Ghost – Infestissumam (2013): quando o ritual ganhou proporções maiores

Foto: Divulgação

Lançado em 2013, Infestissumam marcou o momento em que o Ghost deixou de ser apenas uma curiosidade sombria do underground para se consolidar como uma das bandas mais instigantes do rock contemporâneo. Segundo álbum de estúdio do grupo sueco liderado por Papa Emeritus II, o disco ampliou ambições, estética e discurso, tanto musical quanto conceitualmente.

Se o debut Opus Eponymous (2010) soava cru, direto e ritualístico, Infestissumam surge como uma obra mais teatral, grandiosa e provocadora, sem abrir mão da ironia blasfema que já era marca registrada da banda.

Um disco sobre o mal humano

O título Infestissumam vem do latim e pode ser traduzido como “o mais hostil” ou “o mais infestado”. A ideia central do álbum gira em torno da infestação do mal na sociedade, não como algo sobrenatural, mas como consequência direta da ação humana.

Diferente do primeiro disco, onde Satanás era o protagonista quase literal, aqui o Ghost começa a olhar para o comportamento das pessoas, usando religião, poder, luxúria e manipulação como metáforas centrais.

Expansão sonora e novas influências

Musicalmente, Infestissumam representa um salto ousado. O Ghost passa a incorporar com mais clareza o rock ocultista dos anos 70, a psicodelia, o hard rock clássico e arranjos corais que reforçam o clima operístico do álbum.

Faixas como “Secular Haze” e “Year Zero” evidenciam esse novo fôlego, com músicas mais longas, atmosferas densas e refrões pensados para grandes palcos. Já “Ghuleh / Zombie Queen” aposta em mudanças bruscas de andamento, revelando uma banda confortável em experimentar.

A polêmica como combustível

O álbum também ficou marcado por controvérsias. Problemas com fábricas de CDs nos Estados Unidos atrasaram o lançamento por conta da arte gráfica considerada ofensiva, enquanto “Year Zero” virou alvo de críticas pelo coro explícito de nomes demoníacos.

Longe de prejudicar a banda, essas situações ajudaram a solidificar a imagem do Ghost como provocador consciente, que utiliza o choque como linguagem artística e não como fim em si mesmo.

A arte da capa e a referência a Amadeus

A capa de Infestissumam traz uma referência direta ao filme Amadeus (1984), dirigido por Miloš Forman, especialmente às cenas que retratam excessos, decadência e conflitos morais por trás da pompa religiosa e artística. Ao adaptar essa estética para o seu próprio universo, o Ghost cria uma imagem que contrapõe grandiosidade e corrupção, dialogando com o conceito do álbum de forma simbólica. Assim como no filme, a arte sugere que por trás do esplendor institucional existe um ambiente dominado por vaidade, luxúria e degradação, reforçando a crítica do disco às estruturas de poder e à hipocrisia moral.

O álbum que abriu as portas do mundo

Infestissumam foi fundamental para a expansão internacional do Ghost. A partir dele, a banda passou a frequentar grandes festivais, ampliar turnês e construir uma base de fãs cada vez mais diversa, inclusive fora do metal tradicional.

Mais do que um segundo disco, Infestissumam é o trabalho que estabelece o Ghost como conceito, espetáculo e discurso, pavimentando o caminho para a narrativa mais complexa que seria desenvolvida nos álbuns seguintes.

JEFF FERREIRA 

Author

Sou Jeff Ferreira, apaixonado por música desde sempre. Há 8 anos, transformo minha paixão em matérias, entrevistas e análises que aproximam artistas e fãs. Nerd por natureza, adoro explorar histórias, descobrir novas sonoridades e compartilhar tudo isso em textos que vão além das palavras — porque, para mim, música é emoção, é vida, é conexão.

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