Sabedoria Ancestral: O Segredo do Ideograma Chinês do Imperador

 

Você já parou para pensar por que algumas pessoas parecem ter uma vida mais fluida, com propósito claro e realizações concretas, enquanto outras vivem em constante conflito interno? A resposta pode estar em uma sabedoria milenar chinesa, escondida em um simples ideograma.

O símbolo chinês do imperador (王 – wáng – em chinês e 王 – ou – em japonês) carrega em si uma lição profunda sobre como viver de forma integrada e plena. Mais do que apenas um caractere, ele é um verdadeiro mapa para a autorrealização.

Fonte: youtube

 

Os Três Mundos que Habitamos

Imagine sua vida como três andares de uma casa. No andar superior, vive seu mundo espiritual – seus valores mais profundos, seu propósito de vida, aquilo que te move verdadeiramente. É de lá que vem sua inspiração, sua intuição e seu senso de direção na vida.

No andar do meio, fica seu mundo mental e emocional – seus pensamentos, sentimentos, crenças e a forma como você processa a vida. É aqui que acontece algo fundamental: você toma consciência de quem realmente é.

Sabe quando você para e percebe: “Nossa, isso me incomoda profundamente” ou “Isso me faz sentir vivo”? É nesse andar que você reconhece o que te alimenta a alma e o que te drena energia. É onde você identifica seus padrões – aqueles pensamentos que se repetem, as emoções que te visitam com frequência, as crenças que carrega desde sempre.

É aqui que você se pergunta: “Por que reajo assim a críticas? Por que me sinto tão bem fazendo isso? O que esse medo está tentando me dizer?” É o espaço do autoconhecimento real, onde você não apenas sente, mas compreende o que está sentindo e por quê.

No andar térreo, está seu mundo físico e material – seu corpo, suas necessidades básicas, suas realizações concretas, seu trabalho, suas relações tangíveis.

 

O Problema da Desconexão

Muitas vezes, vivemos como se esses três andares fossem casas separadas. Temos ideais lindos lá em cima, mas nossa mente vive ansiosa e nosso corpo negligenciado. Ou cuidamos bem do físico, mas perdemos o contato com nosso propósito maior.

E não é por acaso que isso acontece. Nossa cultura nos treina para olhar sempre para fora – para as expectativas dos outros, para as cobranças externas, para os padrões que devemos seguir. Desde pequenos, aprendemos a nos desconectar de nós mesmos. Ninguém nos dá tempo ou espaço para simplesmente estar em contato com nosso eu interior.

É um exercício que pode levar uma vida inteira: perceber esse desalinhamento, reconhecer quando estamos vivendo fragmentados. Muitas pessoas chegam aos 40, 50 anos e de repente se perguntam: “Quem sou eu, afinal? O que realmente quero?

O resultado? Aquela sensação persistente de que algo não encaixa, de que a vida está “travada” ou sem sentido. É como tentar tocar uma música com instrumentos desafinados – por mais que você se esforce, a melodia não flui, não toca a alma.

 

A Harmonia do Imperador Interior

O ideograma do imperador nos ensina que a verdadeira maestria – começando pela maestria de nossa própria vida – acontece quando esses três níveis conversam harmoniosamente entre si.

Quando seu mundo espiritual dialoga com seus pensamentos e emoções, e ambos se refletem no cuidado com seu corpo e nas suas ações no mundo material, algo mágico acontece: a vida ganha fluidez. É uma dança de ida e volta – suas realizações concretas, seus cuidados físicos e suas experiências materiais também nutrem sua consciência, refinam suas emoções e fortalecem sua conexão com seu propósito maior. É um ciclo virtuoso onde cada nível alimenta e é alimentado pelos outros.

 

E se você pudesse viver com essa mesma integração?

Que tal começar hoje mesmo a observar esses três níveis em sua vida? Nos comentários, conta para mim: qual deles você sente que mais precisa de atenção?

 


Katia Salvaterra

Siga-nos nas redes sociais: @artecult

 

 

Author

Katia Salvaterra se formou em Psicologia em 1989 pela UFRJ. Começou sua vida profissional no mundo Corporativo, trabalhando em R.H, mas o atendimento clínico lhe chamava por sua forte curiosidade em compreender o comportamento humano e poder usufruir do poder transformador da arte do encontro. Deu início a sua formação em Gestalt-terapia tendo atuado por 5 anos com essa especialidade da Psicologia. Nessa época, sem perceber, começou a colocar o seu pé no Oriente, já que uma das bases teóricas dessa linha de pensamento, Gestalt, está no Zen Budismo. Simultaneamente aos atendimentos terapêuticos, começou a praticar Tai Chi Chuan tornando-se instrutora. Nesse caminhar, entrou em contato com as massagens orientais, SHIATSU (Japonesa) e TUI NÁ (Chinesa), através de curso de formação no IARJ. Trabalhar com o toque curativo, com o poder milenar da Medicina Chinesa lhe encantou e a fez seguir na sua busca. Em SP, continuou a prática com mestres chineses, aprimorando a massoterapia e se formando em acupuntura. Esteve, também, na Espanha e na China, em contato com outros mestres que pudessem contribuir com a sua busca e aprofundar ainda mais seus conhecimentos. Essa inspiração a fez abrir um ambulatório de terapias integrativas numa comunidade carente, onde, junto com uma equipe de estagiários, ajudou a muitas pessoas através da acupuntura e da massagem. A sua inquietude continua movendo-a para um novo formato, através da atenção plena ao corpo, à respiração, à emissão dos sons, onde todas as histórias da vida ficam registradas e podem ser acessadas. O oriente e o ocidente estão, juntos, contribuindo para servir ao paciente. Esse é um novo caminho que está sendo delineado, gestado, mas, ela já sente o influenciar desse conjunto de habilidades conquistadas nos seus atendimentos, ampliando possibilidades e oferecendo ferramentas para servir. Meu objetivo é entregar uma leitura do olhar oriental sobre espírito, mente, emoção e corpo através do mundo da terapia integrativa. Site: http://bit.ly/34FXVA5

One comment

  • Equilíbrio fino mas imprescindível, esse, dos nossos três pilares. Há muita ciência de vida cocndensada nesse símbolo. Parabéns pelo texto!

    Reply

Deixe uma resposta para ANA LUCIA COZZOLINO GOSLING Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *