Nara Roesler inaugura duas novas exposições para mês de setembro

No sábado (29), na Nara Roesler, às 11h da manhã, ocorreu a abertura das exposições “Talk in tongues”, focado na projeção para o futuro, com curadoria de Magali Arriola. E da exposição da artista Sheila Hicks, “Autobiografia de um fio”, com curadoria de Luis Perez-Oramas, diretor artístico da Nara Roesler

Exposição “Speaking in Tongues”

A exposição é baseada no conceito do Oráculo e a ideia de projeções sobre o futuro, de acordo com a curadora Magali Arriola, a ideia da aconteceu durante uma conversa com Daniel Roesler e Luis Pérez-Oramas sobre exposição comemorando 50° de Nara Roesler e seu futuro como galerista.

“Trata-se tanto da história da galeria quanto do seu futuro. Daí a ideiade trabalhar em trono do conceito de oraculo. Há muito tempo queria trabalho com Ann Lislegaard e sua obra Oráculos, Corujas…Alguns animais nunca dormem” segundo Arriola. A curadora também destacou que qualquer tentativa de projeção é incerta gerando assim uma forma de confusão de afirmações e declarações.

A obra que mais me chamou a atenção foi Julia Gallo, titulada “O iniciado”, pitnada em preto e branco, a obra traz uma criatura hibrida de vários animais de classes e espécies diferentes, alguns deles trazendo expressões de dor e tristeza. A obra causa uma sensação de confusão quando observada por mais tempo, como se sua interpretação nunca estivesse completamente definida. Para o visitante, a experiência pode estabelecer uma relação com a própria proposta da exposição: a tentativa de compreender algo que ainda não aconteceu.
Dentre outras obras está presente “Snake and Flowers” de Jonathan Torres, trazendo imagens de serpentes agitadas entre flores, a obra chama a atenção por sua extravagância colorizada, entre as serpentes e flores é possível visualizar imagens que se parecem com rostos humanos.

Exposição “Autobiografia de um fio”

A exposição de Sheila Hicks foi uma mistura entre beleza, arte têxtil e conhecimento cultural. Contou com a obra “Zapallar Domingo II”, trabalhos recentes e inéditos. Além de uma sala transmitindo dois documentários sobre a artista.

Uma das obras inéditas da exposição é “Talking Sticks”, baseada na tradição nativa-americana onde o direito de fala era dado somente para a pessoa que segurava um bastão (stick).

Na segunda área de exposição de Hicks é encontrado artes que parecem pinturas, mas na verdade são artes criadas a partir de linho, lã, seda, e outros materiais têxtil. Nessas obras encontra-se “Blue Mirage” (2024), criada inteiramente por linho, a obra traz uma bela imagem de linhas das cores azul e amarelo, a mistura de cores me remeteram uma imagem de uma praia, e “Constellation Amphibene” (2025), como já dito no título, assemelha-se como estrelas, porém criadas com linho, algodão e lã.

 A história de Sheila Hicks

Sheila Hicks nasceu em 24 de julho de 1934, em Hastings, Nebraska, e reside em Paris desde 1964. Considerada uma das pioneiras da arte têxtil, a artista construiu uma trajetória marcada pela experimentação com fibras, tecidos e diferentes materiais, aproximando a produção têxtil do campo da arte contemporânea.

Ao longo de sua carreira, Hicks rompeu com o tradicional formato bidimensional associado aos tecidos e passou a explorar volumes, cores e estruturas tridimensionais. Suas obras utilizam materiais como linho, lã e fibras industriais, além de objetos encontrados, como conchas, penas, uniformes de enfermeiros e militares. Recentemente, Hicks tem utilizado materiais biodegradáveis em suas obras.

Segundo Luis Perez-Oramas, curador da exposição, a dimensão internacional da trajetória de Hicks é um dos elementos que ajudam a compreender a importância de sua produção.

“Sheila Hicks foi a primeira artista têxtil inteiramente global, antes mesmo da criação deste termo. É a primeira artista que pesquisou tecidos nos cinco continentes, tendo consciência de todas as linguagens, ancestrais e contemporâneas, da arte têxtil. Isso não é pouca coisa, é algo enorme.”

Relação de Hicks com a América Latina

De acordo com Perez-Oramas, a América Latina está no DNA das obras de Hicks, pois, desde que começou a estudar em Yale, a artista recebe influências da América Latina. Entre elas, está uma leitura intitulada “Raoul D’Harcout”, sobre arte têxtil do Peru ancestral, que a introduziu às culturas de tecelagem e fios da América Latina, além dos ensinamentos de arte pré-colombiana do historiador George Kluber (1912-1996).

Em 1957, fez sua primeira viagem para o Chile, onde ministrou aulas que eram de seu professor de Yale. Em terras chilenas, Hicks teve sua primeira exposição como pintora, no Museu Nacional de Belas Artes, em Santiago.

Hicks também teve contribuições políticas. “Em Caracas, ela se vinculou a republicanos espanhóis que conspiravam para derrubar a ditadura de Marcos Pérez Jiménez, mas também com artistas venezuelanos fundamentais, como Alejandro Otero e Gego. Ela visitou as obras em andamento da Cidade Universitária de Caracas junto ao arquiteto Carlos Raúl Villanueva, o Niemeyer da Venezuela”, relatou Perez-Oramas.

Sheila também morou no México e trabalhou como fotógrafa. Nesse período, ela conheceu figuras fundamentais da arte e arquitetura hispano-americana, nomes como Felix Candela, Luís Barragan, Ricardo Legorreta, Mathias Goeritz, Manuel Alvares Bravo, Leonora Carrignton, entre outros.

Relação com o Brasil

A relação de Sheila Hicks com o Brasil teve um momento importante em 2011, quando a artista participou da 30ª Bienal de São Paulo. Na ocasião, Hicks ocupou aproximadamente 400 m² com um conjunto de obras de diferentes períodos de sua carreira, além de documentos pessoais e uma intervenção site-specific.

O contato estabelecido entre Hicks e Luis Pérez-Oramas desde então contribuiu para a realização da exposição “Autobiografia de um fio”, apresentada pela Nara Roesler em 2026.

 

Serviço: Exposições “Speaking in tongues” e “Sheila Hicks – Autobiografia de um fio”

Nara Roesler São Paulo

Abertura: 29 de agosto de 2026, das 11h às 15h

Exposição: até 24 de outubro de 2026

Entrada gratuita

Avenida Europa, 655

Segunda a sexta, das 10h às 19h

Sábado, das 11h às 15h

Telefone: 55 (11) 2039 5454

info@nararoesler.art

Comunicação: Thaís Schio – com.sp@nararoesler.com

Canais digitais:

https://nararoesler.art/

Instagram – @galerianararoesler

Facebook – @GaleriaNaraRoesler

YouTube – https://www.youtube.com/user/galerianararoesler

Mais informações: CWeA Comunicação

Claudia Noronha – +5521.99360.2330

Lilian Diniz – +5521.99372.6395

cwearte1@gmail.com

Pedro H Nogueira 

Author

Interessado por arte, literatura, cinema e heavy metal. Gosto de conhecer diferentes movimentos artísticos e entender suas relações com os contextos históricos e sociais de cada época.

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