Rio2C 2025: Quando o Futuro se Torna Presente

Por Eduardo Garcia Barroso – Consultor de Sistemas e Professor de Física, Robótica Educacional e Educação Tecnológica

Movimento e diversidade – Vista panorâmica da movimentação no pavilhão principal do evento.

Entre os dias 27 de maio e 1º de junho, a Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, se transformou em um caldeirão de ideias, provocações e conexões no maior encontro de criatividade da América Latina: o Rio2C 2025. Estive presente no evento como visitante e observador atento, com o olhar de quem atua na interseção entre tecnologia, educação e inovação. E posso afirmar: poucas vezes vi um espaço tão rico em possibilidades para transformar o presente e moldar os caminhos da formação cidadã e tecnológica do nosso país.

Criatividade como eixo da inovação tecnológica

Com o tema “The Edge of Perfection”, o Rio2C deste ano colocou em pauta uma questão central para todos que trabalham com tecnologia e educação: qual o custo da busca por uma performance perfeita em um mundo cada vez mais automatizado? Entre soluções de ponta em inteligência artificial, experiências sensoriais, startups promissoras e reflexões sobre o impacto da tecnologia na saúde mental e nas relações humanas, o evento reforçou que o futuro não é sobre máquinas que substituem humanos, mas sobre tecnologias que potencializam nossa capacidade de criar, conectar e transformar.

Educação, robótica e pensamento computacional em foco

No palco Future.U, discussões sobre o papel da IA na educação, inclusão digital, bem-estar e pensamento crítico chamaram atenção pela profundidade e atualidade dos temas. Especialistas como Marcelo Tas, Grazi Mendes e Ig Ibert Bittencourt trouxeram provocações que ecoam em sala de aula: como preparar os alunos para um futuro incerto e altamente tecnológico sem abrir mão da empatia, da criatividade e da autonomia?

Robótica e energia – Ativação da Petrobras apresentando um braço robótico em funcionamento

Essa inquietação dialoga diretamente com a prática docente na robótica educacional. Cada kit, cada linha de código e cada sensor usado em aula são oportunidades de exercitar não só o raciocínio lógico, mas também o trabalho em equipe, a solução de problemas reais e a imaginação aplicada à criação. No Rio2C, essas dimensões estavam presentes em diversos painéis, do Brainspace ao New Frontier, onde se discutiram desde neurociência aplicada à educação até o uso de IA com propósito social.

 

A inovação e a criatividade modelando a nova TV e streaming 

A participação da Globo no RIO2C 2024 destacou seu compromisso com o fortalecimento do mercado audiovisual brasileiro. Com presença em mais de 40 painéis, a emissora reuniu executivos, talentos e criadores para debater inovação, diversidade e o futuro do conteúdo nacional. O painel principal, “Acontece Globo: Um compromisso com o Brasil”, contou com figuras como Luciano Huck, Ana Clara, Nicolas Prattes e os executivos Amauri Soares e Manuel Belmar, abordando temas como investimento em tecnologia, parcerias com produtoras independentes e a relevância das narrativas brasileiras no cenário global .

Além dos debates, a Globo apresentou novidades para suas plataformas, incluindo lançamentos no Globoplay, GNT, Multishow e TV Globo. A empresa também promoveu experiências interativas, como a réplica do helicóptero da série “Ilha de Ferro” e exposições de figurinos de novelas, proporcionando ao público uma imersão no processo criativo de suas produções . Essas iniciativas reforçam o papel da Globo como uma das principais fomentadoras do audiovisual no país, investindo anualmente R$ 5 bilhões em conteúdo e tecnologia.

Tecnologia com impacto: dos games ao ensino

O Summit Game+, dedicado ao universo dos games e eSports, mostrou como o entretenimento digital pode ser vetor de aprendizado, inovação e cidadania. As novas economias criativas b

aseadas em plataformas como Roblox, Fortnite e Twitch se cruzam com a lógica de projetos interdisciplinares em escolas que investem em metodologias ativas e cultura maker.

Ao visitar alguns estandes e acompanhar painéis, ficou claro que o mercado de tecnologia e educação precisa dialogar mais intensamente com o ecossistema da indústria criativa. E o Rio2C oferece o terreno fértil ideal para esse encontro acontecer — um espaço onde a técnica encontra o afeto, a inovação abraça a inclusão e o design de experiências se torna ferramenta pedagógica.

 

Desafios éticos e o papel da escola

Não passou despercebida a presença de nomes como Mary Livanos, da Marvel Studios, e Chris Brancato, de Narcos, que discutiram como a imperfeição humana é essencial na construção de narrativas autênticas. Levo essa ideia para a sala de aula: nossos estudantes não devem ser treinados para a perfeição, mas para o pensamento crítico, para a capacidade de erro, de adaptação e reinvenção — características fundamentais em um mundo dinâmico e incerto.

A escola, portanto, tem o dever de ser esse espaço seguro para experimentar, criar e errar. E eventos como o Rio2C oferecem o fôlego necessário para educadores atualizarem seus repertórios, se conectarem com tendências globais e se inspirarem para seguir inovando.

Corredores da criatividade – Público circulando entre os espaços de networking, conteúdo e ativações culturais

O Rio2C como bússola para a educação tecnológica

Volto do evento com a certeza de que ensinar tecnologia não é ensinar apenas máquinas, mas ensinar sobre o humano em um mundo mediado por máquinas. A tecnologia só vale se estiver a serviço de um projeto de sociedade mais justo, criativo e colaborativo. E é isso que, como educador e consultor, me proponho a fomentar em cada aula, palestra e projeto.

A próxima edição do Rio2C já tem data: 26 a 31 de maio de 2026. Que mais educadores, pesquisadores e apaixonados por inovação possam vivenciar essa experiência e, como eu, sair com a sensação de que o futuro é agora — e que ele é nosso para transformar.

 

 

Author

Eduardo Garcia é consultor de sistemas e professor de Física, Robótica Educacional e Educação Tecnológica, com atuação em escolas e projetos sociais. Também foi guia de turismo especializado em trilhas e atrativos naturais do Rio de Janeiro. Pai da Maria Eduarda, uma menina autista, e se dedica à sua inclusão e bem-estar, promovendo ativamente a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Além da prática docente, ele escreve para a coluna de Tecnologia do site ArteCult e desenvolve materiais didáticos voltados ao uso pedagógico de tecnologias. Seu foco é contribuir com educação inclusiva, inovação tecnológica e cidadania digital, tanto em sala de aula quanto na sociedade.

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