
Depois de ter ido em um evento no UPTOWN na semana passada (14 a 16/08) – contei tudo o que tinha por lá no artigo anterior – agora foi a vez do SHOPPING METROPOLITANO BARRA (@shoppingmetropolitanobarra) promover, entre os dias 21/08/ e 23/08 o TEXAS BBQ, uma festa pensada em oferecer diversão para toda a família, unindo churrasco na brasa, bebidas geladas, área kids e muita música ao vivo. E, óbvio, como morador da região, não poderia deixar passar, né? Não sei se é a primeira edição ou se já tiveram outras, mas o fato é seria um programa imperdível para o meu sábado…
Antes, porém, de falar especificamente sobre o evento e o que encontrei por lá, assim como fiz na matéria anterior, tenho que contextualizar e falar um pouquinho sobre o local onde aconteceu o TEXAS BBQ, certo?

Inaugurado em dezembro de 2013, o SHOPPING METROPOLITANO BARRA surgiu em um momento de profundas transformações na Zona Oeste do Rio de Janeiro, instalado na Avenida Embaixador Abelardo Bueno, em uma área que integra o Centro Metropolitano, atualmente associada à região da Barra Olímpica. O empreendimento nasceu com a proposta de se tornar um importante polo de comércio, serviços, gastronomia e lazer, acompanhando o processo de crescimento e valorização urbana que modificou significativamente o perfil daquela parte da cidade.
A concepção do projeto começou ainda nos anos 2000, quando a ideia inicial previa a implantação de três centros comerciais de menor porte distribuídos ao longo da Avenida Embaixador Abelardo Bueno. Com a evolução dos estudos e das perspectivas para a região, entretanto, o projeto foi reformulado. Em vez de diferentes empreendimentos, optou-se pela criação de um único complexo de grandes dimensões, estratégia que permitiria reunir operações de maior porte, ampliar a oferta comercial e fortalecer a capacidade de atração de consumidores.
A localização do shopping também está diretamente relacionada ao planejamento urbano da Barra da Tijuca. O terreno integra uma área abrangida pelo conceito de ocupação concebido por Lúcio Costa para a expansão da região, estabelecendo uma conexão entre o desenvolvimento do empreendimento e a transformação da paisagem urbana carioca ao longo das últimas décadas.
Outro elemento que contribuiu para a identidade do SHOPPING METROPOLITANO BARRA foi sua arquitetura. O projeto, assinado pelo arquiteto Paulo Baruki, adotou formas curvas e elementos que remetem à própria geografia do Rio de Janeiro, especialmente à relação visual entre montanhas e mar. A proposta procurou criar um espaço contemporâneo, mas ao mesmo tempo integrado às características naturais e paisagísticas que marcam a cidade.
Entre os elementos arquitetônicos de maior destaque está uma ampla parede verde, concebida como referência à sustentabilidade e à valorização da vegetação no ambiente construído. Painéis artísticos e outras intervenções visuais também integram o projeto, contribuindo para estabelecer uma identidade própria para o complexo. A qualidade arquitetônica e o conceito desenvolvido para o empreendimento receberam reconhecimento em premiações do setor, incluindo distinções da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) e do International Council of Shopping Centers (ICSC).
Ao longo de sua trajetória, o shopping também se beneficiou da evolução da infraestrutura viária da região. A conexão com importantes corredores de circulação, especialmente a Transolímpica e a Linha Amarela, ampliou a acessibilidade ao empreendimento e consolidou sua posição estratégica dentro do eixo de expansão da Zona Oeste. A proximidade com áreas residenciais, empresariais e de lazer contribuiu ainda para ampliar seu público e sua relevância na dinâmica comercial local.
Com as mudanças no comportamento dos consumidores e a transformação do entorno, o SHOPPING METROPOLITANO BARRA passou a incorporar novas propostas de uso e convivência. A modernização de estruturas, a criação e reformulação de áreas destinadas à permanência do público e a integração entre compras, alimentação, serviços e entretenimento refletem a necessidade de adaptação dos centros comerciais contemporâneos.
Mais do que um espaço destinado exclusivamente ao consumo, o SHOPPING METROPOLITANO BARRA consolidou-se como parte da transformação urbana da região. Sua história acompanha a expansão da Barra da Tijuca e de seu entorno, marcada pela chegada de novos moradores, empresas, equipamentos urbanos e sistemas de mobilidade. Nesse contexto, o empreendimento tornou-se um dos elementos que ajudam a compreender a evolução econômica, arquitetônica e social de uma das áreas que mais se modificaram no Rio de Janeiro nas últimas décadas.
Cheguei um pouquinho mais cedo – o início estava programado para as 14:00h – e o pessoal ainda estava finalizando todos os procedimentos necessários. O evento TEXAS BBQ foi montado no estacionamento Oeste do Shopping e a minha primeira providência foi abastecer meu “tanque de combustível”, para poder encarar a jornada que estava se iniciando…

Depois, acessei o cardápio. Fiquei, no entanto, sem entender sobre a que se referia o subtítulo “maior duelo de assadores do RJ” já que, pelo que pude ver, não haveria esse tal “duelo”. O cardápio era um só, com alguns dos itens consagrados do “American BBQ”, uma das muitas variações de churrasco desenvolvidas no sul dos Estados Unidos, onde as carnes são assadas lentamente para garantir sua maciez e sabor.
Como o meu objetivo aqui no ARTECULT não é apenas comer mas, sim, trazer alguma informação que traga relevância àquela experiência, vamos falar um pouquinho sobre o tão conhecido TEXAS BBQ, que dá nome ao evento.

O TEXAS BBQ, ou churrasco texano, representa uma das mais marcantes expressões da culinária dos Estados Unidos. Mais do que uma simples forma de preparar carnes, trata-se de uma tradição gastronômica baseada na defumação lenta, em baixas temperaturas e com o uso de lenha, processo que valoriza o tempo, a técnica e as características naturais da carne. Entre os diferentes cortes preparados nesse estilo, o brisket, ou peito bovino, ocupa posição de destaque e é considerado, o grande símbolo do churrasco do Texas.
A tradição do TEXAS BBQ foi construída a partir de diferentes influências culturais que se estabeleceram no estado ao longo dos séculos. Entre elas estão as técnicas de defumação introduzidas por imigrantes alemães e tchecoslovacos que chegaram à região central do Texas durante o século XIX. Essas práticas foram incorporadas à cultura gastronômica local e, com o passar do tempo, deram origem a um estilo próprio, marcado pela simplicidade dos temperos e pela valorização da fumaça e da qualidade da carne.
O preparo do brisket sintetiza essa filosofia. O corte, retirado da região do peito do animal e caracterizado por fibras mais firmes e significativa quantidade de tecido conjuntivo, recebe tradicionalmente apenas sal e pimenta-do-reino moída de maneira grosseira, combinação conhecida como dalmatian rub. Em algumas receitas, podem ser acrescentados ingredientes como alho ou pimenta-caiena, mas a proposta clássica é manter o tempero discreto para que a carne, a gordura e a fumaça sejam os elementos predominantes.
Depois de temperado, o peito é submetido a um longo processo de cocção indireta, geralmente entre seis e 24 horas, dependendo do tamanho da peça, da temperatura e da técnica empregada. A madeira de carvalho é tradicionalmente utilizada em muitas regiões do centro do Texas, embora outras fontes de calor, como o carvão, também possam ser empregadas. Durante esse período, a superfície da carne desenvolve uma crosta escura e intensamente aromática, conhecida como bark, enquanto a fumaça penetra gradualmente no alimento, formando o característico anel rosado próximo à superfície, chamado de smoke ring.
O longo tempo de cocção tem uma função fundamental: permitir que o colágeno e os demais tecidos conjuntivos se transformem gradualmente, deixando o corte macio e suculento. O resultado é uma carne de sabor profundo, marcada pela presença da fumaça, com textura tenra e gordura responsável por parte importante de sua riqueza e suculência. Apesar da aparente simplicidade, alcançar esse resultado exige domínio de temperatura, controle da fumaça, conhecimento do corte e experiência. É justamente essa combinação de fatores que distingue o trabalho do mestre churrasqueiro, responsável por conduzir todo o processo.
O brisket também pode aparecer em outras preparações tradicionais, como os sanduíches de carne defumada. Nesse caso, partes mais tostadas e intensamente saborosas da carne, conhecidas como burnt ends, podem ser cortadas em pedaços e combinadas com molho, cebola e pão. A preparação aproveita diferentes características do peito bovino e transforma a carne defumada em uma refeição prática, sem abandonar os princípios fundamentais do churrasco texano.
Além do peito bovino, outras duas carnes ocupam lugar de destaque na tradição do TEXAS BBQ: as costelas suínas e as linguiças defumadas. As costelas são preparadas de maneira a preservar a umidade e a suculência, sem que a carne perca completamente sua ligação com o osso. A superfície deve apresentar uma crosta bem desenvolvida, enquanto o interior permanece macio e impregnado pelo sabor da fumaça.
As linguiças, por sua vez, são geralmente produzidas com carne bovina ou com uma combinação de carne bovina e suína. Em estabelecimentos tradicionais, é comum que sejam preparadas artesanalmente e defumadas inteiras. Algumas versões incorporam ingredientes adicionais, como queijo e jalapeño, ampliando as possibilidades de sabor sem romper com a tradição da defumação.
Outro aspecto característico do churrasco texano é a relação com os molhos. Diferentemente de estilos de barbecue em que a carne recebe generosas quantidades de molho durante o preparo ou na hora de servir, no Texas a preferência tradicional é deixar o molho em segundo plano. Quando oferecido, geralmente aparece à parte, permitindo que o consumidor decida se deseja utilizá-lo. A escolha reflete uma filosofia gastronômica que coloca a carne, seus temperos e a fumaça no centro da experiência.
Por isso, é comum que brisket fatiado, costelas e linguiças sejam servidos de maneira bastante simples, muitas vezes sobre papel de açougueiro, acompanhados por guarnições e condimentos separados. A apresentação reforça o caráter informal e comunitário do churrasco, que historicamente está associado a refeições ao ar livre, encontros sociais e celebrações.
O conceito de barbecue, entretanto, é muito mais amplo do que o estilo desenvolvido no Texas. A própria palavra chegou ao inglês por meio do espanhol barbacoa, termo associado aos povos indígenas Arawak do Caribe e utilizado para designar uma estrutura de madeira sobre a qual carnes eram colocadas para cozinhar ou secar lentamente. Ao longo dos séculos, a prática se espalhou e ganhou diferentes interpretações de acordo com as características culturais, climáticas e produtivas de cada região.
Nos Estados Unidos, o barbecue tornou-se especialmente importante no Sul e no Sudoeste, onde diferentes tradições regionais desenvolveram métodos próprios de preparo, cortes preferenciais, madeiras utilizadas na defumação e estilos de molho. Enquanto algumas regiões privilegiam a carne suína, o Texas consolidou sua identidade em torno da carne bovina, especialmente do brisket. Também são encontradas preparações com frango, cordeiro, cabrito, linguiças e frutos do mar, sobretudo nas áreas próximas às costas do Golfo do México e do Atlântico.
Os molhos também ajudam a distinguir essas tradições. Em algumas áreas das Carolinas, predominam versões à base de vinagre; em outras regiões, especialmente no Oeste e no Centro-Oeste, os molhos de tomate ganharam maior espaço. Já no Sudoeste, preparações mais intensas e picantes refletem a influência de ingredientes e tradições culinárias associadas à proximidade com o México.
Nesse contexto, o TEXAS BBQ se consolidou não apenas como uma técnica culinária, mas como parte da identidade cultural do estado. Seu princípio fundamental está na transformação de cortes relativamente simples por meio do tempo, do fogo e da fumaça. A combinação de poucos ingredientes, longas horas de preparo e conhecimento técnico resulta em uma gastronomia que valoriza a paciência e a precisão, tornando o churrasco texano uma das expressões mais reconhecidas da cultura alimentar norte-americana.
Bom, depois de tudo isso, já começou a me dar fome… O “reconhecimento de terreno” é a primeira coisa que a gente deve fazer em qualquer evento de gastronomia. Certamente, não me furtei a essa regra de ouro e olhei para todas as estações.





Como algumas estações ainda estavam finalizando as delícias, comecei pelo que já tinha pronto: os espetinhos…






Depois desse aquecimento, é hora de, realmente, experimentar as carnes. Apesar do título do evento ser TEXAS BBQ, também teria uma amostra do churrasco “fogo de chão”…
O churrasco de chão ocupa um lugar de destaque entre as tradições gastronômicas do Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul. Sua origem, porém, não é totalmente definida e está cercada por diferentes relatos que procuram explicar como essa maneira peculiar de assar a carne surgiu.
Uma das versões mais conhecidas relaciona o preparo aos tropeiros, homens que percorriam longas distâncias conduzindo animais e trabalhando em áreas rurais. Durante as jornadas, a carne poderia ser colocada em espetos improvisados e fincada no solo próximo à fogueira, onde permanecia assando lentamente por várias horas. Ao final do dia de trabalho, encontrava-se aquecida, macia e pronta para ser consumida, tornando-se uma alternativa prática para a alimentação durante as longas jornadas.
Outra narrativa associa a técnica aos povos indígenas, que já utilizavam o fogo e estruturas rudimentares para preparar alimentos ao ar livre. A utilização de suportes confeccionados com materiais disponíveis na natureza teria permitido manter a carne próxima às brasas, proporcionando um cozimento gradual e aproveitando de maneira eficiente o calor da fogueira.

Mais do que determinar uma origem única, essas diferentes versões ajudam a revelar a relação histórica entre o churrasco, a vida no campo e a necessidade de desenvolver métodos simples e eficientes de preparo dos alimentos. Com o passar do tempo, a técnica foi incorporada à cultura gastronômica sulista, ganhou novas formas e passou a fazer parte de encontros familiares, festas e celebrações.
O churrasco de chão tornou-se, assim, um símbolo da tradição gaúcha e da culinária feita ao redor do fogo. Transmitido entre gerações, o costume ultrapassou as fronteiras do Rio Grande do Sul e conquistou apreciadores em diferentes regiões do país, mantendo como essência a simplicidade do preparo, o cozimento lento e o sabor característico da carne assada junto às brasas.
Bom, já que a principal estrela do tal “American Barbecue” é o Brisket, que tal começar por ele? No Brasil, ele é mais conhecido como peito bovino e é um dos novos cortes favoritos para churrascos e preparos lentos. Com textura firme e fibras longas, ele se destaca pelo sabor intenso e pela suculência quando assado ou defumado por várias horas.

Depois, foi a vez de um arroz de costela, prato que nasceu da união de tradições portuguesas de cozidos de arroz com carne e do aproveitamento da costela bovina, um corte popular e de cozimento lento nas fazendas, expandindo-se fortemente pela cultura gaúcha e rurais do país. Ah, e um pãozinho de alho pra arrematar…



Depois foi a vez de pedir um ancho uruguaio, que estava num ponto perfeito, e um torresminho… Além disso, existiam diversas outras opções, mas eu só tenho um estômago, né? E mesmo assim ele é reduzido… Mas diz aí pra mim se você também adora se aventurar nessas brincadeiras gastronômicas porque eu, com certeza, adoro!



E chegamos ao fim desse sábado saboroso. Senti falta, realmente, do duelo. Mas valeu a pena… Espero que, feito os devidos ajustes, tenhamos em breve uma nova edição.

Nos vemos no próximo evento. Até lá!













Excelente, muito bom!