

“Maldita” | Foto: Stephany Lopez
SEM EXPLICAÇÃO?
Crítica – Com licença, quando o povo decide, acabou!
Claro que há explicação! Caiu na boca do povo e pronto.
A Cia Cerne é uma companhia com história — e das boas. Confesso: sou completamente apaixonada por Era Uma Vez um Tirano. Para mim, é o melhor espetáculo do grupo. Tem afeto, tem memória, tem tudo ali pulsando.
Mas não é só paixão, não. A trajetória da companhia sustenta qualquer entusiasmo.
Oriunda da Baixada Fluminense, fundada em São João de Meriti, a Cerne construiu um trabalho sólido, de pesquisa, de estética e de compromisso social. Não é grupo de ocasião. É grupo de formação — e formação séria. Tem doutorado, tem estudo, tem chão. Tem gente que sabe exatamente o que está fazendo.
Já passaram por espaços importantes, como o Prêmio Shell, e acumulam prêmios nacionais e internacionais. Trabalhos como Turmalina 18-50, que resgata a história de João Cândido, e Três Irmãos, com circulação internacional, mostram que não é sorte — é projeto.
E aí chegamos em Maldita, que é um espetáculo que criou independência após o curso dado pela Cerne.
O espetáculo “Maldita”, produzido pelo Instituto Cultural Cerne (Baixada Fluminense/RJ), é uma comédia musical subversiva que revisita tragédias gregas clássicas sob uma ótica contemporânea e periférica
Lotado.
Bilheteria esgotada.
Sem UMA cadeira pra crítica que vos fala.
E estou triste? NUNCA.
A crítica quer isso mesmo: teatro cheio. O povo ocupando a plateia. O burburinho. A energia. O teatro vivo.
Porque vamos combinar?
“Ah, está cheio porque foi indicado a prêmio…”
Não, meus amores. Tem espetáculo premiado com 40% de ocupação.
“Ah, é porque tem artista global indicando…”
Também não. Já vi produção com Reynaldo Gianecchini fazendo comercial que não sustentou casa cheia. Ajuda? Ajuda. Mas não garante.
A verdade é simples: quando o negócio chega, chega. E ponto.
Maldita chegou.
E o público entendeu antes de todo mundo.
Está em cartaz no Teatro Ziembinski — e não adianta nem passar serviço: não tem ingresso.
E isso, meus caros, é motivo de celebração.
Viva a Cia Cerne e seus alunos! Trabalharam pra isso.
E, por favor: voltem com Maldita. Vocês não podem sair de cena assim.
A gente quer mais.
A gente quer teatro lotado.
Sempre.
Ah! Não tem receita para o sucesso, claro, só mesmo tentando!



Paty Lopes (@arteriaingressos). Foto: Divulgação.









