
com César Manzolillo

GRITO
A Edvard Munch
Naquela manhã, o tempo acordou antes dele. Os ponteiros do relógio giravam para trás, como se quisessem desfazer a noite. Edgard despertou com o coração batendo fora do peito. As paredes do quarto murmuravam lembranças que ele nunca tinha vivido. Abriu a janela, e a paisagem o encarou de volta. O céu tinha olhos, e as nuvens cochichavam entre si. O horizonte se curvava, como se estivesse prestes a engolir o mundo. Sentia o chão tremer sob seus pés embora tudo estivesse imóvel. As árvores dançavam sem vento, e o silêncio tinha som. Foi aí que Edgard abriu a boca. E então o grito veio.

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