
Oi, pessoal, aqui é o Tanussi Cardoso com a Sextas Poéticas, nossa coluna dentro do Portal artecult.com. A nossa Coluna de hoje é dedicada, em homenagem póstuma, a uma grande amiga e uma das mulheres mais conhecidas e queridas do Brasil: THEREZA CHRISTINA ROCQUE DA MOTTA, que nos deixou no dia 04 de abril.

THEREZA CHRISTINA ROCQUE DA MOTTA
A morte da Thereza nos pegou de surpresa, como um grande susto. Ela parecia ótima, plena, amando, conversando sobre sua editora, sobre literatura e fazendo poesia. Havia lançado dois livros por sua editora, a Ibis Libris, e estava comemorando essas vitórias. A vida é esse sopro, esse ar, de repente, insano, instantâneo e rarefeito.
Conheci Thereza nos anos 80/90, vinda de São Paulo, apaixonada pela poesia do saudoso CLAUDIO WILLER, e eu ficava muito orgulhoso quando ela me dizia que fui um dos primeiros poetas a acolhê-la na chegada ao Rio, além de ser um dos que ela mais apreciava; e me provava sua admiração, mostrando, ao menos, três poemas, dentro de sua obra, dedicados a mim.
Por todos esses anos, não existe poeta no Rio de Janeiro que não tenha sido tocado por sua presença, sua poesia, sua paixão pelos livros. Poeta, editora, tradutora, revisora, colunista do ArteCult.com; tudo que ela fazia beirava à perfeição. Tânia Malheiros, nossa cantora, está com show para estrear, no dia 21 de maio (leiam notícias na nossa agenda), em homenagem ao grande Nelson Cavaquinho, em que eu, Jacinto Fabio Corrêa e a Thereza diríamos poemas. Não sei se haverá uma substituta para ela, agora. Thereza será sempre insubstituível, por sua presença falante e bela. Por sua figura ímpar, marcante, única.
Estávamos preparando minha antologia poética para o próximo ano, e a publicação, no Brasil, de um livro meu, lançado na Espanha. Infelizmente, as máquinas pararam. A máquina de seu coração parou. Deixará muita saudade. Lamentável! Fica meu abraço para o Fabio, seu companheiro, sempre presente; e para seus filhos Alice, Elisa, Pedro e Bia e para todos nós, poetas, órfãos do seu amor. Descanse em paz, minha amiga. Sua poesia, agora, fala por você. Grande beijo deste poeta aqui, orgulhoso de sua amizade.
Uma de minhas poesias de que ela mais gostava era As Time Goes By, mais conhecida como “Humphrey Bogart”. Gostava tanto, que deu ao poema uma resposta, chamada de Ingrid. Em sua homenagem, vou colocar, aqui, os dois poemas. Que viva para sempre, em nossas memórias, a querida THEREZA CHRISTINA ROCQUE DA MOTTA.
AS TIME GOES BY
You must remember this / A kiss is still a kiss
A sigh is just a sigh / The fundamental things apply
As time goes by (Hupfeld)
Meu bem
Me chama de Humphrey Bogart
Que eu te conto Casablanca
Me tira esse sobretudo
Sobretudo, conta tudo
Que eu te dou uma rosa branca
Mas, meu bem
Me chama de Humphrey Bogart
Te dou carona em meu carro
Chevrolet – que sou bacana
Te levo, meu bem, pra cama
Fumamos nossa bagana
Te provo que sou sacana
Te faço toda a denguice
Te dispo que nem a Ingrid
Te dou filhos de montão
Só pra te ver sufocar
Mas me chama de Humphrey Bogart
Faço chover colorido
Como num bom musical
Te chamo de Lauren Bacall
Te danço, te canto, te mostro
Entre as pernas meu bom astral
Te deixo pro enxoval
Meu chapéu preto de gângster
Mil poemas de ninar
Só pra te ouvir sussurrar
Como te amo meu Humphrey Bogart!(Tanussi Cardoso)
INGRID
Meu bem
me chame de Ingrid Bergman
que eu volto à Casablanca
arranco teu sobretudo
jogo fora teu chapéu de gângster
e te levo pra Paris
até às margens do Sena
pra ver a Notre Dame
na Ilha de São Luiz!
Te farei tanto carinho
de fazer inveja a qualquer
Lauren Bacall!
Me chame de sua Ingrid
que dançarei para você
o cancã de Montmartre
e o Folies Bergère na Praça Pigalle.
Depois me leve em seu Chevrolet bacana
até a Riviera.
Vamos gastar nosso tempo
dando outro fim pra nossa história.
Mas, se de tudo, não der certo,
lembre-se,
nós sempre teremos Paris!
(Thereza Christina Rocque da Motta)
Obrigado por sua amizade, minha querida amiga e editora. Até um dia, no Céu dos Poetas. Grande beijo meu.
“LIVRO DA SEXTA”:

TCHELLO d’ BARROS. A obra se intitula LETRAMORFOSE – Distúrbios lexicais e Fricções apoéticas, Desconcertos Editora, 2026.
A SEXTAS POÉTICAS traz, hoje, um livro de um artista múltiplo: TCHELLO d’ BARROS. A obra se intitula LETRAMORFOSE – Distúrbios lexicais e Fricções apoéticas, Desconcertos Editora, 2026.
TCHELLO d’ BARROS é escritor e artista visual, catarinense de Brunópolis, radicado desde 2013, no Rio de Janeiro. Atua profissionalmente com produção cultural, roteiros para audiovisual e curadorias/editorias, ministrando oficinas literárias. Graduado em Comunicação Social na UFRJ. Publicou, entre outros: Palavrório; Olho nu; Letramorfose; Olho zen (todos de poemas); Convergências (poemas visuais); Interlocutórios (entrevistas); Estesias Crônicas (crônicas); Cerúleo Escarlate (contos). Artista diversas vezes premiado, como escritor e artista plástico.
Sobre LETRAMORFOSE – Distúrbios lexicais e Fricções apoéticas, diz o Professor Doutor MARCELO STEIL: “Já a partir do título “Letramorfose”, a aglutinação/construção convida e introduz o leitor ao jogo onde Tchello d’ Barros propõe seus métodos de percepção do real, bem como no decorrer dos textos que integram o livro, observa-se uma base de escritura própria através de transformações linguísticas em breves cápsulas, poemínimos, de fruição instantânea, que levam o leitor à condição do espanto imediato via linguagem, ou seja, poesia em estado puro puro. (…) Assim, observa-se em Tchello d’ Barros um autor com esmerada consciência formal, que além da concisão, atenta para as várias possibilidades de comunicação, o que Ezra Pound chamou de “verbi-voco-visual”, ou seja, no campo semântico, sonoro e visual. Seus inquietantes poemínimos vem somar-se às experiências poéticas de qualidade que se publica atualmente no Brasil”.
Para Tanussi Cardoso, “(…) só um autor da sua grandeza, com seu conhecimento técnico, poderia construir, muitas vezes sobre ideias comuns ao leitor, imagens tão originais, baseadas no deslocamento de letras, fonemas, junções de sílabas, no início ou no final das palavras, em jogos intertextuais, irônicos, humorísticos, em rimas ricas e criativas, numa teia repleta de coerência estilística e plena de harmonia visual, sob uma arquitetura que parece fazer com que os poemas se unam de forma circular, saindo e retornando a um mesmo lugar, que é outro e diferente. (…) Poeta visual, escritor, artista visual, designer, pintor, fotógrafo, ilustrador, entre tantos outros tchellos, ele nos oferta um pouco de todo o seu talento neste livro, com uma multiplicidade de ideias… (…) O texto de Tchello d’Barros é sempre elaborado sem gorduras, sem excessos. Nota-se a noção exata do tempo, do ritmo, da concisão, da conexão entre os termos. (…) Na verdade, o tempo todo, Tchello d’ Barros tira proveito do espaço em branco do papel (não fosse ele um dos maiores poetas visuais do mundo) e do que se encontra às margens do texto, e dá relevância ao silêncio contido na respiração dos versos. Talvez, esse espaço silencioso anteceda à própria palavra, criando climas que ultrapassam o próprio poema. Por isso, é bom frisar, que a ênfase principal não se encontra em possíveis “mensagens”, mas, sim, em “como” fazer chegar ao leitor o impacto decorrente das palavras. Seus contornos, suas ambiguidades, a força de destruir ou desconstruir um outro imaginário são o mais importante nesse contexto: sua técnica, sua harmonia vocabular. Em geral, é uma poesia substantiva que emerge impulsionada por sua habilidade de expressão e de linguagem. (…) Em seu livro, fiel a poemas curtos, na satisfação sintética de fazer sempre o melhor, há clareza na limpidez, na ludicidade, na precisão dos termos; há contenção simbólica e sintática; há invenção e transgressão, no mínimo que diz o máximo. (…) Letramorfose é uma chama de esperança e alegria que nos chega através da arte.”
Deixo com vocês um pouco do ótimo LETRAMORFOSE – Distúrbios lexicais e Fricções apoéticas, de TCHELLO d’ BARROS:
nua vens
eu nas
nuvens
………………………………………
seios
sei as
suas
duas
luas
nuas
…………………………………………………
nem
sempre
as
coisas
são
comoção
…………………………………………………
era
hora
do
amor
ora
era
eros
ora
era
hera
……………………………………………………
aflito
fito
em mim
um
ser tão
finito
……………………………………………………
sou dado
à
paz
……………………………………………………………….
penso
logo
hesito
…………………………………………………………
de lemas
sigo
:
dilemas
vivo
Esses são alguns dos poemas do livro indicado pela Sextas Poéticas dessa semana: de TCHELLO d’ BARROS – LETRAMORFOSE – Distúrbios lexicais e Fricções apoéticas, Desconcertos Editora, 2026. Contato do autor: Insta: @tchellodbarros
MÚSICA:
– DIA 21 DE MAIO, ÀS 19h, “NELSON CAVAQUINHO: 40 ANOS DE SAUDADES – Onde a música encontra o verso”, com TANIA MALHEIROS, ANA DE HOLLANDA, JACINTO FABIO CORRÊA, RUBENS KURIN e TANUSSI CARDOSO. Em memória de THEREZA CHRISTINA ROCQUE DA MOTTA. Direção musical: RAMON ARAÚJO. Curadoria: SILVIA CARVÃO. Local: Casa do Choro, Rua da Carioca, 38. Ingressos R$ 80 e 40.

“NELSON CAVAQUINHO: 40 ANOS DE SAUDADES – Onde a música encontra o verso”
EXPOSIÇÕES:
– ATÉ 03 DE MAIO, “AVESSO”, reunindo obras de ANNA BELLA GEIGER e de RAQUEL SALIBA. Local: Museu Histórico da Cidade, Parque da Cidade, Gávea. Terça a domingo, das 9h às 16h.

– ATÉ 17 DE MAIO, “IRRADIAR: PARA CONSTRUIR INSTITUIÇÕES DA GENTE”, apresentando 40 obras de nomes como AILTON KRENAK, VIK MUNIZ e ANNA BELLA GEIGER. Local: Solar, Rua do Senado, 48. Quarta a sábado, das 10h às 18h (exceto feriados).

– ATÉ 24 DE MAIO, “BELEZA HABITADA: EVA KLABIN, MODA E MEMÓRIAS”. Local: Casa Museu Eva Klabin, Av. Epitácio Pessoa 2480, Lagoa. Quarta a domingo, das 14h às 18h.

“BELEZA HABITADA: EVA KLABIN, MODA E MEMÓRIAS”.
TEATRO:
– ATÉ 22 DE ABRIL, “O HOMEM DESCOMPOSTO”, de MATEI VISNIEC. Direção: ARY COSLOV. Com DANI BARROS, GUIDA VIANNA, JUNIOR VIEIRA, MARCELO AQUINO e MARIO BORGES. Local: Teatro Poeira, Botafogo. Terça e quarta, às 20h. R$ 80,00.

“O HOMEM DESCOMPOSTO”, de MATEI VISNIEC
– DIAS 22 e 29 DE ABRIL, ÀS 19h, “O ABAJUR LILÁS” (leitura dramatizada), de PLÍNIO MARCOS. Idealização: KEILA CASTRO. Direção: HENRIQUE VÁRZEA LOTT. Com MARCIO THADEU e grande elenco. Local: Casa Balaio das Artes, Rua da Quitanda, 30 SL 804/806, Centro. R$ 20,00.

“O ABAJUR LILÁS” (leitura dramatizada), de PLÍNIO MARCOS
– ATÉ 26 DE ABRIL, o retorno, depois de 18 anos, da premiada peça, “EU SOU MINHA PRÓPRIA MULHER”, de DOUG WRIGHT, com EDWIN LUISI, que conta a história da travesti alemã, CHARLOTTE VON MAHLSDORF, que enfrentou a perseguição nazista. Direção: HERSON CAPRI. Local: Teatro Poeira, Botafogo. Quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h. R$ 140,00.

“EU SOU MINHA PRÓPRIA MULHER”, de DOUG WRIGHT, com EDWIN LUISI
– ATÉ 26 DE ABRIL, “CORAÇÃO NA BOCA”, baseado no filme “O DEMÔNIO DAS 11 HORAS”, de JEAN-LUC GODARD, com PRISCILLA ROZENBAUM e JOSÉ KARINI. Direção: FELIPE VIDAL. Local: CCBB, Centro. Quinta a sábado, às 19h; domingo, às 18h. R$ 30,00.

“CORAÇÃO NA BOCA”, baseado no filme “O DEMÔNIO DAS 11 HORAS”
– ATÉ 26 DE ABRIL, o premiado “O FILHO ETERNO”, há 15 anos em cartaz. Direção: DANIEL HERZ. Com CHARLES FRICKS. Baseado no romance de CRISTOVÃO TEZZA. Local: Casa de Cultura Laura Alvim, Ipanema. Sexta e sábado, às 20h; domingo, às 19h. R$ 70,00.

“O FILHO ETERNO”, há 15 anos em cartaz. Direção: DANIEL HER
– ATÉ 26 DE ABRIL, “MULHER EM FUGA”, com MALU GALLI e TIAGO MARTELLI, em adaptação das obras “LUTAS E METAMORFOSES DE UMA MULHER” e “MONIQUE SE LIBERTA”, de ÉDOUARD LOUIS. Dramaturgia: PEDRO KOSOVSKI. Direção: INEZ VIANA. Local: Teatro Firjan Sesi Centro. Quinta e sexta, às 19h; sábado e domingo, às 17h. R$ 40,00.

“MULHER EM FUGA”, com MALU GALLI e TIAGO MARTELLI
– ATÉ 26 DE ABRIL, “CHATÔ E OS DIÁRIOS ASSOCIADOS – 100 ANOS DE PAIXÃO”. Direção: TADEU AGUIAR. Com STEPAN NERCESSIAN. Local: Teatro Claro Mais, Copacabana. Quinta e sexta, às 20h; sábado, às 16h30 e às 20h30; domingo, às 15h30. De R$ 50,00 a R$ 200,00.

“CHATÔ E OS DIÁRIOS ASSOCIADOS – 100 ANOS DE PAIXÃO
– ATÉ 27 DE ABRIL, “O TALENTOSO RIPLEY”, com HUGO BONÈMER, que dirige junto com KAMILLA RUFINO. Adaptação do livro de PATRICIA HIGHSMITH, que já inspirou filmes e séries. Local: Teatro Glaucio Gill, Copacabana. Sábado a segunda, às 20h. R$ 70,00.

“O TALENTOSO RIPLEY”, com HUGO BONÈMER
PALESTRAS E PAPOS:
– AMANHÃ, DIA 18 DE ABRIL, ÀS 17h, bate-papo com ALEXANDRE BRANDÃO sobre seu livro “OS VERBOS ESTÃO CANSADOS”. Mediação: ROSANE NUNES. Local: Casa 11, Rua das Laranjeiras, 371, sala 11.

ALEXANDRE BRANDÃO sobre seu livro “OS VERBOS ESTÃO CANSADOS”
OUTRAS NOTÍCIAS:
– AMANHÃ, DIA 18 DE ABRIL e DIA 19 DE ABRIL, DAS 9h ÀS 17h, “DIA DOS POVOS ORIGINÁRIOS”, com apresentações culturais, grafismo indígena, roda de conversa, exposição cultural e troca de saberes. Local: Parque Lage, evento aberto ao público.

DIA 19 DE ABRIL, DAS 9h ÀS 17h, “DIA DOS POVOS ORIGINÁRIOS”
– DIAS 24 DE ABRIL e 25 DE ABRIL, DAS 09h ÀS 17h, “OFICINA TEÓRICA E PRÁTICA DE CRÔNICAS”, com TCHELLO d’ BARROS, incluindo Coffee-break, material didático e certificado. R$ 200,00. Local: Espaço Zagut, Rua Siqueira Campos, 43, sala 725, Copacabana. INFORMAÇÕES NO CARD.

“OFICINA TEÓRICA E PRÁTICA DE CRÔNICAS”, com TCHELLO d’ BARROS
– ATÉ 30 DE ABRIL, inscrições abertas para autores e autoras participarem do FliMinas – Festival Literário Internacional de Minas Gerais 2026! INSCRIÇÕES GRATUITAS. Informações no card.

FliMinas – Festival Literário Internacional de Minas Gerais 2026
– O grande e múltiplo artista RICARDO SILVESTRIN está fazendo uma vaquinha solidária para a produção do seu próximo show. A meta é R$ 5.000,00 (cinco mil reais). O valor vai para os cachês, o aluguel do teatro, técnico de som e ensaios. Guitarra: ANGELO PRIMON; baixo: EVERSON VARGAS; piano: ROBSON SERAFINI; bateria: LUCAS FÊ; e RICARDO SILVESTRIN, vocalista. Quem quiser contribuir com o poeta, acesse o link: VAQUINHA SOLIDÁRIA

. Guitarra: ANGELO PRIMON; baixo: EVERSON VARGAS; piano: ROBSON SERAFINI; bateria: LUCAS FÊ; e RICARDO SILVESTRIN, vocalista.
Aqui me despeço de vocês, amigos e amigas. Grande abraço do Tanussi Cardoso.
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com Chris Herrmann
com Márcio Calixto
com César Manzolillo
com Rose Araújo















