Por uma crônica para 2026

Coluna de Márcio Calixto

 

Arte Digital com IA: Chris Herrmann

 

POR UMA CRÔNICA PARA 2026

 

O ano inicia com seu esplendor. Penso que tudo que desejamos para validar nossos pensamentos tende a ser muito bem vindo. Ano novo, Cabo Frio, todos aqueles fogos. Abraços, champanhes sendo abertas. Vejo os olhos de meu mais novo, descobrindo o poder dos fogos, querendo beber o que bebemos e não podendo. Até tento negociar com a mãe ele beber aquele biquinho que vai ao encontro da boca. Nada. Ela não deixa. Não foi dessa vez que Théo experimentou champanhe. Ela está certa. Não forço. Pensei em até argumentar sobre como fazem os italianos, ao molhar no vinho a chupeta das crianças. Outra época, outro conhecimento. É 2026.

Vamos às fotos. É preciso registrar. É preciso deixar esse lastro de memória e imagem. Hoje, as câmeras fazem o que antes era papel do talento e da sensibilidade em conhecer a máquina para tira fotos. Não é muito diferente de hoje. Um bom fotógrafo sempre será um bom fotógrafo. Inquestionável. Nenhum aparelho será capaz de substituir uma pessoa. Porém, ao ver com minúcia a qualidade das fotos que tiramos, há o talento do passado apreendida na câmera do celular. Nossos sorrisos são espetaculares. Os filtros das redes sociais dão um outro toque de desejo e senso de perfeição. É tudo de um lindo particular.

Não podia, claro, de deixar de fumar meu charuto. Deixei um Macanudo Inspirado pronto para a ocasião. Ele era o meu pleno pedido para o ano. Escrevo em meu 3º caderninho. Neste momento eu não consegui digitar todas as crônicas que estão no 2º caderninho. Essa diferença entre escrever e digitar tem sido maravilhoso. Claro que atrasa o tempo para publicação. Claro, isso gera um custo.

Tenho trazido para as crônicas a singeleza de uma vida. Crio aqui um paradoxo, se eu afirmo que a crônica se valida por aquilo que é crônico, em uma época em que tudo parece já crônico, trago a singeleza da vida para a crônica. É querer seguir na contramão do mundo. Nesse momento, prisão de Maduro, flerte dos poderosos com a 3ª Guerra Mundial, neofascismo, neonazismo, extrema-direita, tudo que serve a não nos deixar plenos. Esse é o crônico da vida. Obviamente que me inunda de pensamentos. No entanto, os sorrisos dos meus filhos são lindos. O sorriso de minha mulher é lindo. É seu maior brilho. Eu também rio. Prefiro escrever essa crônica dos sorrisos lindos. Me é muito melhor.

Lendo outros cronistas, principalmente os que seguem no campo da política, vejo como estão atônitos e precisos. Não preciso ser mais um nesse universo. A minha cronicidade requer ritmo lento, requer pulso vibrante à vida. Espero viver um bom 2026.

 

 

MÁRCIO CALIXTO
Professor e Escritor

Márcio Calixto | Foto: Divulgação



Coluna de Márcio Calixto

 

 

 

Author

Professor e escritor. Lançou em 2013 seu primeiro romance, A Árvore que Chora Milagres, pela editora Multifoco. Participou do grupo literário Bagatelas, responsável por uma revolução na internet na primeira década do século XXI, e das oficinas literárias de Antônio Torres na UERJ, com quem aprendeu a arte de “rabiscar papel”. Criou junto com amigos da faculdade o Trema Literatura. Tem como prática cotidiana escrever uma página e ler dez. Pai de 3 filhos, convicto carioca suburbano bibliófilo residente em Jacarepaguá. Um subúrbio de samba, blues e Heavy Metal. Foi primeiro do desenho e agora é das palavras, com as quais gosta de pintar histórias.