
Coluna de Chris Herrmann

IArte – Chris Herrmann
MULHER DE AÇO
“Não foi o aço que a tornou forte, mas a decisão de não enferrujar por dentro.”
Chris Herrmann
MULHER DE AÇO
Disseram que ela era forte.
Como se força
fosse elogio
e não exigência.
Então ela vestiu estilhaços,
colecionou tempestades,
aprendeu a transformar
cada não
num degrau provisório.
Chamaram-na de fria.
Não perceberam
que era o calor do mundo
que vivia tentando (con)fundi-la.
E ainda hoje,
quando a chamam de aço,
ela sorri.
Sabe que sua maior resistência
não está em não quebrar,
mas em jamais deixar
de se reinventar.
LIGA METÁLICA
Ah… Tantas mulheres
que caminham sobre brasas
sem fazer delas morada.
Atravessam incêndios
em silêncio,
carregando água
na memória.
O mundo lhes oferece
gaiolas travestidas de escolhas,
e depois pergunta
por que aprenderam a voar.
Cada cicatriz
é uma assinatura.
Cada conquista,
uma reconquista.
Porque ser mulher,
muitas vezes,
é transformar o peso
em contrapeso,
e fazer do tropeço
o recomeço.
TEMPERA
Ela não nasceu pronta,
foi forjada
entre o que esperavam dela
e aquilo que decidiu ser.
Dobrou-se,
mas não coube.
Calou-se,
mas não concordou
com as revoluções
que não ocupam ruas
: mas espelhos.
E quando finalmente
se reconheceu inteira,
descobriu que liberdade
era muito mais
que romper correntes.
Era não voltar
a usá-las.

Autora: CHRIS HERRMANN
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