Na Christaleira: QUO VADIS?

Coluna de Chris Herrmann

IArte – Chris Herrmann

 

QUO VADIS?

“Quo vadis? Talvez a pergunta mais importante não seja para onde vais,

mas de quem é a voz que escolhe o caminho.”

Chris Herrmann

 

QUO VADIS?

Perguntaram-lhe
: para onde vais?

Como se toda mulher
devesse explicar
o próprio caminho.

Como se mapas
e papéis
fossem ninhos.

Ela aprendeu
que destinos
não cabem
em formulários.

Que bússolas
só funcionam
depois do naufrágio.

Então seguiu.

Não porque soubesse
: porque escolheu
não ficar para trás
de si mesma.

 

HERANÇA DE MOVIMENTO

Recebeu das avós
uma coleção de silêncios.

Das mães,
algumas chaves.

De si mesma,
a coragem de abrir
portas que ainda não existiam.

O mundo insistia
em lhe oferecer molduras.

Ela preferia horizontes.

 

COORDENADAS

Quem sou?
Para onde vou?
Quando começo?

Ela carregava essas questões
como o peso das estrelas…
Sem possuí-las.

Um dia,
entendeu
que identidade
não é porto
: é travessia.

 

 

Autora: CHRIS HERRMANN

 

 

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Author

Chris Herrmann é escritora/poeta, musicista, musicoterapeuta, editora e webdesigner teuto-brasileira, nascida no Rio de Janeiro. Estudou Literatura na UFRJ, Música no CBM e pós-graduou-se em Musicoterapia na Universidade de Münster, Alemanha. Tem 13 Livros publicados (poesia contemporânea, haikai, romance, contos e literatura infantil); bem como participação e organização em inúmeras coletâneas de poesia no Brasil e exterior. Recebeu diversas premiações ao longo dos últimos 20 anos, como escritora, poeta, webdesigner e curadora de sarau. É editora-chefe da revista eletrônica Ser MulherArte (www.sermulherarte.com | @sermulherarte); articuladora do Mulherio das Letras na Lua (Grupo de Poesia ligado ao Movimento Mulherio das Letras); editora do Sarau da Varanda (@sarau.da.varanda) e Arthéria Viva (@artheriaviva) no Instagram. Desde Outubro de 2025, é colunista do Portal ArteCult (www.artecult.com | @artecult).

2 comments

  • Os poemas da Chris tocam em algo que muitas mulheres reconhecem em si. A pergunta “para onde vais” carrega anos de tentar explicar um caminho que nunca coube em formulário. As heranças, silêncios, chaves, portas ainda por abrir, atravessam gerações de mulheres. A travessia final resume uma verdade que muitas viveram: identidade não é porto, é percurso constante.

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    • Querida Katia!
      Acho incrível como você se aprofunda na interpretação dos poemas, como se conseguisse ler meus pensamentos. E descobre até coisas que, de repente, nem eu tinha pensado. Portanto, me faz pensar novamente sobre o que eu escrevi. Essa interação é rica e maravilhosa. Obrigada pelo comentário sensível e profundo. É maravilhoso ter uma leitora como você!

      Reply

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