PINTURA

Coluna de Márcio Calixto

IArte – Chris Herrmann

 

PINTURA

 

Há tempos tenho sido levado a um desejo bastante peculiar e singelo: quero pintar meus 3 filhos em um quadrinho pequeno mesmo. Eu não sou pintor. As poucas pinturas que fiz foi com minha filha quando ela era muito nova. Foram uns desenhos delicados, femininos, nada que não sirva a algo além de um momento pai e filha. Eles são lindos.

Porém, bem distante de um apreço ao momento, quero pintar meus filhos. Colocando seus rostos lado a lado, apenas um breve perfil dos 3 unidos, marcando a singularidade da data de seus aniversários e perfilando suas primeiras infâncias. Por ter filhos em fases tão distintas de suas vidas, penso que preciso registrá-los bem além da foto. Ao mesmo tempo, tenho sentido um desejo de retorno ao desenho. Julgo que seja a presença do caderninho, onde ora escrevo essa crônica. Já expus aqui o meu desejo à constância da escrita, da crônica em especial, coloquei-me em um número mágico que irei consagrar aqui no Artecult. Desde que passei a me compor do caderninho, passei a compor indistintamente.

Há um detalhe também. Desde que comprei esse apartamento onde me encontro agora, a varanda meio que tem me convocado à pintura. Descobri que meu vizinho é afeito a esses mesmos sentimentos. Dias desses, em Agosto de 25, fomos eu e Dona Digníssima cortar o cabelo das crianças. Do Théo seria a primeira vez. No local, um shopping, há algumas lojas e papelarias que têm esse material para pintura à venda. Ver meu mais novo zanzando por entre elas e o meu do meio cuidando do mais novo me trouxe ainda mais esse desejo pela pintura.

É como se me redespertasse do um sono. Será que devo mesmo seguir à pintura também? Ou estou apenas em um processo de entrega à produção que tem me movido a alguma confiança exótica e particular? Há décadas não desenho com o desejo de produzir algo artístico, com a intuito de validar traços e estilo. Faço-o com palavras, caminhei o caminho dos axiomas e exegeses peculiares, sintomáticas, íntimas. O que me fazer, então, nessa gama de sentimentos perfilados? Realmente pintar?

 

 

MÁRCIO CALIXTO
Professor e Escritor

Márcio Calixto | Foto: Divulgação


Coluna de Márcio Calixto

 

 

 

 

com Chris Herrmann

 

com Márcio Calixto

 


com Ana Lúcia Gosling

 

com César Manzolillo


com Tanussi Cardoso

com Rose Araújo

 

 

Author

Professor e escritor. Lançou em 2013 seu primeiro romance, A Árvore que Chora Milagres, pela editora Multifoco. Participou do grupo literário Bagatelas, responsável por uma revolução na internet na primeira década do século XXI, e das oficinas literárias de Antônio Torres na UERJ, com quem aprendeu a arte de “rabiscar papel”. Criou junto com amigos da faculdade o Trema Literatura. Tem como prática cotidiana escrever uma página e ler dez. Pai de 3 filhos, convicto carioca suburbano bibliófilo residente em Jacarepaguá. Um subúrbio de samba, blues e Heavy Metal. Foi primeiro do desenho e agora é das palavras, com as quais gosta de pintar histórias.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *