Neste sábado (25): Coleção “BH. A Cidade de Cada Um” lança livro que resgata a memória do bairro Pindorama

A divisa do aterro sanitário com o bairro Pindorama – Foto: Ewerton Martins Ribeiro

 

Novo título da coleção “BH. A Cidade de Cada Um” apresenta a história do bairro da região Noroeste da capital; lançamento acontece no dia 25/4, na Livraria Quixote

 

Um bairro pouco presente no imaginário de Belo Horizonte, mas fundamental para compreender sua formação social, ganha protagonismo no livro “Pindorama”, o novo volume da coleção “BH. A Cidade de Cada Um”. Assinada pelo escritor e pesquisador Ewerton Martins Ribeiro, a obra propõe um mergulho na história e nas dinâmicas de uma das regiões periféricas da capital mineira, situada no limite com Contagem.

O 43º título da coleção da Conceito Editorial será lançado neste sábado, dia 25 de abril, às 11h, na Livraria Quixote, com a presença do autor e venda de exemplares a R$50. O livro foi viabilizado com o patrocínio da empresa MGS, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.

Mais do que um registro histórico, a publicação nasce de uma experiência vivida pelo autor. Morador do bairro desde a infância, Ewerton constrói uma narrativa que parte de dentro, combinando memória pessoal, investigação e reflexão crítica sobre a cidade.

“A ideia de escrever sobre o Pindorama nasceu da minha própria experiência do bairro e de sua situação periférica no contexto amplo da cidade”, afirma.

Com formação em Jornalismo e doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais, onde atua como servidor, o autor buscou equilibrar rigor analítico e linguagem acessível. O livro se estrutura como um ensaio que atravessa diferentes campos: da Geografia à Sociologia, sem renunciar sua dimensão literária.

“Busquei fazer um livro que apresentasse o bairro de forma objetiva, mas também sensível, mais próximo do ensaio literário do que de um estudo puramente acadêmico”, explica o escritor.

 

A desigualdade e os dilemas sociais

O Pindorama se consolidou a partir de fluxos migratórios de trabalhadores vindos de áreas rurais e de populações deslocadas de outras ocupações urbanas. Ao longo das décadas, desenvolveu uma dinâmica própria, marcada pelo trabalho informal, pela prestação de serviços e por uma economia doméstica que ainda hoje define a paisagem local.

Apesar de sua relevância social e histórica, o bairro ficou por muito tempo associado quase exclusivamente ao antigo aterro sanitário de Belo Horizonte, desativado em 2007 – um elemento que, segundo o escritor, foi determinante para a configuração do território. “A cidade deliberadamente empurrou para uma parcela desprivilegiada da população a obrigação de processar, objetiva e subjetivamente, todo o lixo produzido pelo conjunto da urbe”, pontua Ribeiro.

Outro ponto de destaque é que, ao longo da obra, histórias de moradores ajudam a construir uma visão humanizada do território, sem reduzi-lo a estereótipos. Em vez de destacar personagens isolados, o autor opta por revelar o bairro como uma construção coletiva, marcada por experiências singulares que, juntas, narram uma história maior.

 

Deslocamentos periféricos

Outro ponto central do livro é a reflexão sobre as desigualdades estruturais da cidade. Para Ribeiro, as transformações observadas ao longo do tempo não alteraram profundamente a lógica de funcionamento das periferias.

“As ações do poder público mantêm essas regiões como áreas supermonitoradas e subatendidas. Não se busca emancipar, mas manter a periferia como produtora de mão de obra barata”, afirma.

Nesse sentido, “Pindorama” não apenas recupera memórias, mas também tensiona o presente, propondo uma leitura crítica das relações entre Centro e periferia. “O Centro está para a periferia assim como a classe dominante está para a classe explorada”, resume o autor.

Ao integrar a coleção “BH. A Cidade de Cada Um”, a obra também marca um novo momento do projeto editorial, ao alcançar um bairro situado nos limites geográficos da capital.

“É a primeira vez que a coleção chega às margens da cidade. Isso ajuda a construir uma ideia mais ampla do que é Belo Horizonte como conjunto”, destaca.

 

A coleção “BH. A cidade de cada um”

Desde setembro de 2004, a coleção “BH. A cidade de cada um”, idealizada pelos jornalistas José Eduardo Gonçalves e Sílvia Rubião, vem construindo a memória afetiva da cidade por meio de textos literários escritos por pessoas de diversas gerações, escolhidas por sua grande identificação com os temas trabalhados. Publicada pela Conceito Editorial, a série tem como ponto de partida suas vivências pessoais dos autores, nas quais eles relatam sobre bairros, lugares, fatos e personagens diversos, sem o compromisso de se prenderem à história oficial, gerando grande empatia entre moradores e admiradores da capital mineira.

 

SERVIÇO:

Lançamento do livro “Pindorama” – Coleção “BH. A Cidade de Cada Um”

  • Quando: Sábado (25/4), às 11h
  • Onde: Livraria Quixote (Rua Fernandes Tourinho, 274 – Savassi)
  • Quanto: Entrada gratuita | Livro à venda por R$ 50

 

“BH. A Cidade de Cada Um” nas redes

 

 

CHRIS HERRMANN
Escritora, musicista, editora, designer.
Editora-chefe Redação e Colunista ArteCult.com

 

 Coluna:
Sarau da Varanda

 

Author

Chris Herrmann é escritora/poeta, musicista, musicoterapeuta, editora e webdesigner teuto-brasileira, nascida no Rio de Janeiro. Estudou Literatura na UFRJ, Música no CBM e pós-graduou-se em Musicoterapia na Universidade de Münster, Alemanha. Tem 13 Livros publicados (poesia contemporânea, haikai, romance, contos e literatura infantil); bem como participação e organização em inúmeras coletâneas de poesia no Brasil e exterior. Recebeu diversas premiações ao longo dos últimos 20 anos, como escritora, poeta, webdesigner e curadora de sarau. É editora-chefe da revista eletrônica Ser MulherArte (www.sermulherarte.com | @sermulherarte); articuladora do Mulherio das Letras na Lua (Grupo de Poesia ligado ao Movimento Mulherio das Letras); editora do Sarau da Varanda (@sarau.da.varanda) e Arthéria Viva (@artheriaviva) no Instagram. Desde Outubro de 2025, é editora-chefe e colunista do Portal ArteCult (www.artecult.com | @artecult).

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