
IArte – Chris Herrmann
FIGURINO
É novo o ano, de um final de janeiro em suas previsões metereológicas avariadas e desconexas. Luis e eu nos aprumamos, no cuidado de não nos atrasarmos para primoroso compromisso. Borboletas dão looping no estômago: algazarra e expectativa.
Chegamos ao Teatro Riachuelo, antigo Cine Palácio, no coração do Rio, em sua arquitetura neoclássica e palco de mais de meio século de história a contar e cantar. Despedimos-nos apressados do motorista falante e disparo na frente, na missão de pegar os ingressos, em mar de filas e gentes. Conseguimos.
TERCEIRO SINAL, o público se ajeita nas poltronas, aqui fora. O elenco se organiza na cochia. As luzes cessam e embalam a imersão. Paira um silêncio, mas os ouvidos mais atentos são capazes de escutar as simpatias, rezas e superstições lá dentro.
Luis sorri e me dá um beijo de aperte-os-cintos-que-vai-começar.
E começa também a emoção.
Em caprichada produção – 20 atres-cantores em cena e músicos preciosos – o musical Martinho Coração de Rei já nos toma de súbito, em povoados, cores e culturas da nave-mãe África. O musical prima pelos sentidos, os cinco e mais dois. Passeamos o olhar, prendemos a respiração diante da engendrada condução narrativa, destravamos o ouvir, ao sermos revisitados pelas primeiras composições do também poeta da Vila. Sentimos as primorosas interpretações de clássicos do nosso Rei Martinho, transitando pela sua vasta discografia. Devoramos, quadro a quadro história, memória e raízes ancestrais.
O cenário conduz a atmosfera, a música faz cosquinha na memória e o figurino alinhava toda a história. O vestir, despe, revelando essências, costumes, culturas e pontuando cronologias.
Voltada para o intuito da minha coluna, que abarca a poesia habitada em todas as artes, trago o meu olhar ao universo da vestimenta, do tecer que toca a pele e confessionalidades, forjando o hoje, no legado e feitura do amanhã.
Atraída a esmiuçar o processo, tenho a oportunidade de entrevistar o icônico multiartista Claudio Tovar, figurinista do espetáculo, sobre o qual apresento e transcrevo o nosso bate-papo abaixo
Claudio Tovar, capixaba, arquiteto, nosso eterno Dzi Croquettes, workaholic confesso, em seus 80 anos de vida e inspiração, Tovar é também artista plástico, ator, cantor, cenógrafo e figurinista. Ou seja: um multiartista, envolvido sempre em grandes fazeres e novidades.
Fui apresentada ao seu nome ainda nos anos 80, recém chegada de Londrina – Paraná , sob o boom do performático e inebriante Dzi Croquettes, grupo que inspirou As Frenéticas e Secos e Molhados, entre outros, e continua inspirando. Era libertário ser um “Dzi” e Tovar foi picado pelo bichinho da transgressão e criatividade, em plenos anos de Ditadura.
Daqueles tempos aos dias de hoje inúmeras peças de teatro, prêmios, inventos, reinventos, desafios shaksperianos, prêmios de teatro, filmes, novelas, cinema e musicais alimentaram seu olhar poético sobre a arte, que nutre e reinventa desnublando novos dias.
E atualmente reencontramos Tovar, assinando o figurino do musical Martinho Coração de Rei, em cartaz no Teatro Riachuelo – RJ, até o dia 23 de fevereiro.
Segue abaixo nosso breve bate-papo:
_ Tovar, com sua longa trajetória nos sentires e fazeres de tantas artes, em revoadas por inúmeros projetos e desafios, conte-nos: o que o seduziu/ encantou a contar essa história sobre nosso mestre Martinho da Vila?
_ Pesquisando o projeto deparei-me com a preciosa parceria com o fomento social “Negócio Tereza”, que inclui mulheres egressas do sustema prisional. Como foi o processo de aproximação, seleção e confecção com o projeto?
_ Como comentei anteriormente vestir-se é despir-se, é revelar sua história, pontuar seu tempo e cultura, afirmar-se perante a sociedade, através do olhar, daquilo que se veste. Como você e sua equipe conceituaram e escolheram os materiais a serem trabalhados/transformados? Quanto tempo de pesquisa, compreensão e pré-mergulho no projeto?
_ Um dos encantos de Martinho é sabermos que é uma homenagem a um artista que continua atuante, cantando e brindando a todos nós com suas releituras e sonhos. Como é perceber, retratar alguém tão significativo e dinâmico em nossa MPB?
Como foi a aproximação com Martinho e a dramaturgia de Helena Theodoro, contemplando mitos e lendas afro-brasileiros?
_ Tovar, uma pergunta que sempre faço aos meus entrevistados…O que o move/comove e envolve no mundo, na arte e no mundo da arte?
_ Agradecendo o bate papo gostoso e fluído, você gostaria de nos revelar os projetos para 2025, algum spoiler, um pré convite ao nosso público do ArteCult? Fique à vontade para se despedir…

Na CasAmarÉlinha, cinco anos se acendem e transcendem: espaço das artes bordado em encontros, tecendo versos em sorriso que alumia. Que venham mais cinco, passarelando em poesia!

Instagram: @rose_araujo_poeta
ROSE ARAUJO

Rose Araujo (@rose_araujo_poeta). Foto: Divulgação.
Conheça a coluna de Rose Araujo


com Chris Herrmann
com Márcio Calixto
com César Manzolillo
com Rose Araújo
com Thereza Christina Rocque da Motta
















