
Coluna de Chris Herrmann

“O Mito Santana” – Arte Digital: Chris Herrmann
SANTANA — A CHAMA LATINA DA GUITARRA
Quando a música vem antes das palavras
Antes de ser um guitarrista, Carlos Santana foi um menino cercado por música. Nascido em 20 de julho de 1947, em Autlán de Navarro, no estado de Jalisco, México, ele cresceu ouvindo o violino do pai, José Santana, músico de mariachi. Foi com o violino que Carlos aprendeu, ainda criança, o valor da nota longa, sustentada, quase vocal — algo que mais tarde se tornaria sua marca registrada na guitarra elétrica.

A família se mudou para Tijuana no início dos anos 1950, e foi ali que Santana teve seu primeiro contato com o blues norte-americano, ouvindo artistas como B.B. King, John Lee Hooker e T-Bone Walker nas rádios que atravessavam a fronteira. Quando finalmente troca o violino pela guitarra, Carlos não abandona o arco invisível: ele passa a “puxar” o som, deixando as notas respirarem.
São Francisco: psicodelia, percussão e identidade
No início dos anos 1960, já vivendo em São Francisco, Santana mergulha na efervescente cena psicodélica da cidade. Ali, ele absorve jazz, rock ácido, blues elétrico e, sobretudo, percussões afro-latinas, que passam a ser o coração rítmico do seu som.
Nasce então a Santana Blues Band, que logo se tornaria apenas Santana — uma banda onde congas, timbales e bongôs não eram adorno, mas protagonistas. Era algo completamente novo no rock.
Woodstock (1969): a apresentação que mudou tudo
A apresentação de Santana no Festival de Woodstock, em agosto de 1969, é um dos momentos fundadores da história do rock. Até então pouco conhecida fora da Califórnia, a banda sobe ao palco e entrega uma performance incendiária de “Soul Sacrifice”, com solos extensos e percussão hipnótica.
Aquele show transformou Santana em um nome mundial.
Discografia
Santana (1969)
O álbum de estreia traz o primeiro grande sucesso: “Evil Ways”. Um disco cru, energético, com forte influência do blues elétrico.
Abraxas (1970)
Considerado por muitos sua obra-prima inicial, contém:
- “Black Magic Woman”
- “Oye Como Va”
- “Samba Pa Ti”
Aqui, Santana define definitivamente sua linguagem musical.
Santana III (1971)
Mais agressivo e instrumental, com destaque para “Everybody’s Everything” e “No One to Depend On”.
Caravanserai (1972)
Uma virada estética: menos hits, mais jazz fusion e espiritualidade. Um disco contemplativo, muito admirado por músicos.
Welcome (1973) / Borboletta (1974)
Período de experimentação profunda, diálogo com jazz e música espiritual.
Supernatural (1999)
O grande renascimento. O álbum une Santana a artistas contemporâneos:
- “Smooth” (com Rob Thomas)
- “Maria Maria”
- “Corazón Espinado” (com Maná)
Ganhou 8 Grammys em uma única noite, incluindo Álbum do Ano.
Prêmios e reconhecimentos
- 10 prêmios Grammy
- 3 Latin Grammy Awards
- Rock and Roll Hall of Fame (1998)
- Kennedy Center Honors (2013)
- Supernatural incluído no Grammy Hall of Fame (2025)
Um guitarrista que criou caminhos
Santana não apenas influenciou guitarristas — ele abriu portas estéticas. Sua fusão inspirou:
- bandas de latin rock e world music
- guitarristas de fusion e blues contemporâneo
- artistas pop interessados em misturar tradição e modernidade
Seu impacto pode ser sentido em músicos latino-americanos, na cena californiana, no jazz-rock e até em colaborações intergeracionais.
Santana em palavras: frases que revelam sua visão
“Eu não toco notas. Eu toco sentimentos.”
“A guitarra é só um instrumento. A música vem da alma.”
“Quando você toca com amor, o público sente — mesmo sem entender o idioma.”
Curiosidades que dizem muito
- Começou no violino, não na guitarra
- Medita diariamente há décadas
- Criou a Milagro Foundation, voltada à educação e saúde infantil
- Diz que seu maior objetivo é “tocar música que cure”
Agenda de shows – 2026
Oneness Tour 2026
- Janeiro 2026 – Residência em Las Vegas (House of Blues / Mandalay Bay)
- Março–Abril 2026 – Turnê pela América do Norte
- San Antonio
- New Orleans
- Durham
- St. Augustine
- Hollywood (FL)
Por que Santana continua essencial
Carlos Santana é mais do que um guitarrista lendário. Ele é um tradutor cultural, alguém que transformou herança latina, blues norte-americano, jazz espiritual e rock elétrico em uma linguagem única. Sua guitarra não grita — ela canta. E continua cantando, década após década, como uma chama que não se apaga.

Las Vegas, NV – Nov/2020 | Photo by Ethan Miller/Getty Images
Fontes:
- Santana.com (site oficial)
- Britannica
- Rolling Stone (US)
- GRAMMY / Recording Academy
- The Guardian
- AP News
- MusicRadar
- YouTube



CHRIS HERRMANN










Maravilhoso, Chris! Retorno aos velhos tempos dos anos 70/80, mas em especial ao show de Santana em Porto Alegre/2006, com mais de 3 horas de cartase. Um dos maiores guitarristas de todos os tempos da música. Obrigado por nos trazer Santana até nós novamente. Ah, sua arte ficou linda!
É muito gratificante ter esse retorno, Luiz, ainda mais porque sei que você também gosta muito de rock clássico, como eu. Há muitos anos também assisti o Santana ao vivo. Foi em Colônia, na Alemanha. Era mais que um show pra mim, era uma felicidade coletiva. Realmente um privilégio fazer parte da geração que pode assisti-lo ao vivo, como nós. Agradeço a leitura. Que bom que também gostou da arte. Um abraço!
Obrigado pelo resumo da história de vida e artística desse grande mestre da guitarra. Acho Santana o máximo, tenho vários de seus LPS. Grato por essa matéria. Bjs
É uma alegria saber que você também é um fã do Santana, Tanussi. Um talento inegável que nos emociona. Eu tinha os vinis dele antes de ir pra Alemanha em 1996. Precisei me desfazer, mas depois me arrependi amargamente. Agora, estou me redimindo comprando vinis de colecionadores, e os do Santana estão entre eles. O Abraxas foi o primeiro. Adoro. Beijos, meu amigo!