Mario Ferraro: O premiado compositor, pianista e professor é o idealizador e diretor artístico da BOA.pocket!, que vai apresentar três óperas inéditas de curta duração. Confira a entrevista!

Estreia acontece na Sala Mario Tavares no dia 10 de dezembro

No dia 10 de dezembro, sábado, a partir das 17h, no palco da Sala Mario Tavares (no prédio anexo do Theatro Municipal do Rio de Janeiro), será realizada a primeira edição da BOA.pocket!.

A mostra, com entrada franca,  vai apresentar três óperas inéditas de curta duração, assinadas por uma equipe criativa de peso que reúne grandes nomes como Arrigo Barnabé, Karen Acioly, Armando Lôbo, Guilherme Gontijo Flores e Mario Ferraro – o idealizador do projeto.

Boa.pocket! é a versão “de bolso” da BOA: Bienal de Ópera Atual, patrocinada pela Funarte em 2016.  Grande sucesso de público e crítica, a BOA apresentou óperas inéditas de compositores brasileiros, marcando a história recente da ópera no Brasil.

A música de Mario Ferraro tem sido tocada em várias partes do mundo por músicos da Royal Academy of Music (Londres), London Sinfonietta, Nieuw Ensemble (Amsterdam), Contemporaneous (EUA), Quinteto de Villa-Lobos, ABSTRAI Ensemble, entre outros. Sua carreira internacional foi amplamente desenvolvida durante sua estadia em Londres para seu Doutorado em Música na City University of London (2007-2012), e muitos de seus trabalhos foram estreados por lá, incluindo a ópera de câmara “The Moonflower”, em 2011. Sua primeira ópera para crianças, “O Comedor de Nuvens”, também estreou em Londres e no Rio de Janeiro, em 2013. Premiado em várias ocasiões em concursos de composição clássica no Brasil, o compositor apresentou “Medeia”, sua terceira ópera, no Rio, em 2016. Ferraro é professor de música na Universidade Federal do Rio de Janeiro (Colégio de Aplicação) desde 2003.

A proposta da Boa.pocket! é trazer o evento de volta aos palcos da cidade neste período de retomada cultural.

“Queremos dar espaço a criações originais que tratem de temas atuais e se desvinculem da ópera tradicional, dialogando francamente com a contemporaneidade,” explica Ferraro.

 

ENTREVISTA

Mario Ferraro. Foto: André Pinnola

Nesta breve entrevista ao site ArteCult ele revela mais detalhes sobre o projeto:

1. A 1ª edição da BOA foi em 2016 e agora o evento retorna com uma versão de bolso, a BOA.pocket! O que as duas versões têm em comum?

Mario Ferraro: O propósito, que é estimular a produção operística e ser como um celeiro de criação de óperas de hoje para o público de hoje.

2. Estamos na era da velocidade e dos textos curtos. Como você explica para os seus alunos a atualidade de um gênero como a ópera?

Mario Ferraro: A ópera, ao misturar linguagens relacionadas não só com a música, mas também com o teatro, é um campo fantástico de experimentação artística! Se se utilizar de recursos e tecnologias atuais para contar uma história que fale do nosso tempo, então, mais ainda pode proporcionar uma experiência inimaginável para o público que a assiste.

3. No evento haverá a estreia de Protocolares, ópera criada por você que aborda o universo do funcionalismo público carioca de uma forma bem-humorada. Porque você escolheu este tema?

Mario Ferraro: Ainda que seja um tema importante, no caso da Protocolares o universo do funcionalismo público não é mais que o cenário arquetípico escolhido para o confronto entre os valores humanos básicos e os obstáculos criados por um sistema de opressão burocrático e corrupto. Tudo isso sob uma ótica tão amoral quanto bem-humorada.

4. Você é de SP, o que encanta e o que incomoda você no jeito carioca de trabalhar?

Mario Ferraro: O Rio sempre me encantou pelo seu conjunto. Afinal, tem sido o meu lar por décadas, lugar onde meus filhos nasceram e cresceram. O povo carioca já foi mais cordial e sorridente do que é hoje, isto é fato. No entanto, gosto de perceber que essa tendência à felicidade e à alegria ainda permanece.

5. Podemos esperar o retorno da BOA na versão original?

Mario Ferraro: Sim!! A segunda edição da BOA: Bienal de Ópera Atual para 2023 está em vias de sair do papel!

 

Programação BOA.pocket!

Larilá, ópera infanto juvenil de Arrigo Barnabé, com libreto e encenação de Karen Acioly, conta a história da menina Larilá – moradora de uma comunidade-  que vende mariolas nos sinais de trânsito. Seu maior desejo é poder se alimentar para além do pão nosso de cada dia, de livros, histórias e conhecimento. A ópera, inspirada em fatos reais, conta com a participação especial das crianças Arthur Pollard e Manuela Percegoni, do coral infantil da Escola de Música da UFRJ.

Dadá é uma ópera sobre o ceticismo convulso. Tem música e libreto de Armando Lôbo e faz uma leitura completamente livre e especulativa da situação psicológica de Dadá, companheira do cangaceiro Corisco, e de Justina, sua afilhada fictícia. Uma recriação poética e inusitada que explora a ambiguidade das personagens, a partir de alguns episódios da vida madura de Dadá. A obra põe em choque visões de mundo distintas, sem apontar caminhos senão os do assombro.

O diretor Mario Ferraro. Foto: Divulgação.

Protocolares, ópera de Mario Ferraro sobre libreto de Guilherme Gontijo Flores, é um diálogo em tom humorístico e veloz com a linguagem carnavalesca encontrada na obra do escritor renascentista François Rabelais. Como numa novela de cavalaria que não obedece a regras de tempo e espaço, narra as três missões de um servidor público no Brasil, que decide cumprir ao pé da letra tudo que lhe é pedido, segundo os prazos dados, mesmo que contrarie qualquer lógica da razoabilidade. Aventura delirante, mistura ao universo carioca burocracia, violência e gargalhada satírica.

O elenco musical, sob a regência de Priscila Bomfim, reúne os renomados cantores Homero Velho, Andressa Inacio, Camila Marliere, Guilherme Moreira. e as crianças Manoela Percegoni e Arthur Pollard, acompanhados por uma orquestra formada por 6 músicos também de excelência.

 

SERVIÇO

Boa.pocket!

  • Local: Sala Mario Tavares
  • Endereço: Av. Alm. Barroso, 14/16 – Centro, Rio de Janeiro
  • Horário: 17h
  • Duração: 25 min cada ópera, intervalos de 10 minutos
  • Entrada Franca

 

FICHA TÉCNICA

  • Criação e Direção Geral: Mario Ferraro
  • Direção Musical e Regência: Priscila Bonfim
  • “Larilá”: ópera de Arrigo Barnabé; libreto e direção cênica de Karen Acioly
  • “Dadá”: ópera, libreto e direção cênica de Armando Lôbo
  • “Protocolares”: ópera e direção cênica de Mário Ferraro; libreto de Guilherme Gontijo Flores

Elenco:

  • Andressa Inacio, mezzo-soprano
  • Camila Marliere, soprano
  • Guilherme Moreira, tenor
  • Homero Velho, barítono
  • Crianças: Manoela Percegoni e Arthur Pollard

Orquestra:

  • Acordeon e sintetizador: Antonio Guerra
  • Clarinete e clarone: Cesar Bonan
  • Violoncelo: Daniel Silva e Silva
  • Guitarra e baixo elétricos, violão: Fábio Adour
  • Bateria e percussão: Tiago Calderano
  • Trompete: Jessé Sadoc

Produção:

  • Direção de Produção: Mariana Chew
  • Assessoria de Imprensa: Cristiana Lobo
  • Fotografia: André Pinnola
  • Mídias Sociais: Gabi Siqueira
  • Designer Gráfico: Nilton Prado
  • Iluminação: Fernanda Mattos
  • Sonorização: Pro Audio

 

 

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