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Primeira edição do encontro reuniu mulheres de diferentes histórias para um dia de informação, troca e pertencimento em torno de um papel familiar ainda cercado por estereótipos e poucas referências

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A Casa B2Mamy, em São Paulo, recebeu, no último sábado, 5 de setembro, a primeira edição do Madrasta Summit, encontro criado para reunir mulheres que vivem a experiência da madrastidade e oferecer informação, repertório e um espaço de identificação em torno de um papel que ainda encontra pouca representação social. O evento aconteceu justamente no fim de semana do Dia da Madrasta, celebrado em 6 de setembro, reforçando a importância de ampliar a conversa sobre as diferentes configurações das famílias reconstituídas.
Uma das idealizadoras do evento, Julia Kacurin, autora do livro O amor que eu não planejei e criadora do perfil @multi.maternidade, onde compartilha a rotina de sua família reconstituída, conta que a ideia do Summit surgiu justamente da percepção de que muitas mulheres vivem a madrastidade sem encontrar referências que traduzam suas experiências.
“Quando a gente vive uma família reconstituída, percebe que existe muito pouco espaço para falar sobre a experiência da madrasta de uma forma real, sem estereótipos e sem aquela ideia de que ela precisa ocupar um lugar que não é dela. O Summit nasceu desse desejo de criar um espaço em que essas mulheres pudessem se reconhecer, trocar experiências e entender que não estão sozinhas. Fazer isso justamente no fim de semana do Dia da Madrasta torna esse encontro ainda mais simbólico para nós”, afirma Julia.
Durante um dia inteiro, madrastas de diferentes lugares e histórias puderam ouvir especialistas, compartilhar experiências e reconhecer nas falas de outras mulheres situações que muitas vezes vivem de maneira solitária. A emoção de se sentir compreendida e representada apareceu diversas vezes ao longo do encontro.
Para a psicóloga Samilla Leal, uma das organizadoras do evento, a solidão é uma experiência recorrente entre mulheres que vivem a madrastidade e também aparece em seus atendimentos profissionais. “Ser madrasta e psicóloga de madrasta revelou para mim uma dor semelhante: a solidão. É comum os atendimentos começarem com ‘nunca pude desabafar isso com ninguém’. Então, o Madrasta Summit veio com a intenção de lembrar para madrastas que elas têm tribo, voz e acolhimento. Que nossas famílias não são exóticas e não existem para serem um fardo. Nós reconhecemos que existem desafios, mas não paramos nessa reclamação. Nós vamos além e buscamos oferecer ferramentas e estratégias para lidar com aquelas questões difíceis, que, quando estamos sozinhas, achamos que não têm solução, mas juntas lembramos que é possível.”
A programação passou por temas fundamentais para a vida nas famílias reconstituídas: o posicionamento do pai, a construção de segurança e propriedade no papel de madrasta, as relações entre os diferentes núcleos familiares, ferramentas emocionais para lidar com situações difíceis e a importância de a mulher continuar reconhecendo quem é para além da madrastidade. O evento também contou com plantão jurídico.
A experiência de quem vive a madrastidade há anos também esteve presente nas discussões. Angélica Lino Terra, madrasta há oito anos, destaca a importância de ampliar a percepção social sobre esse papel familiar.
“Há muito tempo queria compartilhar as questões que envolvem esse parentesco. A sociedade ainda julga, mas essas mulheres são essenciais em casa, na infância, na família. O maior aprendizado foi perceber que ser madrasta não é uma sentença e que dá para encontrar realização e muita felicidade nesse núcleo familiar.”
O interesse pela discussão ultrapassou o próprio público para o qual o encontro foi pensado. Antes e durante o Summit, surgiu também uma demanda de pais que gostariam de participar para compreender melhor a experiência da mulher que está ao lado deles e o próprio papel nessa configuração familiar.
Para Amanda Camolesi, que se tornou madrasta em 2020 e participou da organização do encontro, a realização do Summit representa uma mudança importante na forma como essas mulheres podem se enxergar e se posicionar.
“Quando eu me tornei madrasta em 2020, eu não tinha ninguém em quem eu pudesse me inspirar ou desabafar sobre os desafios dessa vida. Seis anos depois, poder fazer parte da organização de um evento só para madrastas me faz ter esperança de que um dia não vamos mais precisar nos explicar, que não vamos mais precisar ter medo. Nós demos o primeiro passo e queremos mudar essa realidade. O Madrasta Summit veio para fazer essa diferença.”
Uma sala cheia também é um dado
A adesão à primeira edição confirmou algo que as idealizadoras observam diariamente nas redes sociais, comunidades e espaços de troca: existe uma demanda real por acolhimento, informação, repertório e representação para madrastas.
O que tantas vezes é vivido individualmente ganhou dimensão coletiva. Por algumas horas, mulheres que costumam procurar respostas sozinhas puderam encontrar linguagem para suas experiências e perceber que muitas das questões que atravessam suas famílias não pertencem apenas a elas.
O encontro terminou com um grande abraço coletivo, ao som de “Dona de Mim”, de IZA, e com uma mensagem que sintetizou o espírito daquele dia: nenhuma madrasta precisa mais se sentir sozinha.
A conversa terá continuidade. A segunda edição do Madrasta Summit está prevista para acontecer no Rio de Janeiro, no primeiro semestre de 2027.
Idealizadoras do Madrasta Summit
- Julia Kacurin —@multi.maternidade
- Samilla Leal —@psi.madrasta
- Angélica Lino Terra —@escola.de.madrasta
- Amanda Costa Camolesi — @amancostas









