No dia 14 de janeiro de 2026, o majestoso Theatro Municipal do Rio de Janeiro abre suas portas para a estreia de um espetáculo singular: “Theatro Municipal conta histórias”. Mais do que uma simples visita guiada, trata-se de uma experiência imersiva que une teatro, música e memória, conduzindo o público por uma viagem no tempo através dos corredores e salões de um dos mais importantes símbolos culturais do Brasil.
A proposta
O projeto apresenta uma visita teatralizada, na qual atores em figurinos de época dão vida a personagens que marcaram a história da cidade e do próprio Theatro. Entre diálogos, encenações e trechos musicais, o público é convidado a mergulhar em narrativas que revelam curiosidades, fatos históricos e momentos emblemáticos desde a inauguração do espaço em 1909 até os dias atuais.
- Foto: Divulgação
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A experiência
- Atmosfera única: cada detalhe da arquitetura monumental do Theatro serve de cenário vivo para a encenação.
- Interatividade: os espectadores não apenas assistem, mas participam da jornada, tornando-se parte da narrativa.
- Mistura de linguagens: teatro, música e história se entrelaçam para criar uma experiência sensorial e educativa.
ENTREVISTA COM DANIELA CHINDLER

Confira abaixo nossa entrevista exclusiva com Daniela Chindler:
1. O projeto propõe uma visita teatralizada que transporta o público para a Belle Époque carioca. Como surgiu a ideia de unir teatro, música e história para contar a trajetória do Theatro Municipal? 1. O projeto propõe uma visita teatralizada que transporta o público para a Belle Époque carioca. Como surgiu a ideia de unir teatro, música e história para contar a trajetória do Theatro Municipal?
Crio roteiros para Visitas Teatralizadas desde 1997, ano que estreamos as visitas teatralizadas elaboradas para o centenário da Academia Brasileira de Letras. Há 28 anos descobri esse formato de visitação em prédios históricos que reúne estas linguagens. Gosto muito de em um momento estarmos assistindo a uma peça, respeitando o que costumamos chamar de “quarta parede” e no outro momento o público estar caminhando lado a lado com os atores e até fazendo perguntas fora do script. Atores com figurinos de época são um convite para uma volta ao tempo. E a música não podia faltar. Mais do que uma aula de história ao vivo, a proposta é que seja uma experiência de história ao vivo. Estar dentro do Theatro do Municipal era um sonho. Cada pedacinho desse prédio é uma joia. Quem não tem curiosidade de visitar esse teatro? A atual gestão do Theatro Municipal está defendendo que este palácio deve abrir suas portas e acolher as pessoas, o que também contribui bastante para que o projeto acontecesse.
2. O roteiro apresenta personagens icônicos como Chiquinha Gonzaga, João do Rio e Fernanda Montenegro. Qual foi o critério para escolher essas figuras e como elas ajudam a construir a narrativa do espetáculo?2. O roteiro apresenta personagens icônicos como Chiquinha Gonzaga, João do Rio e Fernanda Montenegro. Qual foi o critério para escolher essas figuras e como elas ajudam a construir a narrativa do espetáculo?
São incontáveis as histórias que podíamos escolher para apresentar dentro deste prédio. Para falar a verdade, o duro foi cortar muitos trechos escritos para que o espetáculo coubesse no tempo previsto. Procurei personagens do passado e do presente. Mas o protagonismo feminino, de pessoas negras e personagens da cidade do Rio de Janeiro são pontos altos do roteiro. Chiquinha Gonzaga, João do Rio e Fernanda Montenegro falam aos nossos corações e isso é bom, né?
3. Você é referência em visitas teatralizadas a prédios históricos desde 1997. Em que aspectos este projeto se diferencia das experiências anteriores, como as realizadas na Academia Brasileira de Letras e no CCBB?
Adoro trabalhar com pesquisa histórica, principalmente quando o tema é a cidade do Rio de Janeiro. Busco compartilhar o resultado destas pesquisas em formatos, que ao mesmo tempo divertem as pessoas e despertam nelas um sentimento de pertencimento. Em 2007 fui curadora junto com o IPHAN do projeto “Igreja de Portas Abertas” conseguimos abrir as portas de 18 igrejas de quinta a domingo e receber 18 mil pessoas. Foi incrível! Me sinto muito feliz quando penso que estamos trazendo a oportunidade dos espectadores viverem a História. Mas voltado a sua pergunta, o Petit Trianon que foi doado para ser sede da ABL é lindo, mas não se compara em grandiosidade e riqueza ao Theatro Municipal. São dois projetos que adorei fazer e que me deram muito prazer em mergulhar na pesquisa.
4. O Theatro Municipal é um símbolo da cultura brasileira e da influência francesa na Belle Époque. Qual foi o maior desafio para traduzir essa atmosfera para o público contemporâneo?
Quando lemos a respeito da Avenida Central ou folheamos o álbum da Avenida Central com as fotos de Marc Ferrez dá muito dó. Como foi permitido destruir tantos prédios desta avenida para subirem os feios arranhas céus que hoje poluem a Avenida Rio Branco? Mas ali na Cinelândia estão de pé os três grandes palácios: A Biblioteca Nacional, o Museu Nacional e o Theatro Municipal então o a localização contribui. Receber os visitantes com figurino de época ajuda bastante para lembrar essa época e os figurinos femininos desenhados por Augusto Pessoa são lindos e amo os grandes chapéus com essas imensas plumas. O resto é texto, música e bons atores em cena. E no roteiro conta com a precioso auxílio da pena de Machado de Assis e outros cronistas da Belle Époque. As palavras criam cenários. Muita coisa eu tirei de trechos de matérias de jornais e até de anúncios.
5. O espetáculo também tem um caráter educativo e de preservação da memória. Como você enxerga o papel da arte na valorização do patrimônio histórico e na formação cultural das novas gerações?
Livros, espetáculos, exposições, suportes de histórias como tapetes, maletas e mobiliários interativos são recursos que utilizamos para falar do patrimônio histórico. Não apenas crianças pequenas, mas também jovens e adultos gostam de viver experiências. Acredito que o melhor aprendizado se dá através das vivências. O pedagogo Jorge Larrosa Bondía, em suas Notas sobre a experiência, nos lembra que a experiência não é o que nos acontece, mas o que nos toca, nos transforma e nos afeta. Acredito que o público que viver a experiência das Visitas Teatralizadas “Theatro Municipal conta histórias” vai sair do espetáculo mais atento ao patrimônio da nossa cidade e curioso em conhecer mais. Não existe melhor forma de apreender do brincando, se divertindo.
“Theatro Municipal conta histórias” é mais do que um espetáculo: é uma celebração da memória carioca e da grandiosidade de um dos palcos mais icônicos do país. Uma oportunidade imperdível para quem deseja conhecer o Theatro Municipal de forma inédita, envolvente e emocionante.
Os ingressos estão disponíveis em modalidade inteira e meia-entrada, com venda online em plataformas oficiais. Recomenda-se a compra antecipada, já que a estreia promete grande procura.
O espetáculo acontece a partir de 14 de janeiro, com sessões às quartas (dias 14, 21 e 28/1), às 16h; sextas (dias 16, 23 e 30/1) e no sábado, dia 17, às 11h. O ingresso custa R$20 (inteira) e R$10 (meia).
Sobre a idealizadora e roteirista do projeto
Daniela Chindler é referência nacional em educação não-formal há mais de 36 anos. Iniciou sua trajetória em 1988 com o projeto Oficina de Histórias no Vidigal e desde então coordenou iniciativas de incentivo à leitura em comunidades e penitenciárias femininas, além de curadorias em Bienais do Livro e instituições culturais como CCBB, Museu Judaico de São Paulo e MUB3.
✍️ Como autora, publicou obras premiadas e distribuídas em escolas públicas, entre elas Bibliotecas do Mundo (FNLIJ 2012), Profissões do Futuro – O Almanaque (2023) e Cientistas Brasileiros (2023).
À frente da Sapoti Projetos Culturais, criou visitas teatralizadas de grande sucesso na Academia Brasileira de Letras e espetáculos literários em Bienais. Também desenvolve projetos inovadores como Oficina Maker e séries educativas sobre inteligência artificial.
SERVIÇO
Theatro Municipal conta histórias
- Onde: Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Praça Floriano, s/n – Cinelândia, Rio de Janeiro – RJ.
- Quando: O espetáculo acontece a partir de 14 de janeiro, com sessões às quartas (dias 14, 21 e 28/1), às 16h; sextas (dias 16, 23 e 30/1) e no sábado, dia 17, às 11h.
- Quanto: O ingresso custa R$20 (inteira) e R$10 (meia). Os ingressos estão disponíveis em modalidade inteira e meia-entrada, com venda online em plataformas oficiais. Recomenda-se a compra antecipada, já que a estreia promete grande procura.
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