
Crédito: Rishabh Dharmani – site unsplash.com
ANJOS, GÊNIOS E MESTRES
Se há algo que não suporto mais é a soberba sem estofo. A vaidade sem razão de ser, a aparência acima da essência.
Há uma frase minha, que eventualmente uso, publicada na seleção literária “Em Poucas Palavras”, da Editora Typus, resumindo bem esse meu sentimento:
“Anjo, gênio e mestre são palavras farsantes, uma vez que a vaidade sem substância é ridícula.” in Em Poucas Palavras, Editora Typus, Vol 1, 2026, p. 22.
Nestes dias dominados por influencers vazios, conspiracionistas delirantes, gênios da terra plana, coaches papagaios e cientistas políticos de churrasco de domingo, mais do que nunca a humildade se mostra como a grande virtude de nosso tempo.
Vaidade é um pecado lamentável. Dizem ser o pior dos pecados capitais. Porém, se for para ceder à tentação, ao menos se tenha o mínimo de substância que o justifique. Assim, que o belo se envaideça da beleza, o inteligente, da inteligência, o justo, da justiça, o sagaz, da sagacidade, o corajoso, da coragem. O pior, e mais ridículo, é exatamente o contrário: o feio se envaidecer de uma suposta beleza, o tolo de uma pretensa inteligência e por aí vai. E como vemos aos montes isso na internet…
Em minha modesta opinião, para uma pessoa arvorar-se a querer dar aula de algo, deve antes ter a base necessária na área que pretende ensinar. Antes do cidadão querer ser o anjo paladino da moral, o gênio incompreendido da política ou o mestre sapientíssimo de algum ramo do conhecimento, aconselho a dar uma boa olhada no espelho para poder ensinar ou criticar qualquer coisa. E mesmo que seja esse medalhão todo, não humilhe ninguém. Ademais, para mim, envaidecer-se demais de algo é ser sempre menos do que se pretende.
Contudo, há aqueles que aprendem com a vida, carregando a sabedoria da idade. Trazem ensinamentos do bem viver com a autoridade dos anos de experiência. Muitas vezes aprenderam com os erros. Pessoas assim têm mais substância do que muitos influenciadores digitais. Sabedoria, afinal de contas, é algo que atribuem à pessoa e não que a pessoa se atreve a ostentar. O homem sábio é humilde.
De minha parte, nunca pretendi ser influencer de seu ninguém. Essa profissão está mais para os pais e professores. Aliás, minha proposta aqui, no Presente de Segunda, nunca foi doutrinar ou ensinar nada, mas sim, abrir um canal de discussão e dialogar com os leitores da coluna, suavizando o início da semana. Eu aprendo um pouco mais a cada texto.
Diante do que foi dito, podemos fazer um belo elogio à humildade. Nesta época de superexposição nas redes sociais, em que mais parece que jovens e adultos querem agarrar o mundo com as mãos. Neste planeta, onde a corrida por mais e mais, assim como competição exacerbada leva ao burnout e ao desespero, penso que a boa e velha humildade, com suas irmãs temperança e discrição, poderiam ser bons remédios para esta vida de aparência sem essência dos tempos atuais.
RODOLFO GUIMARÃES NEVES

Rodolfo Guimarães Neves


com Márcio Calixto
com César Manzolillo















