Com Ana Lúcia Gosling

Robert Redford (Photo by Douglas Kirkland/Corbis via Getty Images)
Em “Meus Amores da Televisão”, Roberto e Erasmo Carlos falam da relação apaixonada entre os fãs e seus ídolos do cinema e da tevê. Em tom irônico, embaralham ilusão e vida real. Brincando com os amores platônicos e a imagem idealizada dos famosos, o narrador descreve emoção real, que alegra e angustia.
Muitas pessoas experimentam esse tipo de escapismo, alimentado por carências, ilusões e encantamentos. Pergunto-me, nesta época de superexposições, se ainda há distanciamento suficiente para endeusamentos.
Pergunto-me por despedir-me, intimamente, de Robert Redford. Tem sido estranho, nos últimos tempos, ver partirem esses ícones, referências da minha vida inteira. Celebrados quando tudo era muito diferente, sem o excesso de informação e de imagens atuais. O contato com o artista era, vez ou outra, vê-lo na tela da tevê ou na de cinema. O encantamento talvez fosse mais mágico, etéreo.
Robert Redford era um homem lindo. Modelava o tempo todo. Cada sorriso parecia imaginar uma câmera a capturá-lo. Palavras estudadas, posturas escolhidas. Ao ganhar o Oscar de melhor diretor por “Gente como a Gente”, subiu ao palco, esguio, e, entre os apresentadores, colocou as mãos no bolso enquanto, displicente, humilde, com voz calma, fez um discurso agradecendo aos diretores com quem aprendera ao longo de sua carreira, e ao elenco do filme, declarando seu amor por terem confiado nele. Finalizada a fala mansa, segurou a estatueta para retirar-se. Sem gritos, pulos e estatuetas sacudidas no ar. Estando no tempo de lembrar Robert Redford, atribuo elegância a seus gestos.
Amo “Gente como a gente”. O elenco é ótimo, os diálogos muito bem escritos, a fotografia ajuda a contar a angústia percorrida pelo personagem principal. A direção de Redford é impecável, salvando o filme de ser um melodrama comum e o tornando pungente.
Arrisco umas preferências de sua carreira de ator: “Descalços no Parque”, “O Grande Gatsby”, “Entre Dois Amores”, “Nosso Amor de Ontem”, “Butch Cassidy and Sundance Kid”, “Golpe de Mestre” e “Nossas noites”.

Robert Redford e Barbra Streisand, em cena de “Nosso Amor de Ontem” – Reprodução
Redford fez coisas lindas. Surpreende-me saber que há jovens que não o conhecem, afinal ele faleceu aos 89 anos e não era figura comum do universo instagramável. Sei pouco sobre o homem mas aventuro-me a explicar-lhes sua importância: talentoso ator e diretor, agraciado com os principais prêmios da indústria americana, ativista social, era também um dos grandes incentivadores do cinema independente americano, desafiando a hegemonia hollywoodiana.
As pessoas escrevem grandes histórias. Vão a lugares que poucos foram. Suas marcas em tantas vidas merecem ser recordadas, em voz alta. Deixam saudade de um mundo que está deixando de existir, definitivamente, e que já foi nosso mundo inteiro.
DICAS DA SEMANA:

Imagem: Divulgação
Na quinta-feira, dia 148/09/2025, será o lançamento de “Libitina – Elegias e alguns infortúnios”, do autor Jorge Ventura, publicado pela Ventura Editora.
O livro reúne 30 minicontos sobre a morte, com diferentes ângulos e abordagens sobre o tema, do trágico ao risível, como presença quotidiana, ora absurda, ora delicada.
Quem for colher o autógrafo do autor, poderá, ainda, assistir a uma mesa-redonda com o autor, Claudia Manzolillo, Renata Quiroga e Alexandre Brandão, seguida de coquetel.
Encontramo-nos lá?
SERVIÇO:
Data : 18/09/2025
Horário: 17 às 20h
Local: Sede do PEN Clube
Endereço: Praia do Flamengo, 172/1101, Flamengo, Rio de Janeiro, RJ
Traje: Passeio
*O ArteCult entrevistou o autor e a entrevista pode ser lida em https://artecult.com/morte-em-minicontos-jorge-ventura-lanca-libitina-elegias-e-alguns-infortunios/

Imagem: Divulgação
Também no dia 18/09, ocorrerá o coquetel de lançamento do livro de poesias “(In)delicadezas”, de Kíria Garcia, às 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon.
Lançado na recente Bienal do Livro, o livro é o primeiro trabalho editorial da escritora e reúne poesias inéditas sobre perdas, rupturas e processo de amadurecimento, em anotações que estabelecem uma relação profunda com o leitor.
SERVIÇO:
Data: 18/09/2025
Horário: 19h
Local: Livraria da Travessa – Shopping Leblon
Endereço: Av. Afranio de Melo Franco, 290. Leblon, Rio de Janeiro, RJ
- O ArteCult entrevistou a autora e a entrevista pode ser lida em https://artecult.com/indelicadezas-dilemas-humanos-e-vitais-sao-abordados-com-sensibilidade-pela-poeta-e-juiza-kiria-garcia-no-livro-que-marca-sua-estreia-na-literatura/

Foto: Divulgação
A coluna desta semana está rica de arte. Começamos no cinema, com Robert Redford, passamos pelos lançamentos literários de Jorge Ventura e Kíria Garcia e agora é hora de falar de música!
Vocês se lembram da AX80’s, cuja carreira musical acompanhamos e pela qual torcemos fervorosamente?
A dupla brasileira, formada por Afrânio Alves e Xande Rosa, lançou o single “Algo Programado” há cerca de quatro anos e, de lá para cá, outros sucessos, videoclipes e um álbum, com contrato assinado com a gravadora americana XPAND Music.
A notícia mais recente, divulgada pela gravadora, é que a versão americana de “Algo Programado”, chamada “Like Deja Vu”, foi oficialmente submetida à consideração do prêmio Grammy Awards (leia em https://www.instagram.com/reel/DOrU0DqDvUM/?igsh=NnpucTBpM29nNnlj )
Nas plataformas digitais de música, os sucessos da dupla AX80’s podem ser encontrados, além do álbum produzido pela XPAND Music.
O lançamento mais recente, “Your Mistery”, contou com a parceria musical com a cantora Ariana Molkara.
Para o dia 19/09, está marcado novo lançamento, agora a releitura da canção “Carol”, sucesso na voz de Luciano Bahia nos anos 80, contando com a valiosa participação do seu autor original. Quem foi ao show da AX80’s e os viu cantando ao lado de Luciano não discordará quando dizemos: imperdível!
Parabéns AX80’s!
Nós, do ArteCult, estamos na torcida pelo reconhecimento do talento e da qualidade musical do trabalho desses músicos.
Conheçam o trabalho, inspirado no Synthwave e na sonoridade dos anos 80.


Confira as colunas do Projeto AC Verso & Prosa:
com César Manzolillo














Adorei tudo! ❤️
Obrigada, Vivi! Beijos!
Querida Ana, o ator Robert Redford entrou, definitivamente, para a nossa memória afetiva. Entre tantos sucessos como ator e diretor, lembro-me do filme Brubaker (1980), em que Redford nos premia com mais uma atuação arrebatadora.
Em tempo: muito obrigado por me ajudar a divulgar o lançamento do meu livro. Beijo carinhoso.
Este filme eu não vi. Vou procurá-lo! Obrigada!