CONTO DE QUINTA: Céu particular

por César Manzolillo

 

CÉU PARTICULAR

 

Caminhando sob a chuva fina da manhã, Felícia sorria sem pressa, sentindo o peito leve e uma paz que não experimentava havia muito tempo. Sua alma transbordava uma gratidão tão genuína que o caos do trânsito e a pressa da cidade pareciam apenas uma coreografia inofensiva. Cada poro do seu corpo celebrava a certeza de estar exatamente onde deveria estar, livre de amarras e em perfeita harmonia consigo mesma. Nenhum imprevisto, palavra áspera ou nuvem cinzenta tinha o poder de arranhar aquela redoma de contentamento puro que ela tinha construído em torno de si. Naquele instante, Felícia não apenas sentia a felicidade, ela era a perfeita tradução do que significa estar plenamente viva.

 

CÉSAR MANZOLILLO

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Author

Carioca, licenciado em Letras (Português – Literaturas) pela UFRJ, mestre e doutor em Língua Portuguesa pela mesma instituição, com pós-doutorado em Língua Portuguesa pela USP. Participante de 32 coletâneas literárias. Autor do livro de contos "A angústia e outros presságios funestos" (Prêmio Wander Piroli, UBE-RJ). Professor de oficinas de Escrita Criativa. Revisor de textos. Toda quinta-feira, no ArteCult, publica um conto em sua coluna "CONTO DE QUINTA", que integra o projeto "AC VERSO & PROSA" junto com Ana Lúcia Gosling (crônicas) e Tanussi Cardoso (poemas).

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