Uma crônica ao seu aniversário, Tio Antônio

Coluna de Márcio Calixto

 

Uma crônica ao seu aniversário, Tio Antônio

 

Pleno dia 17 de Agosto. Escrevo essa crônica que sei que não sairá em seu dia.  Porém, isso não será um problema. Quando ela sair, será a hora em que vou expor toda essa admiração que tenho por ele, nesse momento em que aprofundamos relações familiares. É exatamente essa perspectiva: relações familiares.

Nesse ano de 2026, ele fez 99 anos. É impossível não desejar semelhança. Ao perceber a vida que ele leva, acompanhada hoje por sua filha e algum cotidiano repleto de netos e bisnetos, é impossível não ver validade nesse tempo todo de vida. Nesse ano, conseguimos nos encontrar. Levei, inclusive, uma prima de minha esposa. Surpreendeu-me sua vitalidade. Uma força que realmente chama a atenção e conclama Espírito Santo. Aproveitamos para estarmos todos juntos.

 

 

Em uma boa pizzaria, conheci uma prole volumosa de Calixtinhos apaixonados por Antônio. A chuva que houve não conseguiu nos aplacar. Dia seguinte a mesma coisa, conseguimos almoçar, tirar boas fotos, ver semelhanças nos traços físicos. Assustei-me quando disse não conhecer meu pai, seu sobrinho direto. Posso não ter conhecido meu avô, que se foi quando essas relações de proximidade ainda não eram caçadas por mim. Não entendo o motivo das distâncias, porque ele não chega a mim, mas me ponho como figura que quer encontros e reencontros. Com eles, vêm as histórias das quais posso dispor para a escrita. Eternizar, mesmo que em um texto meu, aquilo que aconteceu, o que poderia ter acontecido. Aqui mesmo na coluna eu cheguei a escrever sobre o enterro desse meu avô em que eu não pude ir, mas me fiz presente em um conto, como se lá realmente estivesse. Ao expor à família, todos entenderam o poder da literatura. O que me deixa com algum alívio. Prometi ao Tio Antônio escrever sua biografia. Lançá-la quando ele fizer cem anos, o que nos reserva mais um ano para finalizar tudo. Hoje, só posso comemorar seus 99 desejando a persistência dessa saúde e a concretização de seu centenário. Viver em um mundo de Calixtos centenários será maravilhoso. Receba meu carinho, Tio, tudo de bom para você!

 

 

MÁRCIO CALIXTO
Professor e Escritor

Márcio Calixto | Foto: Divulgação

 

com Márcio Calixto


com Ana Gosling

com César Manzolillo


com Tanussi Cardoso

com Rose Araújo

 

Author

Professor e escritor. Lançou em 2013 seu primeiro romance, A Árvore que Chora Milagres, pela editora Multifoco. Participou do grupo literário Bagatelas, responsável por uma revolução na internet na primeira década do século XXI, e das oficinas literárias de Antônio Torres na UERJ, com quem aprendeu a arte de “rabiscar papel”. Criou junto com amigos da faculdade o Trema Literatura. Tem como prática cotidiana escrever uma página e ler dez. Pai de 3 filhos, convicto carioca suburbano bibliófilo residente em Jacarepaguá. Um subúrbio de samba, blues e Heavy Metal. Foi primeiro do desenho e agora é das palavras, com as quais gosta de pintar histórias.