Crítica: “Michael” e a complexa dança entre o gênio e o trauma

MICHAEL | Foto: Divulgação

 

MICHAEL

 

Michael nos mostra o que acontece quando o talento encontra a obstinação, mesmo que essa junção seja conduzida de forma conturbada.

Dirigido por Antoine Fuqua, o longa assume a proposta de ser um grande espetáculo visual, mas não foge de mostrar o doloroso caminho percorrido pelo Rei do Pop, marcado por relações familiares profundamente complicadas. Temáticas como o narcisismo parental e a perda da infância são tratadas com recorrência, revelando os efeitos imediatos na psique de um protagonista que precisa, a todo tempo, se reorganizar para suportar tamanha carga dramática.

Para quem pretende assistir ao filme em salas com sistemas de som potentes, a experiência promete ser única. Com mais de 10 sucessos da carreira de Michael Jackson pontuando a narrativa, o longa quase convida o espectador para a pista de dança; é inevitável se pegar tentando repetir os movimentos icônicos do cantor durante a projeção.

As atuações são um show à parte e elevam o nível da obra. Jaafar Jackson — sobrinho de Michael — entrega uma encarnação impressionante do artista, equilibrando momentos de explosão criativa no palco com a fragilidade e a reclusão do homem longe dos holofotes. Quem também rouba a cena é Colman Domingo. No papel de Joe Jackson, o patriarca da família, Domingo entrega uma atuação visceral, expondo como o autoritarismo doméstico pode deixar cicatrizes que perduram por toda uma vida.

Com bastidores detalhados e recriações grandiosas de momentos memoráveis, o filme revela o “outro lado” da fama. Michael é uma experiência imersiva para todos os públicos e uma homenagem necessária à história da música.

O longa chega aos cinemas brasileiros no dia 21 de abril (ou 23 a depender da cidade).

 

 

FELIPE OLIVEIRA

GEEK IMPOPULAR (@geekimpopular)

 

 

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *