

Dona Lola | Foto: Caio Galucci
JÁ DEU
Pelo amor de Deus… já deu.
É isso que a gente escuta por aí — nos bastidores, nas rodas de conversa, até entre artistas. Mas, com medo do tal “cancelamento”, muita gente prefere engolir seco e seguir o baile.
Claro, há avanços importantes. O cuidado com as palavras, o respeito às diferenças — tudo isso é necessário. A linguagem muda, evolui, amadurece. Mas, convenhamos: esse processo leva tempo. Não dá para exigir que tudo se transforme da noite para o dia como se fosse mágica de palco.
Não dá para falar “Branca de Neve e os Sete Portadores de Nanismo” depois de 100 anos!
E, sim, às vezes cansa. Reprogramar o vocabulário, recalibrar o pensamento… dá preguiça. Só que, ao mesmo tempo, não dá para ignorar que aquilo que para uns são “só palavras”, para outros é ferida aberta. Então, respira e vai. A gente aprende.
Mas também não é “liberou geral”. Tem limite. Tem contexto. Tem bom senso. Porque senão vira uma patrulha que nem diverte, nem educa — só enche.
E é aí que entra Marcelo Médici.
Quem conhece, sabe: ele transforma o palco num parque de diversões — daqueles sem roda-gigante, mas com gargalhada garantida. Humor direto, popular, inteligente no seu próprio tempo. Um artista que conversa com a plateia, que quebra a quarta parede sem pedir licença, que faz rir sem precisar pedir desculpa depois.
Quem não lembra da Tia Penha? Ou das figuras absurdas, deliciosamente politicamente incorretas, que ele construiu ao longo da carreira? Marcelo sempre soube brincar na corda bamba — e nunca caiu.
Agora, em Dona Lola, espetáculo premiado pela APCA, ele reafirma isso com força.
E já aviso: não gostou? Vai ver Edwi Louise e chora. Também premiado, também brilhante — mas em outra chave. O teatro tem espaço para tudo. Drama, catarse, riso. O que não dá é ficar em casa enquanto tem tanta coisa boa acontecendo, tanta vida.
Em comédia, vamos combinar: ninguém está preocupado se a toalha de crochê combina com a mesa ou se o veludo do figurino está conceitualmente alinhado com o arco dramático da personagem ou com o corpo do artista. Não estamos analisando Shakespeare. Estamos rindo.
E rir — rir de verdade — é coisa séria.
O teatro estava cheio. Gente rindo alto, comentando, interagindo baixinho com o ator, isso é lindo de se ouvir. Marcelo conversa com a plateia como quem está na sala de casa. E é isso que faz o espetáculo pulsar. É vivo, é imediato, é humano.
Porque, no fim das contas, a gente sabe: a vida já é pesada demais. Tem conta, tem violência, tem perda, tem notícia ruim todo dia. Então, meu amor, às vezes tudo que a gente precisa é sentar numa cadeira de teatro e rir.
Rir com inteligência, sim. Mas rir.
E Dona Lola entrega exatamente isso.
Marcelo Médici merece todos os prêmios — não só pelo talento, mas pela coragem de continuar fazendo o que parece simples, mas não é: fazer o público esquecer da vida por algumas horas.
Então, menos patrulha e mais plateia.
Vai lá. Assiste. Ri.
E, quem sabe, até aprende a fazer uma gelatina com a Dona Lola.
Carta aberta de uma fã (para quem conhece as obras do artista)
Marcelo, cá entre nós…
Lembra dos patinhos que não voltaram? Você avisou. Disse, com aquela naturalidade cruel, que eles não voltaram porque tinham morrido. E, pior, avisou que todo mundo ia morrer.
Pois é.
Minha mãe morreu. Meu cachorro, o Chopp, também.
Tô começando a achar que a culpa é da Tia Penha.
Sim, porque depois de tudo isso, me vejo aqui, claramente precisando de uma consulta com aquela mãe de santo — aquela mesmo, do vestido meio Cinderela depois de um vendaval. Porque tem alguma coisa acontecendo.
Acho que entrei na fase da Elsa:
“livre estou, livre estou….
E, sinceramente? Isso tem me preocupado.
Porque liberdade demais, às vezes, vem acompanhada de um certo descontrole emocional, uma leve vontade de largar tudo e sair cantando por aí — o que, convenhamos, nunca termina bem fora da Disney.
Mas calma.
Ainda não cheguei na orientação do último mico-leão-dourado.
Ainda há esperança.
Abraços
SINOPSE
Dona Lola é uma dona de casa que tem sua vida transformada ao se tornar um fenômeno das redes sociais com os vídeos postados pela neta. Com o inesperado sucesso, e incentivada pelas amigas mais próximas, decide se apresentar no teatro, mesmo não sendo atriz, não tendo um espetáculo e menos ainda sabendo o que dizer. As amigas são as presenças mais esperadas na plateia, mas, por variados motivos, não comparecem, despertando a ira de Dona Lola, que acaba usando o palco para expor as vidas de cada uma delas.
PRÊMIOS E INDICAÇÕES
Por DONA LOLA, Medici ganhou o Prêmio APCA de Melhor Ator de Teatro. A peça está concorrendo ainda ao Prêmio do Humor nas categorias Melhor Texto, Melhor Performance e Melhor Peça, e foi indicada a melhor espetáculo de humor pelo Prêmio Arcanjo.
FICHA TÉCNICA
Direção: Ricardo Rathsam
Texto e Trilha Sonora: Marcelo Médici e Ricardo Rathsam
Direção de Arte: Mira Haar
Design de Luz: Ricardo Silva
Direção de Movimento: Kátia Barros
Design de Som: André Omote
Visagismo: Marcos Padilha
Voz off personagem Olga: Antonio Fagundes
Voz off personagem Marli: Tony Ramos
Peruca: Emi Sato
Assistente de Direção de Arte: Yumi Ogino
Costureira: Judite de Lima
Diretor de Palco: Paulo Travassos
Design Gráfico: Marcio Villar
Foto do Cartaz: Jairo Goldflus
Direção de Produção: Thati Manzan
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany
SERVIÇO
- ESTREIA: dia 12 de abril (domingo), às 17h
- ONDE: Teatro dos 4 / Shopping da Gávea
- ENDEREÇO: Rua Marquês de São Vicente, 52/2ºpiso – Gávea / RJ (21) 2239-1095
- HORÁRIOS: aos domingos às 17h
- INGRESSOS: R$140 e R$70 (meia)
- Em https://site.bileto.sympla.com.br/teatrodos4/ ou na bilheteria de diariamente das 14h às 20h
- CAPACIDADE: 401 lugares
- DURAÇÃO: 75 min
- GÊNERO: comédia
- CLASSIFICAÇÃO: 12 anos
- TEMPORADA: até 17 de maio



Paty Lopes (@arteriaingressos). Foto: Divulgação.









