FLORES DO DESERTO: Depois de lançamento no Rio, Márcio Catunda lança seu novo livro em Fortaleza

No último dia 10 de dezembro, a Blooks Livraria, no Rio de Janeiro, foi palco do lançamento de Flores do deserto (Ventura Editora, 2025), mais recente livro do consagrado escritor Márcio Catunda. Trata-se de uma obra com poesia experimental e satírica, segundo o próprio autor, revelando um território poético fértil, no qual humor, ludicidade e questões existenciais se entrelaçam. Com pluralidade temática e uma linguagem que convida à contemplação e ao sorriso, Flores do deserto reafirma a importância de Márcio Catunda na literatura contemporânea brasileira.

“O leitor que acompanha a trajetória bem-sucedida do escritor Márcio Catunda haverá de concordar comigo. Esta é, certamente, a sua obra mais despojada, irreverente e descontraída, e, nem por isso, não menos reflexiva e comprometida com o lirismo e a literariedade. Aqui, o seu deserto poético não é árido nem ermo, ao contrário, é florido e fértil, terreno apropriado para o cultivo do bom humor, da ludicidade da palavra, dos versos engajados, das questões existenciais e filosóficas. É aspecto dos mais sedutores, nesta presente edição, a pluralidade dos temas tão bem tratados por este autor singular.”  (JORGE VENTURA, editor)

 

Confira Jorge Ventura recitando um dos poemas de Catunda: “Paródia de um Soneto de Olavo Bilac”:

E no próximo dia 26/12, Catunda lançará o livro em Fortaleza (CE) no Instituto Poliglota, Praia de Iracema, Rua dos Tabajaras, 629. Não perca!

 

 

ArteCult: Como a Literatura entrou na sua vida?
Márcio Catunda: De repente, na adolescência, li uns poetas e me identifiquei com a arte da Palavra, cantada escrita e recitada. Foi vocação. Penso que nascemos predestinados a exercer uma profissão; a minha é esta profissão de fé.
AC: No seu caso, como nasce um poema? E um livro de poemas?
MC: A palavra carregada de poesia persegue o poeta e gera em sua mente uma obsessão parecida com a do fanático religioso. Escrever sempre, com a dedicação total à tarefa e ao desafio, eis como surge de pronto um novo poema. Um livro de poemas é a preparação sistemática de textos escritos. A seleção dos melhores poemas, em segmentos lógicos para tornar a obra um todo representativo do pensar do poeta, isto é: o seu axioma literário, sua poética; vale dizer: sua filosofia estética.
AC: O que os leitores vão encontrar em Flores do deserto, um de seus mais recentes lançamentos literários?
MC: Flores do deserto é um livro irreverente. É a ironia na mensagem e a experiência no estilo. Estão reunidos, no livro, textos críticos humorísticos e existencialistas, compondo a ideia de um protesto sarcástico –  a sátira como arma do anarquismo, pacifista.

Capa – Flores do Deserto. foto: Divulgação.

AC: O poeta e editor Jorge Ventura afirma sobre Flores do deserto: “Esta é, certamente, a sua obra mais despojada, irreverente e descontraída, e, nem por isso, não menos comprometida com o lirismo e a literariedade”. O que você poderia comentar a esse respeito?

MC: Jorge Ventura soube definir os significados e significantes do livro. Em síntese: poesia despojada, no tocante à linguagem informal, irreverente pela crítica social de sentido ético, e descontraída pelo sentido de humor. Entendo, devemos manter o bom humor para preservar a saúde e o bem-estar.

AC: Agora, peço que deixe aqui, para apreciação dos seguidores do ArteCult, um dos poemas de Flores do deserto.
MC: Com um abraço para os seguidores de ArtCult, envio este poema:
 PARÓDIA DE UM SONETO DE OLAVO BILAC
Ora, falas com astros, Zé Mané?
Viste Vênus dançando com Bilac?
Sabes de que partido Plutão é?
Foste à festa com Saturno de fraque?
Tresloucado leitor de pouca fé,
eu te direi, no entanto, aguenta o baque:
Netuno me levou num cabaré.
Marte, o brigão, me ofereceu conhaque.
Inteligências artificiais,
direis, cadê o senso, meu rapaz?
Amai para entender o meu cordel.
A Via Láctea me deu leite e mel,
e a NASA me chamou para bedel
na docência dos cursos siderais.
AC: Planos futuros: o que vem por aí nos próximos meses? 
MC: Quanto aos planos futuros, tentarei torná-los planos presentes: novos livros, inclusive Autobiografia em Madrid, com a intenção de conceber os valores da civilização espanhola, um projeto bastante ousado.

SOBRE O AUTOR

Márcio Catunda

Márcio Catunda, escritor e diplomata, nasceu em Fortaleza, em 1957. É membro da Associação Nacional de Escritores (Brasília-DF), do Pen Clube do Brasil (Rio de Janeiro), da Academia de Letras do Brasil (Brasília-DF), da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (sócio correspondente), da União Brasileira de Escritores (UBE-Rio de Janeiro) e da Associação Profissional de Poetas do Rio de Janeiro (APPERJ). Editou diversos livros de poesia, de prosa (alguns dos quais escritos diretamente no idioma espanhol) e discos de poemas musicados.

Foi Presidente do Clube dos Poetas Cearenses em 1975 e fundador do Grupo Siriará em 1981, ambos em Fortaleza. Participou das reuniões do denominado “Sabadoyle”, de 1982 a 1985, no Rio de Janeiro, onde conheceu Carlos Drummond de Andrade, com quem manteve intercâmbio.

Em 1984, ingressou na Associação Nacional de Escritores, de Brasília, passando a estabelecer intercâmbio com escritores de todas as regiões brasileiras.

De 1991 a 1994, foi Secretário da Carreira Diplomática na Embaixada do Brasil em Lima, período durante o qual fundou, com os poetas peruanos Eduardo Rada, Regina Flores e Elí Martin, o grupo literário REME, tendo realizado diversos recitais e publicado dois livros.

De 1995 a 1997, foi Cônsul-Adjunto no Consulado-Geral do Brasil em Genebra, cidade onde frequentou a Associação de Escritores Genebrinos.

De 1998 a 2000, foi Conselheiro na Embaixada do Brasil em Sófía, onde publicou antologia de seus poemas, traduzidos pelo poeta búlgaro Rumen Stoyanov.

De 2002 a 2005, exerceu o cargo de Conselheiro na Embaixada do Brasil em São Domingos. Participou, em São Domingos, de uma associação de poetas dedicados ao estudo da metapoesia.

De 2006 a 2008 foi Assessor Cultural junto Comunidade de Países de Língua Portuguesa, em Lisboa. De 2008 a 2010, Ministro-Conselheiro em Acra. De 2010 a 2013, Chefe do Setor de Imprensa e Divulgação, junto à Embaixada do Brasil em Madri.

No período em que residiu e trabalhou em Madri, publicou diversos livros no idioma castelhano e manteve intercâmbio com os maiores expoentes da literatura espanhola.

De 2014 a 2016, foi Chefe do Setor Comercial na Embaixada do Brasil em Argel. Escreve em diferentes periódicos brasileiros.

Publicou poemas, ensaios e contos em periódicos de diversos Estados brasileiros. Dentre as revistas: Revista da Academia Cearense de Letras e Literapia ― de Fortaleza; Literatura ― de Brasília. Revista Brasileira (da Academia Brasileira de Letras). Dentre os jornais: O Povo, Diário do Nordeste e Tribuna do Ceará ― de Fortaleza. Correio Braziliense, Jornal de Brasília e Jornal da Associação Nacional dos Escritores de Brasília ― da Capital brasileira. Jornal do Comércio ― do Rio de Janeiro. Suplemento Literário de Minas Gerais ― de Belo Horizonte, Poesia Viva, do Rio de Janeiro, entre outros, inclusive, periódicos eletrônicos, como o Jornal de Poesia, Aliás, Brasil Informal, Poesia-Brasil (Antonio Miranda) e outros. Tem, igualmente, poemas musicados registrados nas plataformas Spotify e YouTube.

 

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Author

Carioca, licenciado em Letras (Português – Literaturas) pela UFRJ, mestre e doutor em Língua Portuguesa pela mesma instituição, com pós-doutorado em Língua Portuguesa pela USP. Participante de 32 coletâneas literárias. Autor do livro de contos "A angústia e outros presságios funestos" (Prêmio Wander Piroli, UBE-RJ). Professor de oficinas de Escrita Criativa. Revisor de textos. Toda quinta-feira, no ArteCult, publica um conto em sua coluna "CONTO DE QUINTA", que integra o projeto "AC VERSO & PROSA" junto com Ana Lúcia Gosling (crônicas) e Tanussi Cardoso (poemas).

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