
A MENSAGEM DO BRASIL PARA O MUNDO
Pindorama, a Terra das Palmeiras, como os povos do ramo tupi-guarani denominavam a região que habitavam antes da chegada dos portugueses, nunca foi o Brasil. É um equívoco querer que nosso país se chame assim. Sequer essa região fora um lugar idílico e pacífico, haja vista que tribos inimigas eventualmente se digladiavam em contendas sangrentas.
Antes de tudo, a nossa nação, ainda em construção, é resultado de um amálgama de povos nativos desta terra sul-americana e imigrantes de diversas partes do mundo, unidos historicamente por laços de sangue e exploração. O Brasil tem sua história mesmo só de 1500 para frente, com certidão de nascimento registrada em 07 de setembro de 1822. Esqueçam associar o Brasil apenas aos indígenas, assim como devemos rejeitar o discurso de que os índios são os verdadeiros brasileiros.
“Ah, mas esta terra já tinha dono quando os europeus chegaram.” Sim, porém, os naturais deste solo não eram brasileiros e nem estavam preocupados em ser. O nosso povo, como entendemos hoje, ainda está em gestação. Diferentemente de povos que se consolidaram como nações através de milênios de história, a exemplo do chinês e persa, o brasileiro ainda é um jovem com crise de personalidade quando comparado a esses mais antigos.
O brasileiro tem dificuldade de aceitar que ainda não é uma nação já formada, muito embora utilizemos esse termo para referirmos a nós mesmos. A propósito, existiria algum país no mundo onde a população é uma nação, por assim dizer, 100% homogênea? Creio que não. Aliás, muitas guerras de razões étnicas pelo mundo perderiam sentido, caso as pessoas não dessem tanto valor a constructos histórico-culturais, nem a fenótipos de qualquer natureza. Mas isso dá muito pano para manga e poderei abordar a questão em futuros textos.
Outra coisa, embora a maioria também pense que o povo brasileiro é totalmente miscigenado, uma fantasia de demasiada beleza, da qual até eu gosto; a realidade apenas mostra que a população que aqui habita é composta por pessoas de origens diversas, incluindo os miscigenados (pense numa expressão que não fará sentido no futuro). Há descendentes de árabes, libaneses, japoneses, angolanos, haitianos, só para falar dos mais recentes fluxos migratórios, que não param.
Multiétnico é a palavra mais adequada para caracterizar o aglomerado de gente que vive sob as mesmas leis neste país.
E é aí onde eu quero chegar. Enquanto os “também jovens” estadunidenses querem ser a cidadela na colina, com a missão divina de impor seu modo de vida para o mundo, há uma vilazinha num morro caramelo do hemisfério sul, humildemente revelando-se ao mundo como uma proposta de convívio entre diferentes, tudo junto e misturado. Se houver nação aqui, ela é multiétnica.
Esquecendo um pouco a roubalheira, as tensões entre classes sociais, a podridão da política, a opressão sobre os mais humildes, a exploração de nossos recursos pelos estrangeiros, e toda a gama de mazelas que nos aflige, existe uma mensagem de esperança que guardamos no coração sobre nosso papel em relação ao mundo: a de uma nação resultante da mistura de vários povos que luta por tornar-se uma democracia justa, unida, solidária e soberana.
Para entender melhor essa nobre missão neste planeta, considerando que o brasileiro já gosta de dar valor e copiar o que vem de fora, vou arriscar proclamar um certo destino manifesto ao estilo de uma norma, bem ao gosto dos burocratas desta terra:
Art. 1º O Brasil deve ser uma nação multiétnica soberana, unida, livre, justa e solidária.
Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário.
RODOLFO GUIMARÃES NEVES

Rodolfo Guimarães Neve


com Márcio Calixto
com César Manzolillo















