou o Jockey Club Brasileiro em um grande espaço de interação com o público. A edição contou com a presença de mais de 35 marcas parceiras, que ocuparam o evento com propostas que combinaram comida, bebidas, entretenimento, tecnologia e ações voltadas à experiência dos visitantes. Entre as iniciativas que chamaram atenção esteve a participação da CLARO (@clarobrasil) , que apostou em uma atração interativa acompanhada de espaço para registros fotográficos. A FRESCATTO (@frescatto) levou ao festival produtos associados aos universos de Turma da Mônica e Chico Bento, enquanto a Chandon criou uma estrutura de dois pavimentos para receber o público. Já a PREZUNIC  (@prezunicoficial) apresentou uma versão especial do Espaço Unic, ampliando a presença da marca dentro da programação. Outras empresas também desenvolveram ambientes próprios para aproximar seus produtos dos frequentadores, como MATURATTA FRIBOI (@maturattabrasil), SEARA GOURMET (@searagourmet), RIOTUR (@riotur.rio) e 3 CORAÇÕES (@3coracoes). As ações incluíram desde degustações e apresentações musicais até lançamentos, atividades interativas e propostas gastronômicas elaboradas especialmente para o festival. A participação institucional também teve espaço na programação, com o Governo do Estado do Rio de Janeiro à frente da Feira de Produtores e de iniciativas destinadas a ampliar a acessibilidade durante o evento. Dessa maneira, o RIOGASTRONOMIA reafirmou seu caráter de plataforma que vai além da alimentação, reunindo gastronomia, cultura, marcas e experiências em um mesmo ambiente.

Apesar da fila, consegui meu brinde…

Minha próxima parada foi no ELENINHA (@eleninhahorto) pra provar o Tempurá de Milho, o prato RG – sim, todos os stands dos estabelecimentos possuem um prato desenvolvido especialmente para o evento, com preço tabelado. Posso dizer que gostei muito dessa versão de tempura e já fui intimado pela minha filha – e fotógrafa – a reproduzi-lo o mais breve possível…

No Horto, na Zona Sul do Rio de Janeiro, o ELENINHA ocupa um antigo casarão que combina memória, arquitetura e uma atmosfera informal de bar de bairro. Aberta ao público em fevereiro de 2024, a casa surgiu como uma extensão mais intimista e despretensiosa do restaurante Elena, instalado do outro lado da Rua Pacheco Leão, mantendo a conexão entre os dois endereços, mas adotando uma personalidade própria. O cenário é um dos grandes atrativos: protegido pelo patrimônio histórico e integrado ao conjunto da antiga Chácara do Algodão, o imóvel remete à história da região e aos tempos em que o espaço fazia parte de uma vila residencial ligada aos trabalhadores da antiga fábrica América Fabril. Internamente, o ambiente compacto acomoda cerca de 40 pessoas e valoriza elementos arquitetônicos originais, como as paredes de pedra, combinados a sofás de veludo verde e uma decoração que privilegia o conforto sem abrir mão do charme. Do lado de fora, as mesas na calçada ampliam a ocupação e ajudam a criar o clima descontraído que caracteriza o endereço. Na programação, a gastronomia de bar divide espaço com uma coquetelaria criativa e uma agenda musical diversificada, que inclui apresentações de jazz, rodas de samba, choro e forró. O resultado é um ponto de encontro que reúne o patrimônio carioca, boa música e drinques em uma proposta informal, fazendo do ELENINHA um endereço de personalidade própria no circuito gastronômico e boêmio do Horto.

Como no ano passado, fez-se presente novamente a gastronomia do AMAPÁ, também em parceria com o SEBRAE, trazendo alguns pratos e produtos típicos, mostrando a rica herança da culinária amazônica, que une tradições indígenas, ingredientes nativos da floresta e dos rios, além de forte presença de pescados e crustáceos frescos.

Dos diversos pratos disponíveis – tacacá, vatapá amapaense, ceviche de gurijuba, risoto de pato no tucupi etc – optei pelo prato RG Molho de Queijo Amazônico, um filé bovino com castanha e penne.

Logo ao lado tinha o BISTRÔ SESC, que levou ao evento sabores que traduzem a gastronomia desenvolvida pela instituição no estado. No cardápio encontramos o Crocante de Raízes, bolinho de mandioca com batata-baroa, recheado com blend de queijos, emulsão de milho e vegetais tostados; o Entre Pães, sanduíche de paleta com creme de queijo, cebola caramelizada e agrião; o Bolo de Especiarias, servido com ganache de chocolate branco e crumble de especiarias;  e o prato RG Arroz de Encontros, prato comemorativo dos 80 anos do Sesc, preparado com arroz cremoso com palmito e picadinho de carne.

Também ali do lado encontrei o FAIRMONT RIO DE JANEIRO, que trouxe como prato RG um belíssimo pudim de leite de Baunilha Bourbon.

 

Mas vou confessar algo. Desde que vi o cardápio unificado, me chamou a atenção a existência de um dos expositores unicamente com pratos veganos e fiquei curioso com o TEVA DELI & BISTRÔ (@tevavegetal) e procurei saber mais.

Ao longo de uma década, o TEVA construiu no Rio de Janeiro uma trajetória marcada pela gastronomia vegetal e por uma proposta que associa alimentação, criatividade e responsabilidade socioambiental. A história começou em agosto de 2016, em Ipanema, quando o chef Daniel Biron, formado pelo Natural Gourmet Institute, de Nova York, uniu-se aos empresários Alexandre e Daniel Oelsner para criar um restaurante dedicado exclusivamente à cozinha à base de vegetais. Desde o início, a casa estabeleceu critérios rigorosos para a seleção de ingredientes e para o preparo de seus pratos, deixando de lado produtos ultraprocessados, açúcar branco, gorduras trans e saturadas e alimentos cultivados com agrotóxicos. A expansão da marca veio em 2023, com a abertura do TEVA DELI, em Copacabana, que levou a filosofia da casa para um formato mais abrangente, reunindo características de restaurante, café, padaria e delicatessen em um mesmo endereço. A nova operação ampliou as possibilidades de consumo e aproximou a proposta vegetal de diferentes momentos do dia. Nos anos seguintes, o trabalho do TEVA ganhou espaço entre os destaques da gastronomia carioca, com premiações e reconhecimento especializado, enquanto a marca passou a diversificar ainda mais sua oferta, incluindo opções voltadas ao café da manhã e ao brunch. A comemoração de dez anos representa, assim, não apenas a continuidade de um restaurante, mas a consolidação de um conceito que procura mostrar a amplitude da cozinha vegetal por meio de técnicas, ingredientes naturais e criações capazes de ir além dos estereótipos associados à alimentação vegana. Esse posicionamento também se estende à gestão dos negócios: tanto o TEVA BISTRÔ quanto o TEVA DELI possuem certificação como Empresas B, sinalizando a adoção de práticas voltadas à geração de impactos positivos nas esferas ambiental e social.

O prato RG oferecido era um Bao Coreano – baozi ou bao é um tipo de pão cozido no vapor de origem chinesa, com um aspecto de coque. Está presente em várias cozinhas orientais, com diversas variações de recheios e preparações – recheado de seitan com molho de pimenta Gochujang, conserva de repolho roxo, pepino, maionese de cebolinha e gergelim.

Por coincidência, muito antes de saber do cardápio do RIOGASTRONOMIA, eu assisti a alguns vídeos sobre o processo de elaboração do seitan e já até me preparava para fazer, pois achei bastante interessante e versátil, só não tinha noção do seu sabor e textura. E não é que encontrei ele em um dos pratos oferecidos?

Conhecido por sua textura firme e aspecto fibroso, o seitan é uma preparação tradicional da culinária vegetal obtida a partir do glúten do trigo, concentrando a fração proteica do cereal depois que o amido é retirado. Sua história remonta à Ásia, especialmente à China, onde preparações semelhantes eram consumidas há séculos em comunidades budistas que adotavam uma alimentação sem carne. Na cozinha contemporânea, o ingrediente ganhou popularidade justamente por apresentar uma consistência densa e mastigável, características que permitem utilizá-lo em preparações que normalmente seriam feitas com proteínas animais. Além de apresentar elevado teor de proteínas, o seitan naturalmente não contém colesterol e costuma ter pouca gordura, embora sua composição nutricional possa variar de acordo com a receita e os ingredientes empregados em seu preparo. Outra característica que explica sua versatilidade é a capacidade de incorporar temperos, caldos e marinadas, tornando-se uma espécie de base culinária para diferentes combinações de sabores. Pode ser preparado em fatias, cubos ou desfiado, passando pela frigideira, forno, panela ou fritura, e aparecendo em receitas que vão de ensopados e sanduíches a grelhados e outras criações da gastronomia vegetal. Por ser produzido a partir do trigo, entretanto, o seitan contém glúten e, portanto, não é indicado para pessoas com doença celíaca ou que necessitam evitar essa proteína.

Posso dizer que o bao estava sensacional, superando minhas expectativas e, agora, mais do que nunca, vou procurar uma receita e fazer o seitan. Aguardem, pra breve, algum prato utilizando esse ingrediente…

Eu tinha me proposto a experimentar somente os pratos RG, mas minha filha – e, como disse, minha fotógrafa oficial – estava com fome e queria algo de fora da lista.  Achei justo recompensá-la e a escolha foi a Pic Nic – uma homenagem à clássica quatro queijos, com flor di latte da Campânia, ricota, grana padano, gorgonzola e mel picante feito na casa – da FERRO E FARINHA (@ferroefarinha), cuja trajetória começou de maneira pouco convencional e ganhou forma a partir das ruas do Rio de Janeiro. Em 2013, o chef Sei Shiroma deixou nos Estados Unidos uma carreira ligada à publicidade e chegou à cidade disposto a explorar a gastronomia, instalando um forno a lenha improvisado em um reboque e posteriormente adaptando um carro para preparar e vender pizzas artesanalmente. A operação itinerante passou por diferentes bairros cariocas e conquistou clientes principalmente pelo boca a boca, até que, no ano seguinte, o projeto ganhou seu primeiro endereço fixo, no Catete. O pequeno estabelecimento ajudou a popularizar uma maneira mais informal de apreciar pizza, diretamente com as mãos, enquanto a proposta culinária da marca começava a desenvolver uma identidade própria. Com o crescimento da demanda, a FERRO E FARINHA avançou para outros pontos da cidade, chegando a regiões como Botafogo, Ipanema, Leblon e Barra da Tijuca, ao mesmo tempo em que acumulava distinções em premiações gastronômicas. A evolução do negócio ultrapassou as fronteiras do circuito carioca nos anos seguintes, quando a pizzaria passou a figurar entre os endereços brasileiros reconhecidos pelo ranking internacional 50 Top Pizza. A cozinha comandada por Shiroma combina referências de diferentes escolas pizzaiolas, aproximando a tradição napolitana da influência nova-iorquina e incorporando fermentação natural, ingredientes sazonais e liberdade criativa às receitas. O percurso, que começou com um forno sobre rodas, transformou a FERRO E FARINHA em uma das marcas mais reconhecidas da cena pizzaiola do Rio, preservando na essência a informalidade que marcou seus primeiros dias nas ruas da cidade.

Na Praça da Bandeira, o BAR DA FRENTE (@bardafrente) se tornou parte importante da história recente dos botecos cariocas ao combinar ambiente informal, cozinha afetiva e petiscos que fogem do lugar-comum. A casa surgiu em 2009, em um pequeno imóvel da Rua Barão de Iguatemi, pelas mãos de Valéria Rezende e de sua filha, Mariana, e rapidamente estabeleceu uma identidade própria em uma região que viria a ganhar cada vez mais relevância no cenário gastronômico do Rio. O curioso nome do estabelecimento nasceu justamente de sua localização: o bar funcionava diante do Aconchego Carioca e acabou incorporando ao próprio nome essa referência geográfica. A cozinha sempre esteve no centro da proposta. Valéria comandou os fogões durante os primeiros anos e ficou conhecida pela criação de petiscos que combinavam referências da culinária brasileira com soluções pouco convencionais. Entre eles está o chamado “porquinho de quimono”, uma espécie de harumaki recheado com costela suína e requeijão temperado com ervas, criação que se transformou em uma das marcas registradas da casa. Após a morte de Valéria, em 2018, Mariana assumiu a continuidade do negócio e manteve viva a proposta construída pela mãe, preservando o caráter familiar e a vocação para uma cozinha popular, criativa e descontraída. Ao longo dos anos, o BAR DA FRENTE também acompanhou a transformação da Praça da Bandeira em um dos endereços de destaque da gastronomia de boteco do Rio e, posteriormente, ampliou sua presença com uma unidade em Copacabana. A trajetória da casa é, sobretudo, marcada pela capacidade de transformar ingredientes e referências cotidianas em petiscos autorais, mantendo ao mesmo tempo o espírito acolhedor que caracteriza a tradição dos bares cariocas.

E foi justamente o seu petisco mais famoso que eles trouxeram como prato RG e, obviamente, foi a minha escolha. E quer saber? Acertadíssima!

Nas outras edições até mantive uma certa metodologia, passeando pelas diversas tendas – Gávea, Parque Lage, Jardim Botânico e Lagoa – uma a uma, de forma organizada mas confesso que dessa fui meio atrapalhado, indo de uma lado para o outro, igual criança quando se vê perdida em um parque de diversões. Mas isso não me impediu de ver que havia um palco e uma roda gigante…

Não poderia passar por essa edição sem assistir a uma aula no auditório SESC-SENAC – e olha que só consegui uma única aula mesmo, pois a que se seguiu, do chef Lucas Corazza, quando fui me inscrever já estava lotada. Mas consegui assistir à apresentação dos chefs Fréderic Monnier e Paula Prandini, cujo tema era “Paixão Franco-Brasileira: a Manteiga”.

Eles fizeram bases de massa bem parecidas – uma massa sablée, base clássica da confeitaria francesa, famosa por sua textura amanteigada, delicada e que desmancha na boca – mas em versões diferentes. Ele apresentou uma tarte de creme de queijos com cogumelos, coberta de manteiga noisette enquanto ela fez uma ganache montada de chocolate com cumaru, caramelo com manteiga noisette e um “cristal” de doce de leite.

Achei muito legal, nesse ano, a criação do Espaço PATRIMÔNIOS DO RIO, por iniciativa da Prefeitura do Rio, que objetiva celebrar a cultura dos botecos tradicionais e a identidade da boemia carioca. Foram escolhidos três ícones dos botequins cariocas, que se alternarão a cada fim de semana, na seguinte ordem: BAR URCA (@barurca) – fundado em 1939 por imigrantes alemães e suíços, nasceu como botequim à beira da Baía de Guanabara, sendo oficialmente declarado patrimônio cultural, histórico e turístico em outubro de 2022; BAR DA PORTUGUESA (@bar_da_portuguesa) – inaugurado em 1968 por Alfredo Gomes, o espaço nasceu da conversão de um armazém de bairro e foi declarado Patrimônio Cultural Carioca em setembro de 2021;  e BODE CHEIROSO (@bardobodecheiroso) – fundado em 1945 na Rua General Canabarro, no Maracanã, por Antônio Duarte Ribeiro, recebeu do município o título em novembro de 2023. A iniciativa integra a série digital Patrimônios do Rio, criada pela Riotur em parceria com o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). O projeto apresenta histórias, personagens e sabores de bares, restaurantes e outros espaços reconhecidos como Patrimônios Culturais Cariocas.

No cardápio oferecido pelo BAR URCA, que era o bar da vez, tinha Canoinha de Bobó de Camarão (Prato RG), Pastel de Camarão, Mini Bolinhas de Queijo, Mini Bolinho de Bacalhau e Mini Bolinhas de Queijo.

Resolvi fazer uma pausa pra um cafezinho.  Encontrei uma estação da 3 CORAÇÕES (@3coracoes) e escolhi experimentar o Café 3 Corações Gourmet Dark Roast, um blend 100% arábica de torra intensa, que entrega uma bebida marcante, encorpada e com notas de chocolate amargo. Optei pela Drip Cofee, uma versão filtrada individual super prática para usar direto na xícara.

E para uma sobremesa: um bolo de cenoura da QUE DOCE! (@quedoce)…

Hora de dar uma geral na FEIRA DOS PRODUTORES, um espaço dedicado a pequenos produtores e artesãos, que permite que o público deguste e compre iguarias direto de quem produz, valorizando o mercado e a cultura regional.  Ele fica logo na entrada do evento e, ali mesmo, é possível provar ou levar para casa, entre cachaças, queijos, charcutaria, doces artesanais, conservas, molhos, granolas, biscoitos, farofas, balas de coco e mais. Entre os cerca de 20 estandes de produtores fluminenses, estão Enchendo Linguiça, Dianna Bakery, Lemô, Capril Deville, Arte em Conservas, Sítio Solidão, Biscotteria, Fazenda Vale da Lua, Leve Brigaderia, Bomdoce Brasileiríssimo. No mesmo espaço, nove alambiques do interior do estado colocam seus rótulos à prova, como Werneck, Maxcana, 7 Engenhos, Jambuzada, Tellura e Academia da Cachaça, com direito a bar de caipirinha. Uma lojinha do Rio Gastronomia oferece produtos como bolsas e bonés.

Conferi alguns deles…

Experimentei a deliciosa linguiça artesanal do ENCHENDO LINGUIÇA (@enchendolinguica), primeiro bar do Brasil com fábrica de linguiças artesanais à vista dos clientes, considerado Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro.

Reencontrei a GASTRONOMIA PRA VIAGEM (@gastronomiapraviagem), que eu já havia mencionado no meu artigo sobre o RIOGASTRONOMIA de 2025, e ele continua com a mesma qualidade. É um cracker de polvilho extremamente viciante. Dava pra comer em “quantidades absurdas”…

Também reencontrei as farofas da YACY ALIMENTOS (@yacyalimentos) e adorei a novidade: uma farofa doce, deliciosa, feita com avelâ, castanha de caju, açúcar mascavo e canela.

E antes de ir embora, eu não poderia deixar de provar as cachaças da nossa terra. Dentre elas, experimentei a cachaça 7 ENGENHOS (@cachaca7engenhos), de Quissamã, no norte fluminense; a cachaça MAGNÍFICA (@magnificadefaria), de Vassouras/RJ; e a cachaça WERNECK (@cachacawerneck) produzida no Sítio Werneck, localizado na zona rural do município de Rio das Flores (RJ), na região histórica do Vale do Café.

Gostaria de deixar uma menção aqui ao INSTITUTO FECOMÉRCIO DE SUSTENTABILIDADE – IFeS (@ifes_rj), que repetiu a exitosa iniciativa do ano passado, promovendo ações de educação ambiental e reciclagem no RIOGASTRONOMIA, incentivando o descarte correto de resíduos. Não sei se por conta disso, pela maior adesão e conscientização das pessoas, mas o espaço do evento estava realmente mais limpo.

Pra finalizar, gostaria de deixar meu agradecimento à INPRESS PORTER NOVELLI (@inpressporternovelli) que, gentilmente, cedeu o credenciamento para que eu pudesse fazer a cobertura do Festival para o ARTECULT.

Ainda teremos mais dois finais de semana de festa – dias 24/09 a 27/09 e 01/10 a 04/10. Portanto, não perca tempo, programe-se a participe do maior festival gastronômico do Brasil. Muito sabor espera por todos vocês…

 

Author

Del Schimmelpfeng é Analista Judiciário do TJERJ, mas desde que se lembra - e coloca tempo nisso! - ama cozinhar! Apesar de ter feito as faculdades de arquitetura e direito, é se misturando aos pratos, panelas e temperos que se sente inteiro, completo, pleno. É autodidata, nunca fez curso de culinária, tampouco se imaginou um profissional da área. Considera-se apenas um curioso, que procura o conhecimento em tudo e que tenta, de todo jeito, viver da melhor forma possível - apesar de todas as dificuldades. Afinal, não haveria graça se elas não existissem... Participou da seletiva da segunda edição do Masterchef e da décima nona edição do reality "Jogo de Panelas", apresentado por Ana Maria Braga no programa "Mais Você" da Rede Globo, na qual sagrou-se campeão. Possui, ainda, textos publicados em livros de conto e poesia. Blog: https://delschimmelpfeng.blogspot.com Instagram: @del.schimmelpfeng

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