TIM MAIA, VALE TUDO – O MUSICAL: Do Leme ao Pontal, nunca haverá nada igual

Tim Maia, Vale Tudo, O Musical | Foto: Divulgação

 

Do Leme ao Pontal, nunca haverá nada igual

 

Não adianta vir com guaraná para mim — é chocolate que eu quero beber, quero da fonte do Tim Maia!

Podem até tentar me convencer sobre o cenário musical atual, mas sigo com os ouvidos firmemente conectados aos grandes artistas das décadas passadas. Há ali uma densidade, uma verdade, que hoje parece cada vez mais rara.

Vivemos um tempo curioso: discutimos a violência contra as mulheres enquanto cantamos músicas que, muitas vezes, nos colocam em lugares contraditórios. Falta coerência. Falta escuta.

E então vem ele — Tim Maia. Ou melhor, sua permanência entre nós.

“Tim Maia, Vale Tudo – O Musical” não se sustenta apenas pela nostalgia. Sua força está na obra de um artista imortal, daqueles que atravessam gerações com poesia, alma e uma entrega visceral à música.

Estive ali por algumas horas — e confesso: sorri, chorei e, sobretudo, senti. Porque Tim Maia tinha esse dom raro de mexer com tudo ao mesmo tempo: coração, corpo, memória. Basta um acorde, e já estamos dentro.

O teatro estava lotado. Natural. Atrás de mim, um espectador cantarolava baixinho. Em certos momentos, já não era possível conter o corpo — a plateia dançava sentada. Ficar imóvel era quase uma afronta.

Som potente, iluminação precisa e uma energia que transborda do palco: o espetáculo acerta porque entende o que está em jogo — não é apenas música, é legado.

Sob a condução de Carmelo Maia, há um cuidado evidente. E faz sentido: ninguém fala dos seus com mais verdade do que quem carrega essa história no sangue.

Mas o que mais me atravessa é a presença de Thor Junior.

Em meio a um elenco talentoso, ele não apenas se destaca — ele ocupa. E ocupa com uma segurança impressionante. Em algum momento, parece que decidiu: “vou ser Tim Maia”. E foi.

Thor não imita. Ele incorpora. Há algo na voz, no corpo, no gesto, que ultrapassa a técnica e toca o território do acontecimento. Uma interpretação viva, brincalhona, profundamente conectada com o público.

Ele joga com a plateia, cria cumplicidade, sustenta presença. Um artista que entende que estar em cena é mais do que executar — é contagiar. E isso não se ensina facilmente.

Para quem ainda hesita — “ah, não vou porque Tim Maia já está marcado em mim” — talvez esteja justamente aí o equívoco. Não se trata de substituir memória, mas de reativá-la através de um corpo novo, preparado, respeitoso e potente.

Thor Junior, que já passou por grandes produções como Beetlejuice, Dreamgirls e A Cor Púrpura, mostra aqui não apenas domínio técnico, mas maturidade cênica. Há estudo, há entrega — e há, sobretudo, amor.

Detalhe, hoje eles estão no Festival de Curitiba, o maior festival de teatro do Brasil.

Saí emocionada. Chorei em “Um Dia de Domingo”, chorei em tantas outras. Porque sou dessas: carrego o soul, carrego essa herança, e reconheço quando ela pulsa de verdade.

Faço parte dessa geração em que o amor tinha licença poética — e Tim Maia era rei.

E sigo sendo. Tijucana, com orgulho.

 

Sinopse:

“Tim Maia, Vale Tudo – O Musical” chega ao Rio de Janeiro com uma montagem
renovada e promete emocionar públicos de todas as idades. Mais do que revisitar
canções marcantes, o espetáculo conta história! A produção transforma o palco em
uma celebração e homenagem à trajetória do artista carioca, conduzindo o público
por sua jornada desde a juventude até a consagração nacional.

 

Serviço:

Tim Maia, Vale Tudo – Rio de Janeiro

  • Temporada: 6 de março a 12 de abril
  • Local: Teatro Casa Grande
  • Endereço: Av. Afrânio de Melo Franco, 290 A, Leblon, Rio de Janeiro RJ, Shopping Leblon
  • Horário: Sexta às 20h, sábado às 16h e 20h e domingos às 15h e 19h
  • Onde comprar: Ingressos à venda no site de vendas oficial e na bilheteria física do teatro.
    Bilheteria Teatro Casa Grande (sem taxa de serviço): Avenida Afrânio de Melo
    Franco, 290 – Loja A – Leblon – Rio de Janeiro/RJ. Funcionamento: Quarta das 12h às 18h. Quinta a domingo a partir das 15h até 30 minutos após o início do espetáculo.
  • Classificação etária: 14 anos. Menores a partir de 10 anos entram acompanhados dos
    pais ou responsáveis. Crianças até 1 ano e 11 meses possuem gratuidade
    permanecendo no colo do responsável.

 

Ficha técnica:

Equipe

  • Adriana Del Claro – Produção Geral
  • Carmelo Maia – Sócio e Produtor
  • Nelson Motta – Autor
  • Keila Bueno – Diretora de Movimento
  • Pedro Bricio – Diretor Geral
  • Guga Pereira – Sócio Grupo Live
  • Wilson Anastácio – Sócio Grupo Live
  • Maurício Aires – CEO Grupo Live
  • Cezar Rocafi – Ramon
  • Davi Fields – Absoluto 2
  • Dennis Pinheiro – Jorge Ben
  • Elá Marinho – Elis Regina
  • Estêvão Souz – Swing
  • Julia Gorman – Marisa Monte
  • Júlia Perré – Cristina / contraregra
  • Lola Borges – Primavera 1
  • Mari Rosinski – Primavera 2 / Gal Costa
  • Chelle – Primavera 3
  • Thór Junior – Tim Maia
  • Rodrigo Fernando – Absoluto 3
  • Suzana Santana – Sandra Sá/Mãe
  • Tiago Herz – Roberto Carlos
  • WD – Absoluto 1
  • Matheus Luiz – Trombone
  • Rafa Maia – Baterista
  • KAESER – Reed 3
  • Alexandre Bittencourt – Reed 4
  • Tiago Calderano – Percussão
  • Priscila Rosário – Guitarrista
  • Raul d’Oliveira – Baixo
  • Gilberto Pereira – Reed 1
  • Junior Abreu – Trompete 2
  • Moises Santos – Reed 2
  • Ezequiel Freire – Trompete 1
  • Isis Patacho – Chefe de Palco
  • Ana Lares – Microfonista
  • Rosi – Camareira II
  • Guerrieri – Maquinista
  • Lázaro Silva – Camareiro I
  • Thayssa Carvalho – Operador de Luz

 

 

Paty Lopes (@arteriaingressos). Foto: Divulgação.

 

 

Author

Dramaturga, com textos contemplados em editais do governo do estado do Rio de Janeiro, Teatro Prudential e literatura no Sesi Firjan/RJ. Autora do texto Maria Bonita e a Peleja com o Sol apresentado na Funarj e Luz e Fogo, no edital da prefeitura para o projeto Paixão de Ler. Contemplada no edital de literatura Sesi Fiesp/Avenida Paulista, onde conta a História de Maria Felipa par Crianças em 2024. Curadora e idealizadora da Exposição Radio Negro em 2022 no MIS - Museu de Imagem e Som, duas passagens pelo Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com montagem teatral e de dança. Contemplada com o projeto "A Menina Dança" para o público infantil para o SESC e Funarte (Retomada Cultural/2024). Formadora de plateia e incentivadora cultural da cidade.

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