O frio da manhã entrou no quarto, pelas frestras da construção. Tide se encolheu sob as cobertas mas os pés e as mãos estavam gelados e roubaram seu conforto. Enrolado no edredom, levantou-se para aquecer o fogo. Viu, pelo…
Sabemos que o uso comum pelo falante consagra vocábulos e expressões do idioma. Da mesma forma, faz com que outros sejam substituídos ou modificados. Sabemos, também, que neologismos, muitas vezes, nascem na incorporação de expressões ou palavras de outros idiomas,…
Voltando para casa, ouvi Erasmo Carlos no rádio, cantando “Minha Superstar”, música do álbum “Mulher”. Eu tinha 10/11 anos quando Erasmo lançou o disco, com uma capa ousada na época (uma foto dele sendo amamentado por sua esposa) e um…
Sete de setembro. Esta não é uma crônica sobre a data cívica. Embora meu pai, militar, amasse as paradas e me acordasse para ver o desfile com ele, mesmo eu sendo uma companhia muda e desinteressada, como toda criança…
As tranças, presas com elástico, caíam nas costas da menina. Carmem procurava fitas na caixa de costura e retalhos. Afastava os objetos misturados, na pressa de saírem para a escola. – Olha, vó! Luvas! – Deixa isso aí. Carmem amarrou…
Compartilharam comigo o artigo do Helio Schwartsman, escrito há umas semanas para a Folha de São Paulo: “Quem pode interpretar quem?”. Nele, questionava-se uma possível tendência global de imporem-se exigências específicas para se interpretarem personagens no teatro. Mal resumindo,…
Depois do teatro, um bate-papo num restaurante charmoso selou a noite, com uma amiga, em Ipanema. Sentar-se numa mesa na calçada é arriscar abordagens diretas, pois o número de pedintes na cidade aumentou demais. Um homem parou na rua,…
Na semana em que Jô partiu, o mundo perdeu uma fração de gentileza, mas Caetano a repôs com sua poesia. No fim da semana em que Milton se despedia dos cariocas, lamentei não ter um ingresso para estar em sua…
Na pandemia, trabalhando isolada em casa, criei vínculos com a natureza como nunca antes. Passei a prestar atenção em detalhes e processos que me escapavam. Foi a parte boa do distanciamento: adquirir o hábito de observar o “nada” e tropeçar…
Agora é oficial. Vamos parar com as desculpas. Motivos existem. Atropelam a vida. Se deixarmos, a vida atropela a arte. Corremos, sem focar na respiração e perdemos o ar. Mas vamos parar. Abrir espaço. Reservar o dia. Um dia que…