Atriz e pesquisadora, ela integra a adaptação de As Meninas, estreia no elenco de As Troianas em 18 de agosto e vem de protagonizar e produzir a montagem carioca do Diário de Anne Frank — sempre em trânsito entre as cenas do Rio de Janeiro e de São Paulo

Giovanna Sassi – Foto: Fabio Audi.
Para montar o Diário de Anne Frank, Giovanna Sassi escreveu o texto enquanto reunia um elenco de nove atores vindos de diferentes cidades, sob prazo apertado. A peça, que ela também protagonizou e produziu, nasceu desse tipo de urgência e ajudou a fixar um jeito de trabalhar que hoje define sua carreira: atuação, pesquisa e produção caminhando juntas, não em sequência.
Giovanna é atriz e pesquisadora, mestranda em Artes Cênicas pela USP, com um repertório bibliográfico e conceitual que vai dos anos 1970 até hoje, um olhar que orienta tanto sua atuação quanto os projetos que ela ajuda a viabilizar. Nascida em Niterói, hoje transita entre as cenas teatrais do Rio de Janeiro e de São Paulo, e é nesse trânsito, mais do que em qualquer discurso sobre método, que constrói boa parte do seu olhar sobre o ofício.
Giovanna também é cofundadora do Centro Cultural Scuola di Cultura, em Niterói, e uma das idealizadoras do Festival de Teatro Musical de Niterói e da Scuola di Teatro Lucia Cerrone, um projeto voltado para levar o teatro e as diferentes profissões da área para estudantes da rede municipal de Niterói, pensando a importância da cultura como eixo formativo e transformador.

Giovanna Sassi – Foto: Fabio Audi.
De Lygia Fagundes Telles ao clássico grego
Sua próxima peça é As Meninas, romance de Lygia Fagundes Telles, com adaptação teatral assinada por Maria Adelaide Amaral. Giovanna integra o elenco, ainda em formação, e também assina a produção do espetáculo. Fez questão de evitar que as protagonistas tivessem o mesmo perfil dela: uma escolha deliberada por diversidade de corpos e histórias em cena.
Ao mesmo tempo, estreia no elenco de As Troianas, sob direção de Zé Henrique de Paula, pelo Núcleo Experimental, uma adaptação do clássico grego para o contexto real da Torre das Donzelas, presídio de mulheres que funcionou na Estação Tiradentes, no Rio de Janeiro. A estreia é em 18 de agosto, com temporada às terças e quartas, às 20h, até 07 de outubro.
Fora do palco, Giovanna também se dedica a expor um lado pouco visível do teatro brasileiro: os bastidores de quem produz de forma independente, sem uma grande companhia por trás: os dilemas de elenco, os prazos de edital, a rotina constante de testes e audições, a preparação dos materiais de trabalho e as contínuas capacitações para o aperfeiçoamento profissional, além de todo o trabalho que continua mesmo quando as luzes se apagam. É um tema que ela trata com conhecimento de causa, recorrendo a mecanismos de fomento para viabilizar seus próprios projetos.
Entre a pesquisa acadêmica, o palco e os bastidores da produção, Giovanna Sassi vem construindo uma carreira em que essas frentes não se revezam, coexistem. Mais do que uma escolha de momento, trata-se da trajetória de uma atriz determinada a viver a vida inteira dedicada ao teatro e que, enquanto atua, trilha conscientemente os caminhos para tornar esse sonho possível. É esse cruzamento, mais do que qualquer estreia isolada, que dá corpo aos próximos passos da atriz dentro e fora de cena até o fim do ano.









