Analógico Lógico: Os alicerces da Arte da Fotografia, Parte 2

Foto de Harold Edgerton:“Bullet through apple”, 1964.

Saudações Terráqueos! Dando seguimento à nossa conversa da semana passada, em que falei, um pouco, sobre a primeira das três bases ou alicerces sobre as quais a fotografia se sustenta, a sensibilidade do filme (ou ASA ou ISO ou DIN ou GOST) e que representa tão somente a “velocidade” com que a mídia capta a informação luminosa e a converte em uma imagem.

Hoje conversaremos sobre outro tipo de “velocidade”: a velocidade (risos). Sabem, em fotografia vários termos se repetem, e isso talvez seja a maior fonte de dúvida entre os novos iniciados. Darei um exemplo: João pegou um filme 35mm, colocou em sua câmera 35mm e usou sua lente 35mm para fazer uma macro de uma flor a 35mm. Entenderam o ponto? Tudo aí versa sobre o diabo do 35mm, mas para coisas diferentes. Então há que se saber do que se está falando, se é da distância focal da lente, do tipo de filme, de qual máquina, de qual distância se baterá e por aí vai…

A velocidade que estou me referindo, agora, não é a velocidade da captação da imagem (luz) pela mídia, que é dada pela ASA/ISO. A velocidade agora é a realizada pelo obturador da máquina ao realizar o movimento triplo de abertura, passagem da luz e fechamento.

Reparem que, nesse caso, quando eu falo de abertura, NÃO estou falando da abertura da lente, estou falando da abertura da cortina ou do diafragma da câmera que, apesar de fazerem a mesmíssima coisa, são, sim, diferentes em seu funcionamento, pois a cortina, como já diz o nome, é algo que, saindo da frente da “janela” permite a entrada da luz de frações de segundos até algumas horas, sendo feita de materiais diversos (seda, tecido emborrachado, alumínio, fibra de carbono…), conforme a evolução do mecanismo e tendo seu plano de movimento horizontal, nas máquinas mais antigas ou vertical, nas mais modernas.

Já o diafragma, também conhecido como obturador em folha ou “leaf shutter”, assim como a cortina, faz exatamente a mesma coisa, também constituindo parte da câmera, porém, seu mecanismo de ação não envolve o seu deslocamento físico de um lado para o outro ou de cima para baixo, como no caso das cortinas mas, sim, uma abertura em esfíncter, com lâminas concêntricas dispostas em forma anelar e que se abrem uniformemente, em forma de flor, permitindo a entrada da luz pela câmera e retornando à posição inicial.

Observem que, esses dois sistemas principais (ainda há o das pinhole) fazem a mesmíssima coisa: OBTURAR. Para quem desconhece o termo, obturar significa fechar, encerrar, tapar, obstruir, impedir… O quê? A luz, ora! Estamos falando de quê? Dente? Ora, bolas… Então, dessa forma um obturador é entendido como sendo um sistema que impede (obstrui, fecha…) a passagem da luz, podendo este ser de dois tipos: cortina ou diafragma. Sendo a cortina mais comum em câmeras SLR e o diafragma mais comum em rangefinders e TLRs, embora nada impeça que câmeras de um determinado tipo usem esses sistemas de forma inversa.

Uma coisa a se prestar muita atenção é que, as lentes também possuem diafragma (mas não obturadores). Dessa forma se compreende que o obturador é o MECANISMO que abre e fecha o diafragma da câmera à passagem da luz durante um determinado tempo. Logo, vocês podem usar uma câmera com obturador de diafragma (de folha, leaf shutter), tendo uma lente que, obviamente, também tem seu próprio diafragma. Exemplos clássicos disso são as TLRs, de forma geral; a Rollei 35, que é uma “foco por estimativa” e, não, uma rangefinder; e as Voigtlander e Kodak Retina que usam o mount DKL e que podem ser tanto rangefinders (como as Voigtlander Vitessa), quanto SLRs (como as Kodak Retina), provando que o obturador em folha ou diafragmático, pode ser utilizado nos dois sistemas.

Resumindo, o diafragma na câmera (nas que adotam esse sistema) é sempre para permitir a passagem da luz por determinado tempo. Nas lentes, o diafragma funciona, principalmente, regulando a “quantidade” de luz que passa, observando-se que nas lentes o diafragma também pode ser chamado de íris.

Então, quando estou falando puramente velocidade, estou me referindo a velocidade do obturador da câmera (seja de cortina ou diafragmático). Esta velocidade da câmera, em geral, varia de 1seg até 1/8000seg, conforme a câmera. Umas até mais, outras, bem menos. Podendo-se, dessa forma, capturar desde o caminho das estrelas no céu até congelar o movimento de uma bala. E como isso funciona? Regulando a entrada da luz de acordo com determinado tempo. Se ficar aberto por mais tempo, a foto terá uma exposição maior ou superexposição e dessa forma sairá mais clara. Inversamente, se o obturador ficar aberto menos tempo, a sua foto ficará mais escura ou subexposta. Ficou claro (ou escuro) agora?

Então, juntando com que vimos na semana passada, se tivermos um filme pouco sensível à luz, como uma ASA 50, por exemplo, a velocidade de obturação da câmera deverá ser menor (ou mais lenta) do que se usássemos um filme de ASA maior como, por exemplo, um de ASA 800. Fez sentido?

Então qual é a utilidade prática disso? Explico. Câmeras vintage, em geral, não conseguem bater acima de 1/1000seg. O que é rápido pra caramba! Pensem que uma piscada ocorre em cerca de 1/10seg, ou seja, 100 vezes mais lento que isso. Dessa forma, a não ser que se queira que suas fotos saiam todas estouradas (superexpostas), não faz sentido se usar um filme rápido em máquinas lentas. Salvo se for para fazer fotos noturnas ou com filtros físicos que reduzam a quantidade de luz admitida ou em ambientes pouco iluminados. Aí, vá lá…

No caso dos filmes lentos, há uma maior tolerância do equipamento, pois bater em velocidades lentas, todas as câmeras o fazem, inclusive as mais rápidas. Logo, filmes lentos ou de ASA baixa, podem ser uma boa alternativa tanto ao novato em seu afã antropofágico por descobrir novas formas de se bater um filme, quanto ao fotógrafo mais experiente que, dominando a técnica, consegue produzir lindas fotos.

Cumpre ressaltar que o tripé é o segundo melhor amigo do fotógrafo analógico. O primeiro continua sendo o cachorro.

Espero que tenham gostado de nossa conversa e acompanhem minha coluna semanal aqui no ArteCult e não deixem de conhecer o meu canal Analógico Lógico, no YouTube! Toda semana um vídeo novo para você que acha que a fotografia é bem mais que apertar um botãozinho. Tenham uma grande semana e boas fotos!

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ANALÓGICO LÓGICO!
Vitor Oliveira é dono de uma visão poética sobre a vida e o mundo que o permeia. Fotógrafo experiente e autodidata, fotografa desde os 10 anos de idade influenciado por seu avô, o pintor paisagista Altamiro Oliveira, de quem, além da pintura clássica, o influenciou no desenho e na literatura, arte que exerce escrevendo romances ambientados no submundo de uma São Sebastião do Rio de Janeiro do final do Séc XIX e começo do Séc XX que não mais existe. Pesquisador de métodos, técnicas e equipamentos fotográficos e colecionador, Vitor Oliveira fotografa principalmente em película, por considerar que, após quase 200 anos de evolução desta forma de arte, esta ainda oferece os melhores resultados, ao depurar a técnica artística, quase que alquimicamente. Sendo um dos únicos fotógrafos de nível mundial a participar, usando filme, no maior concurso fotográfico do mundo, o Sony World Photography Awards, da World Photography Organization, Vitor Oliveira inaugura seu Canal Analógico Lógico!, no YouTube, através do qual procura compartilhar um pouco de uma aprendizagem que nunca finda. Hare Hare! Canal Analógico Lógico! : https://youtube.com/channel/UCom1NVVBUDI2AMxfk3q8CpA Video de abertura: https://youtu.be/N_cuYPi6b4M

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