
Coluna de Chris Herrmann

Arte Digital: Chris Herrmann
O BANCO DE PRAÇA
“Às vezes, o sentido da vida não está nos livros que abrimos,
mas no banco de praça, onde finalmente aprendemos a sentar conosco.”
Chris Herrmann
BANCO DE PRAÇA
Meu relógio parou ali
: naquele banco de praça.
Ao lado do pai que sorria
das graças e brincadeiras.
Da criança que o abraçava
sem lamentar os rodopios.
E as corridas que um dia
pertenceriam ao tempo.
O BANCO
O banco daquele jardim
testemunhara doçuras,
agruras lamentos sorrisos,
anseios de ricos
e pobres.
Permitiu-se cobrir
de folhas secas
como meus olhos
de outono.
De pétalas de jasmim
das primaveras
que não festejei.
Naquele banco
coube um universo
de sonhos,
que eu desconheço.
Só não cabe nele
o imenso vazio de mim.
O SENTIDO DA VIDA
E O BANCO DE PRAÇA
Procurava nos livros,
perguntava às pessoas,
e nada.
Padeceu uma vida
esperando por alguma
resposta…
Ninguém sabia,
ninguém o respondia.
Cansado e envelhecido,
sentou-se num banco de praça
com um cartaz na mão:
“Alguém me responde
qual o sentido da vida?“
Só o matuto se aproximou.
Abocanhando um sanduíche,
murmurou:
– mas meu sinhô, a resposta
num tá na pergunta?
– como assim?
– se o sinhô sente ela,
ela tem sentido.
– mas qual sentido?
– o do sinhooô! o que o sinhô
dá pra ela, ora!

Autora: CHRIS HERRMANN
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